quinta-feira, 10 de abril de 2008

A CASA


" Para início de conversa, apenas dizer, que na minha casa havia Nova York em hora de ponta e que na soleira da porta Marrocos espreitava os halls nas Tailândias e que pelo corredor Marraquexes, Bagdads, Beirutes, Cairos, Damascos, Babilónias penduravam-se em bengaleiro talhado a madeira Senegalesca. Convido os amigos, com certeza, muita certeza, para na sala tomarmos uma Escócia com 2 ou 3 pedras de gelo nórdicas. Fantasmagóricas Islândias, metódicas Suécias, caóticas Rússias, módicas Finlândias, caleidoscópicas miscelândias, etc's puxando Irlandas cheirando a fadas. Outras formas de enterrar os nadas. À boa velha maneira europeia, na cozinha waterlooiana, Franças e Inglaterras degladiam-se presunçosamente pelo dever das panelas fingindo não compreender que os tachos refugam-se Italianamente: por Romas, cebolas, Milões, alhos, Florenças, tomates, Venezas, sais, Sicílias, azeites, Sardenhas e Toscânias com louros alentejanos. Cantando a caminho dos quartos, seria a tranquilidade Tibetana não fosse os pesadelos de Angola lembrar que a sanita está entupida de American ways lifes, faltam autoclismos, mecanismos que lhes dêem vazão. Quanto ao sótão, é um segredo alemão. Não falemos mais nisso. Para finalizar, apenas dizer, que à varanda está um aceno de mão transmontano que vos convida a entrar. Entrai, por favor, entrai, fazei de conta que é vossa, a casa.


Jorge Serafim in " A Sul de Ti "

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