terça-feira, 18 de novembro de 2008

" Jun Rail. O rosto de Jun Rail. Quando as mulheres de Quinnipak se olhavam ao espelho, pensavam no rosto de Jun Rail. Quando os homens de Quinnipak olhavam para as suas mulheres, pensavam no rosto de Jun Rail. O cabelo, as maçãs do rosto, a pele branquíssima, a dobra dos olhos de Jun Rail. Mas acima de qualquer outra coisa - quer risse ou gritasse ou se calasse ou simplesmente ficasse assim, como que à espera - a boca de Jun Rail. A boca de Jun Rail não deixava em paz. Perfurava a fantasia, simplesmente. Borrava os pensamentos. «Um dia Deus desenhou a boca de Jun Rail. Foi então que lhe surgiu aquela estranha ideia do pecado.» "

Alessandro Baricco em "Castelos de Raiva"

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