sábado, 6 de dezembro de 2008

Diário de Adão
" Estive a examinar a cascata. É o melhor do parque, penso. O novo ser chama-lhe «Catarata do Niagara» - porquê ?, não compreendo. Diz que parece a Catarata do Niagara. Isso não é razão. É um mero devaneio e imbecilidade. Não posso nunca dar nome a nada. O novo ser dá nome a tudo o que aparece antes de eu poder esboçar um protesto. E o pretexto é sempre o mesmo: parece ser aquilo. Por exemplo, um dodo, diz que, logo que se avista um, percebe-se que «parece um dodo». Vai ter de passar a chamar-se assim, sem dúvida. Desgasta-me tentar discutir sobre isso e nem vale a pena, de qualquer maneira. Dodo ! Parece-se tanto com um dodo como eu ! "

Diário de Eva
" Agora estamos a dar-nos melhor ( ... ) Gosto muito disso e eu estudo para lhe poder ser útil todos os dias, sempre que posso, para subir na sua estima. Nos últimos dois ou três dias tirei-lhe dos ombros o fardo de dar nomes às coisas e isto deixou-o muito aliviado porque ele não tinha o mínimo jeitinho para isso e está-me muito grato por isso. Não seria capaz de inventar um nome minimamente racional nem que a sua vida dependesse disso, mas eu finjo que não me apercebo desse defeito. Sempre que surge um novo ser eu dou-lhe um nome antes sequer de ele se expor a cair num silêncio embaraçoso. "

Mark Twain in "Excertos dos diários de Adão e Eva"

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