sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Li " A Decadência Do Sonho " e ...

Tudo começou quando li no Blog as mensagens inspiradoras do "Pai do Miguel" ... simples e cheias de força ... lindas !
Porquê " A Decadência Do Sonho " ? Não sei ... sempre fui apologista de que não somos nós a escolher os livros, mas sim eles que nos escolhem ! Comigo, sucedeu isso ... ao percorrer com o olhar os três títulos, a empatia que senti perante este foi tão forte e imediata que "peguei" logo nele .
Confesso que estou a sentir alguma dificuldade para transformar em letras, palavras, frases, texto, tudo aquilo que senti à medida que ía lendo as reflexões, memórias de Pedro e Mariana, mas indubitavelmente as de Pedro.
Pedro Miranda de Sousa ... quem és tu ?
Para mim, alguém que me faz sonhar ... alguém que me faz pensar nas coisas simples e bonitas da vida ... alguém em cujos gostos me revejo ... alguém que ao longo de 138 páginas sempre soube como colocar um sorriso nos meus lábios ... alguém que me fez voltar a ter vontade de escrever ... alguém que gostava que existisse fora da minha imaginação !
Será ele Narciso à espera de Goldmundo ?
Talvez ... Pedro, o pensador de espírito ascético, o intelectual reflexivo, aquele com o qual aprendemos a pensar e Miguel, possuidor de uma natureza instintiva que partiu em busca de "outros mundos" .
Uma coisa é certa, tal como no belíssimo romance " Narciso e Goldmundo" de Hermann Hesse também aqui existe entre Pedro e Miguel uma mágica ligação simbiótica .
Todo o restante livro é um constante desfilar do infinitamente belo: Luchino Visconti com a sua esplêndida " Morte em Veneza "; os Deuses da mitologia greco-romana, com especial ênfase em Baco e Dionísio; " Arte de Amar " de Ovídio; o pensamento oriental; as mandalas; as vivências passadas ( sim, porque acredito nelas ) ...
Agora, imaginem este desfile com o mar como pano de fundo no qual ondulas ao sabor das correntes de Requiem ...
Também simplesmente intenso e adorável o jogo das frases entre Pedro e Mariana, a ver quem conseguia ser mais poeta ...
" - estar aqui a memorizar-te, nestas páginas de incerteza, é sentir-te vivo nesta luz que me ilumina, feita da tua beleza.
- porque te hei-de sofrer, lágrima do meu destino ?
- que escorra azul dos teus olhos e sejas boca do meu sorriso.
- terna foi tua mão quando tocou ao de leve esta minha sensação. "
Adorei este livro tão simples, mas profundo !
Pela primeira vez, senti alguma dificuldade em retirar dele excertos e publicar no meu blog, como vem sendo hábito .
Isto porque todas as palavras e frases libertavam uma magia e tocavam-me de tal forma, que corria o risco de ter que transcrever o livro inteiro ! ;)

1 comentário:

Eugénia disse...

Paulinha
Não a conheço, mas as suas palavras sobre o meu primeiro livro encantaram-me.
Espero vê-la amanhã no lançamento deste meu outro livro, que não tem nada a ver com o outro. No entanto, o que quero publicar a seguir é quase uma continuação do outro, só que, se calhar, mais louca. Mas amanhã, quando a conhecer vou falar-lhe dele, e quando sair, espero que também goste. E deixe-me dizer-lhe que gosto muito da maneira como escreve. Um beijinho Zé manel