sexta-feira, 9 de maio de 2008


Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo;
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.


Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o estreitado aroma que subiu da terra.


Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo directamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sono.

Pablo Neruda in "Cien sonetos de amor"



1 comentário:

Pedro disse...

Poema muito bonito. É amor, tal qual é impossível saber como o descrever. Nada melhor que poesia.

Já me tinham dito que Neruda era um grande poeta. Tenho de pensar seriamente em comprar algo dele.

Escolhes palavras e imagens correspondentes óptimas para vir ler o teu blog.

Um grande abraço

P.S.: Aproveito para falar das tus "Aquelas imagens": são sempre muito giras ;)