sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

" O Poder dos Sonhos " Luis Sepúlveda

Através de um conjunto de crónicas, Sepúlveda conduz-nos pelos meandros políticos e sociais de determinadas instituições de poder.

Não obstante o seu belo sonho utópico de um mundo onde impere a fraternidade e a solidariedade, não consegue deixar de transparecer uma atitude dura e preconceituosa perante determinados acontecimentos.

Assim, e se por um lado, demonstra um profundo anti - americanismo ao denunciar " hipotéticas " políticas de financiamento americanas a diversas formas de terrorismo, por outro lado, é-lhe impossível esconder um certo saudosismo nostálgico dos antigos projectos revolucionários chilenos, bem como de Salvador Allende e velhos companheiros das juventudes comunistas !




" Considero-me um sonhador, paguei um preço bastante duro pelos meus sonhos, mas são tão belos, tão plenos e tão intensos que voltaria a pagá-lo uma e outra vez.

Creio que não há sonho mais belo do que o de um mundo onde o pilar fundamental da existência seja a fraternidade, onde as relações humanas sejam sustentadas pela solidariedade, um mundo onde todos compartilhemos da necessidade de justiça social e actuemos com coerência.

Os meus sonhos são irrenunciáveis, são indomáveis, pertinazes, resistentes e desafiam o horror do pesadelo editorial ... "


Luis Sepúlveda in " O Poder dos Sonhos "

" Sonhei um Sonho "


Sonhei um sonho

e lembrei-me do sonho

e esqueci-me do sonho

e sonhei que procurava

em sonho aquele sonho

e pergunto se a vida

não é um sonho que procurava um sonho.


Cecília Meireles in " De Sonhos "

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

" Parábola do Cágado Velho " Pepetela

Poderia afirmar que a beleza desta Parábola consiste numa bonita história de amor vivida em pleno cenário de guerra em Angola ou até no facto de ser uma anti-epopeia na qual são cantados os sofrimentos e as resistências do povo do campo.

Sim, é verdade, mas o que realmente sempre me fascinou neste romance é a forma criativa e real que Pepetela adoptou, através de uma divertida miríade de termos e costumes tradicionais africanos, para fazer reviver os velhos mitos angolanos.

E é nesta linha de pensamento antropológico que vemos despontar a singular figura totémica do cágado velho, símbolo do poder e do tempo angolanos.

Simplesmente genial !

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Relacionamentos


" ... quando duas pessoas se tornam inequivocamente exigentes, quando cada uma delas espera que a outra viva no seu mundo, esteja sempre disponível, que a acompanhe nas suas actividades, então gera-se inevitavelmente uma guerra de personalidades.

... acaba-se num conflito de prioridades. O Ritmo torna-se demasiado rápido. Tem-se pouco tempo para coordenar as ideias divergentes sobre o que fazer, aonde ir, o que interessava levar por diante. No fim, saber quem manda, quem determina a orientação do dia, torna-se um problema totalmente insolúvel.

Por causa desta guerra pelo controlo vamos achar muito difícil viver com a mesma pessoa durante um certo tempo. "


James Redfield

domingo, 24 de fevereiro de 2008

" O Livro dos Amores Risíveis " de Kundera








Compilação de pequenas histórias belas e angustiantes, passadas na Primavera de Praga em 1968, onde abundam o erotismo, a observação e o surrealismo das personagens, tão característicos do estilo de Kundera.



Tendo como base o equívoco, seja de situações ou de sentimentos, aliado ao risível, são retratados diversos mal-entendidos que abrem diferentes perspectivas e horizontes mais alargados para novas situações.



Romance que ao adoptar a velha temática da solidão humana, faz-nos reflectir sobre a difícil arte de amar e ser amado.





" Supõe que encontras um louco que te diz que é um peixe e que somos todos peixes. Vais discutir com ele ? Vais-te despir à frente dele para lhe mostrares que não tens barbatanas ? Vais-lhe dizer de caras o que pensas ?

... - Se só lhe dissesses a verdade, aquilo que pensas realmente dele, isso queria dizer que aceitas ter uma discussão com um louco e que tu próprio és louco. É exactamente a mesma coisa com o mundo que nos rodeia. Se te obstinasses em dizer-lhe de caras a verdade, isso quereria dizer que o levavas a sério. E levar a sério, algo de tão pouco sério é perdermos nós próprios toda a nossa seriedade. Eu devo mentir para não levar loucos a sério e para não me tornar eu próprio louco."

Milan Kundera in " O Livro dos Amores Risíveis "






sábado, 23 de fevereiro de 2008

" A METAMORFOSE " de Franz Kafka




Num ambiente estranho e claustrofóbico, impregnado pelo inusitado e típico senso de humor de Kafka, somos alertados, através da história de um Homem que se metamorfoseou num insecto, para um conjunto de questões actuais e pertinentes.


Surge-nos uma metáfora do mundo moderno, na qual encontramos o Ser Humano alienado pela sociedade, marginalizado, vítima de total incomunicação. Deparamo-nos com o pessimismo do indivíduo face ao futuro, o receio da perda da identidade humana e a importância das relações familiares, nomeadamente o papel do Pai.


Estamos perante uma obra agressiva e perturbadora, mas acima de tudo verídica e intemporal, que funciona como um resgate de valores e preceitos.






sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

MARIPOSA


Se eu pudesse ser um estilo

A mariposa eu gostaria de ser

Imponentemente abrindo os braços

nas águas calmas do entardecer !

E quando a bela mariposa ostenta

De sua perfeição a magnificência opulenta

ao estilo costas, modesto, resta humilhar-se

Mariposa, orgulhosa, parece espalhar-se,

para que a vejam todos os olhares,

sempre atraídos por estilos sedutores.
Butterfly