domingo, 13 de abril de 2008

" Narciso e Goldmundo " de Hermann Hesse



Em plena Idade Média, Narciso e Goldmundo são noviços num convento católico, até que Goldmundo apaixona-se por uma mulher e decide abandonar a vida conventual para "voltar ao mundo".
Num momento pleno de simbolismo, a despedida dos dois amigos assume-se como uma tomada de consciência dramática da diferença radical que os separa.
Apenas voltarão a reencontrar-se no fim da vida quando Goldmundo, velho e cansado, regressa ao convento para aí morrer.
Estas 2 personagens representam no romance de Hermann Hesse dois tipos psicológicos, duas naturezas anímicas distintas: Narciso, o espírito racional e ascético; Goldmundo, a natureza instintiva e emocional. Razão e Emoção, o espírito apolínio e o espírito dionisíaco em contraponto.
Com Narciso, o pensador, o analítico, o intelectual reflexivo, apaixonado pelo rigor da razão, aprende-se a pensar !
Com Goldmundo, o sonhador, o amante da liberdade, dos amores volúveis e inconstantes, dos prazeres e agruras da vida errante, aprende-se a amar.
Todavia, o amor insinua-se na diferença irreconciliável entre os dois seres, existindo entre ambos uma mágica ligação simbiótica.
Com uma narrativa fluida, mas profunda, posso desde já assegurar, que sem dúvida alguma, este é um dos mais belos romances que já li de Hermann Hesse !

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