quarta-feira, 28 de maio de 2008

Virginia Woolf ( 1882 - 1941 )


" Movimentos ondulatórios marcaram-lhe o percurso de vida: a casa paterna, vitoriana, a atmosfera sem restrições do Bloomsbury Group, a consolidação como divulgadora, o suicídio aos cinquenta e nove anos. O nome de Virginia Woolf simboliza, além disso, uma síntese invulgar da escritora de vanguarda que dá voz à vida interior e aos estados de alma do ser humano com a editora que, com o marido, Leonard, publica os livros da avant-garde literária. O seu livro O Quarto de Jacob (1922) surgiu no mesmo ano do Ulisses de James Joyce e do poema de T.S.Elliot A Terra Devastada, abrindo-lhe o caminho para o êxito literário. O livro foi publicado na própria editora dos Woolf, a Hogarth Press, onde, inicialmente, Virginia foi responsável editorial e compositora, e o marido gerente e tipógrafo. A Hogarth Press assegurar-lhe-ia a independência como escritora, permitindo-lhe considerar-se a única mulher «com liberdade para escrever o que quer» na Inglaterra do seu tempo.

Apesar da doença psíquica que a afectava, e não por causa dela - de facto, o mal ter-se-ia manifestado mesmo que não tivesse escrito -, Virginia Woolf revelou-se uma escritora de excepção, embora a escrita tenha sido, para ela, uma experiência necessariamente ambivalente: vivia dominada pelo receio de que os outros não encontrassem sentido no que escrevia e de que a tomassem por louca em vez da mulher brilhante que foi.

Revelou-se, todavia, uma observadora sagaz, incorrupta e infatigável da sua época e da vida. Como autora, deixou patentes na sua obra as experiências-limite que caracterizaram as diferentes fases da doença, dando-nos visões inestimáveis da fragilidade e vulnerabilidade da existência humana. Nada para si era mais importante do que preservar intacta a sua percepção e a integridade da sua arte. Apesar da doença, do medo e do sofrimento, a sua vida foi tudo menos submissa, pelo contrário: mostrou-se sempre uma mulher heróica, que, antes de deixar o marido para sempre, lhe escreveu: «Não creio que dois seres pudessem ter sido mais felizes do que nós.» "

Stefan Bollmann in "Mulheres que escrevem vivem perigosamente"

1 comentário:

Pedro disse...

Não tenho muito interesse pela sua escrita, mas a sua vida é já por si uma grande história, que mistura vários elementos como a arte, o sofrimento, a escrita e o amor.

Gostei de ler este biografia, pois aprendi muito quanto à sua vida.