terça-feira, 1 de julho de 2008

Isabel Allende ( * 1942 )


" Alvo de um reconhecimento internacional muito grande, a chilena Isabel Allende deve a notoriedade, por um lado, ao apelido - o presidente Salvador Allende, assassinado quando do golpe militar no Chile em 1973, era primo do pai -, por outro, à fórmula imbuída de realismo mágico que adequou eficazmente aos seus fins. No cerne da sua obra estão o conflito de culturas e o poder libertador da escrita, com o qual se entrelaçam distanciamento e lembrança.

Em A Casa dos Espíritos ( 1982 ), a atormentada Alba é aconselhada a deixar-se de «lamúrias»: «Tens muito que fazer ... vai beber água e põe-te a escrever.» Motivada, pelo sucesso do primeiro romance, Isabel Allende toma, ela própria, esse conselho a peito: já escreveu vários romances e três livros juvenis, e as publicações sucedem-se a uma velocidade impressionante. Eva Luna ( 1987 ), o seu terceiro romance, conta a história da ascensão de uma rapariga pobre que, mais tarde, se consagrará como autora de telenovelas; por trás, esconder-se-á uma certa ironia da escritora sobre o seu percurso, já que, embora proveniente de uma família de diplomatas, trabalhou para televisão. Irónica é, igualmente, a inversão de conteúdo do episódio do pecado original a que procede para contar a história do continente latino-americano: Eva é filha de uma europeia que se perdera na floresta virgem e de um índio que fora mordido por uma serpente. Casada em segundas núpcias com um norte-americano e residente na Califórnia, em O Plano Infinito ( 1991 ), Isabel Allende põe em confronto a cultura anglo-saxónica e a subcultura dos Índios. Em Paula ( 1994 ), a autora-mãe relata à filha, em coma numa cama de hospital, a história da sua vida, na esperança de lhe adiar a morte, quem sabe, até, fintá-la, como Xerazade n'As Mil e Uma Noites. Mas Paula nunca mais acordará, e à narradora nada mais resta senão vergar-se perante o facto de a cadeia de transmissão entre gerações se ter quebrado. "

Stefan Bollmann in "Mulheres que escrevem vivem perigosamente "

2 comentários:

Pedro disse...

Já li "Zorro - O Começo da lenda", e fiquei imediatamente absorvido! Gostei muito desse livro, e embora possa não ser o melhor dela, foi o único que li e um dos meus de eleição.

Já cá tenho para ler "As memórias da Águia e do Jaguar", uma trilogia. Estou ansioso por começar a ler...

Admiro a autora. Já conhecia a sua biografia e continuo a admirá-la como escritora e mulher.

P.S.: O livro que estás a ler, "Cemitério de Pianos", será que depois poderás dar uma palavrinha sobre ele? É que tenho o livro na minha lista...

Ceres disse...

Gosto muitos dos livros dela... aliás, quase tudo o que é realismo mágico, quase tudo o que é sul-americano :)

Tenho algumas sugestões no meu blog. Espreita :) O post do dia de hoje, tem 3... amanhã... amanhã logo se verá! :) Ah, porque, regra geral, escrevo um post por dia e apago o anterior... excepção feita aos fds pois sei que muita gente só tem net no serviço :)