sábado, 18 de outubro de 2008

A Minha Morte

" Eu quero, quando morrer, ser enterrada
Ao pé do Oceano ingénuo e manso,
Que reze à meia-noite em voz magoada
As orações finais em meu descanso ...

Há-de embalar-me o berço derradeiro
O mar amigo e bom para eu dormir !
Velei na vida o meu viver inteiro,
E nunca mais tive um sonho a que sorrir !

E tu hás-de lá ir ... bem sei que vais ...
E eu do brando sono hei-de acordar
Para os teus olhos ver uma vez mais !

E a Lua há-de dizer-me em voz mansinha:
- Ai, não te assustes ... dorme ... foi o Mar
Que gemeu ... não foi nada ... 'stá quietinha ... "


Obras Completas de Florbela Espanca - Volume I ( 1903 - 1917 )

1 comentário:

Pedro disse...

Gosto muito da poesia de Florbela Espanca ;))