quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Li "O Leitor" de Bernhard Schlink e ...

'Der Vorleser' ... em alemão. Título original.
'Le Liseur' ... em francês. Palavra aveludada e mais sensual do que 'Le Lecteur'.
'Il Lettore Pubblico' ... em italiano. Na minha opinião, tradução mais fiel ao contexto, por referir-se a um leitor que lê diante de outra pessoa, e sente prazer nesse acto !

Conta-nos a história de Michael Berg e do seu relacionamento com Hanna Schmitz. Hanna, de 36 anos inicia Michael, de 15, nos segredos da sexualidade. Esta relação obedece a um ritual ... antes de se amarem, banham-se e ele lê para ela livros como Emília Galotti de Schiller ou Guerra e Paz, com todas as exposições de Tolstoi sobre a História, os grandes homens, o Amor e o Casamento.
Michael fica fascinado com esta mulher madura até que de repente deixa de saber dela ! Jamais a esquecerá e jamais esquecerá que leu para ela, em voz alta, autores clássicos como Rilke ou Goethe. Anos depois, já na faculdade onde estuda Direito, resolve participar num grupo de trabalho que estuda um caso de acusação a guardas dos campos de concentração. Hanna é uma das acusadas.
Condenada a prisão perpétua, recebe de Michael, que nunca a visita, fitas com gravações de Odisseia; contos de Schnitzler e de Tchekov; poesia de Keller e Fontane, Heine e Morike e textos de Kafka, Frisch, Johnson, Bachmann, Lenz ou Zweig.

Deparei-me não com uma história de amor e muito menos romântica, mas com uma história de descobertas. De amor esquecido no interior do corpo, prematuramente desenraizado, vivido conforme é possível e conforme o quanto se está disposto a enfrentar os monstros.
É mais do que um simples romance com narrativa linear. É um livro cheio de ses, imbuído de pontas soltas, de mal entendidos, de perguntas mal feitas, de respostas nulas. É o abandonar-se a si e ao peso da solidão voluntariamente.

Fiquei presa do princípio ao fim, quando Schlink coloca em êxtase a leitura em voz alta dos clássicos, a paixão pelas histórias dos livros, o banho e o amor, relegando para segundo plano os temas da reunificação da Alemanha, lembranças brutais do holocausto ou fugas fantasistas.

Confesso que emocionei-me com o final ! Senti um aperto no estômago, esperava algo trágico, mas não propriamente aquele impacto ao virar a página !

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