terça-feira, 24 de junho de 2008

Agatha Christie ( 1890 - 1976 )

" A excentricidade não era seu apanágio; essa, Agatha Christie, cedeu-a a rodos aos assassinos dos sessenta e seis romances policiais que escreveu, os quais, mesmo quando se desembaraçam das vítimas de forma limpa e meticulosa, se situam sempre na zona de fronteira em que a marginalidade e a extravagância raiam a loucura. Nunca procedeu a uma análise sociológica do móbil dos seus criminosos, preferindo justificar-lhes a natureza assassina com a demência, que considerava uma falha genética. «Uma malformação das células cinzentas pode facilmente sobrepor-se ao rosto de uma virgem.»

Agatha Christie pertenceu à linhagem de filhas da alta burguesia inglesa entregues à guarda de uma nursemaid e que só raramente recebiam uma educação convencional. Foi, pois, no universo mágico da biblioteca da casa paterna que adquiriu o seu saber, e é nessa fase da sua vida que lhe nasce a predilecção por mistérios; quando, aos cinco anos, se apercebeu de que a preceptora se entretinha a tagarelar a seu respeito, jurou a si mesma que passaria a fazer segredo de tudo o que lhe dissesse respeito.

Persuadida do talento da filha, a mãe, que entretanto enviuvara, estimulava a jovem Agatha a redigir contos e romances, despertando nela o magnífico hábito da escrita, que - como observava com ironia - «ocupou, por assim dizer, o lugar dos bordados ou da pintura em porcelana». O que, no entanto, não a impediu de alcançar com vertiginosa rapidez o êxito que a guindou à condição de escritora mais lida no mundo e se deveu a um muito discreto profissionalismo.

A literatura policial, que, na opinião de W.H.Auden, devia consistir em «esconder o orgulho demoníaco do assassino quer das restantes personagens do romance, como do leitor» - teve a sua época áurea entre as duas guerras mundiais. Agatha Christie foi tão longe na arte de ocultar que, no mais perfeito e, simultaneamente, mais controverso dos seus romances, o eu-narrador acaba, ele próprio, por ser desmascarado como assassino. «Ela levou-nos a todos à certa», disse, maravilhada, a sua colega Dorothy Sayers. "
Stefan Bollmann in "Mulheres que escrevem vivem perigosamente"

2 comentários:

Anónimo disse...

A propósito de Agatha Christie, convido você e a todos para conhecerem dois blogs recém-lançados...

A Casa Torta: O Mundo de Agatha Christie
http://acasatorta.wordpress.com

Cinema é Magia
http://cinemagia.wordpress.com

Um abraço.

Pedro disse...

Nunca li nada da autora, mas conheço o famoso Poirot... Quando calhar, se o livro vier parar ás minhas mãos, aproveito e leio ;)

Admiro a autora por ter criado tais policiais e por, como mulher, ter enfrentado alguns preconceitos pelas suas histórias de assassinos!