quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Madame Lambertin, mulher de traços fogosos e sensuais, que não conseguia de forma alguma dissimular a sua fisionomia marcadamente flamenga, diria mesmo, ostensivamente flamenga. Alta, tez morena, aparentava ter já perto de quarenta anos. Detentora de costumes livres, mas firmes, era-lhe impossível esconder toda a doçura e candura que inevitavelmente moldavam os seus gestos e atitudes. Dona de um sorriso genuinamente aberto, que cocegava as suas bochechas mas invejava o verde deslumbrante, incenso daqueles belos olhos. Escravo de um desejo selvagem e rudimentar, não pude deixar de observá-la todos os dias, quando passava na minha rua a caminho da brasserie. Madame Lambertin, qual boneca manipulada pelo desejo embriagador de Dioniso, regressava com um cabaz de dimensões gigantescas, contendo uma infinita variedade de garrafas de Gueze. Maldito vício ! Se assim não fosse, e apesar das marcas maduras e inevitáveis do tempo, poderia ser ainda mais bela, juvenil e desejável !

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