terça-feira, 18 de novembro de 2008

" Porém, embora indubitavelmente seja maravilhosa a luz do fim da tarde, há algo que consegue ser ainda mais bonito do que a luz do fim da tarde, algo que acontece precisamente quando, por incompreensíveis jogos de correntes, brincadeiras de ventos, caprichos do céu, grosserias recíprocas de nuvens defeituosas, e circunstâncias fortuitas, às dezenas, uma verdadeira colecção de casos, e de absurdos - quando, naquela luz irrepetível que é a luz do fim da tarde, inopinadamente, chove. Há o sol, o sol do fim da tarde, e chove. É o máximo. E não há homem, embora limado pela dor ou arrasado pela ansiedade, que diante de um tal absurdo, não sinta agitar-se algures um irreprimível desejo de rir. "

Alessandro Baricco em "Castelos de Raiva"

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