sábado, 15 de março de 2008

" Diário De Um Casal II "


Diário da Maria

Quando o amor se torna previsível deve ser uma grande chatice !


" Que dia que vou ter hoje. Trabalho de manhã e à tarde, compras no supermercado à hora de almoço, tomar café com a Marta que está cheia de problemas com o marido, ir para casa, fazer o jantar, arrumar a loiça e, finalmente, esticar-me um bocado a conversar com o Manel. Pergunta-me a Marta, uma descrente da conjugalidade, mas o que é que ainda tens para lhe dizer?

Houve tempo em que também me fazia confusão pensar em viver muito tempo com uma pessoa. Agora já não. Mas tenho a perfeita noção de que qualquer relação pode acabar quase de um dia para o outro. É a chamada imprevisibilidade do amor, que quando se torna previsível deve ser uma grande chatice.

Se eu soubesse o que sei hoje se calhar não me tinha metido num casamento, mas todos nós se soubéssemos o que nos vai acontecendo ao longo da vida, não vivíamos, oscilávamos entre a exaltação e a fossa. Se alguém me dissesse, hoje, que já desejei tanto acabar com esta relação, que a raiva que senti me inundou completamente, eu dir-lhe-ia que estava a ver outro filme. Como é que eu consegui limpar dentro de mim tudo isto e não ficar amarga e chata?

A Marta passa a vida a dizer-me - tu não conheces os homens, dão muito jeito para muita coisa, mas não são fiáveis, eles passam e os filhos ficam ...

Mas o que é isto de ser fiável, é jurar amor eterno numa espécie de investimento que rende sempre a mesma taxa de juro ao longo de dezenas de anos? "


José Gameiro

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