segunda-feira, 31 de março de 2008

Lês com uma ferocidade suspensa ... !


" Lês com uma ferocidade suspensa. Como se indefinidamente pudesses guardar a respiração. Como se interminavelmente voasses à mesma altura sobre as páginas que vais regularmente passando, sobre uma paisagem aparentemente uniforme, visto que se trata de um desses livros gloriosos que interminavelmente falam. Quem o conhece já, calcula talvez: agora irás sobre o incêndio da casa, afastada da cidade, em cujo estábulo vivia o negro que era quase branco; ou sobre a mulher que ao princípio chega à serração enquanto o homem lá trabalha, esquecido, com uma devoção alheia e insistente. Com uma devoção contrária tu lês ... "


Manuel Gusmão in " O Leitor escreve para que seja possível "


domingo, 30 de março de 2008

" O CASTELO " DE FRANZ KAFKA



" Juntamente com O Processo e América, O Castelo forma, na obra de Kafka, aquilo a que Max Brod chamava a «trilogia da solidão».
Estes três romances marcam também os mais altos momentos da criação kafkiana e aquele que ora apresentamos não é certamente dos menos conseguidos.
Hermann Hesse considerava-o mesmo «o mais misterioso e o mais belo dos grandes romances de Kafka».
Toda a acção gira à volta dum misterioso indivíduo, K. de seu nome, que chega a uma aldeia contratado pelo castelo de que esta depende, para nela exercer a sua profissão de agrimensor, e dos seus desesperados esforços para entrar em contacto com o tal Castelo. "
Nesta obra deparamo-nos com uma crítica excepcionalmente inteligente à sociedade em decadência, à burocracia estatal.


O personagem surge como alguém enigmático que não encontra respostas para as suas dúvidas e que empreende uma luta desesperante contra um mundo em silêncio, contra uma autoridade inatingível e indiferente, contra o fenómeno da incomunicabilidade, fenómeno este, tão patente nos dias de hoje.


Esta narrativa foi interrompida abruptamente por seu autor no meio de uma frase. Todavia, e apesar das fortes críticas, o facto de ter sido deixada em aberto a intenção do escritor, proporcionou-me a liberdade para imaginar o seu final e ponderar até que ponto é que não seria o castelo uma divagação do inconsciente de K.!

sábado, 29 de março de 2008

AMAR


Eu quero amar, amar perdidamente !

Amar só por amar: Aqui ... além ...

Mais este e aquele, o outro e toda a gente ...

Amar ! Amar ! E não amar ninguém !


Recordar ? Esquecer ? Indiferente ! ...

Prender ou Desprender ? É mal ? É bem ?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente !


Há uma primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar !


E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder ... pra me encontrar ...


Florbela Espanca

quinta-feira, 27 de março de 2008

NÃO É O AMOR ...


" Não é o amor o resultado do impulso, de uma força súbita que parece ter raízes no fundo das entranhas e emerge, cega e desvairada, como a fúria do vendaval ?

Não é o amor a incarnação mesma da espontaneidade ?

Não é o amor fogo que consome alma e corpo, que tudo corrói, numa cegueira que se não sabe de onde vem ou para onde vai ?

Não é o amor fulguração e fascínio, fogueira de corações e arrebatamento de sentidos ? "


Ovídio in " Arte de Amar "

quarta-feira, 26 de março de 2008

ARTE ... ORIGINALIDADE !

Johannes Vermeer - The Girl with the Pearl Earring

" ( ... ) a arte teve e tem de ter uma história. Se não tivesse, se os artistas estivessem apenas preocupados em fazer bonitas pinturas, ou poemas, ou sinfonias, etc, a possibilidade de criação de objectos esteticamente agradáveis ficaria rapidamente esgotada. Teríamos ( talvez ) várias pinturas adoráveis, mas iríamos cansar-nos delas rapidamente, pois seriam todas mais ou menos iguais. Porém, os artistas não procuram apenas produzir obras de beleza. Procuram produzir obras originais de beleza. E quando conseguem obter esta originalidade chamamos «grandes» às suas obras não apenas porque são belas mas também porque desvendaram, tanto para os artistas como para os apreciadores, domínios de beleza desconhecidos e inexplorados.

Homens como Leonardo, Rembrandt, Haydn, Goethe e Vermeer são grandes não apenas pela excelência das suas obras mas também pela sua originalidade criativa que passou a inspirar outros artistas conduzindo a desenvolvimentos novos e esteticamente valiosos na história da arte. É, na realidade, a própria procura da originalidade criativa que assegura a continuação e a importância de tal história. "


Ludwig Wittgenstein

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Leitor Ama !


" Figura luminosa no meio da noite, o leitor irradia pela sala a aventura do livro. O leitor ama. O seu nome, o seu amor ecoa nas sílabas imóveis da frase que os seus olhos perseguem. As letras da sua história rolam arrastadas pelas frases do livro, rolam como de um rio águas e populações, chocando-se, depositando-se em movimento lento no leito dessas frases. Conquistam um sentido heróico e falso. "


Manuel Gusmão in " O Leitor escreve para que seja possível "

domingo, 23 de março de 2008

ARTE


Vejo a arte definida

Na forma de descrever

O bem ou o mal que a vida

Nos faz gozar ou sofrer


Um poeta de verdade,

Se se souber compreender,

Não deve ter vaidade

De o ser, porque o é sem querer.


Ser artista é ser alguém!

Que bonito é ser artista ...

Ver as coisas mais além

Do que alcança a nossa vista!


A arte é força imanente,

Não se ensina, não se aprende,

Não se compra, não se vende,

Nasce e morre com a gente.


A arte é dom de quem cria;

Portanto não é artista

Aquele que só copia

As coisas que tem à vista.


A arte em nós se revela

Sempre de forma diferente:

Cai no papel ou na tela

Conforme o artista sente.


António Aleixo


O QUE É A ARTE ?

" A Grandeza de uma obra de arte está fundamentalmente no seu carácter ambíguo, que deixa ao espectador decidir sobre o seu significado. "
Theodor Adorno


No livro "O que é a Arte?" de Nigel Warburton, são abordadas algumas teorias bastante interessantes de definição do conceito.


Para Clive Bell a arte é FORMA SIGNIFICANTE ( combinação de linhas, formas e cores em certas relações, com poder para produzir uma emoção estética ).
É uma teoria centrada exclusivamente nos aspectos visuais das obras de arte: as intenções dos artistas, o contexto histórico, e assim por diante, são irrelevantes. O que faz de algo uma obra de arte é a sua capacidade para produzir um certo tipo de efeito no apreciador sensível em virtude da sua aparência.


Numa perspectiva essencialmente romântica do artista, R.G. Collingwood defende que A VERDADEIRA ARTE É A EXPRESSÃO IMAGINATIVA DA EMOÇÃO, ou seja, a clarificação de um sentimento inicialmente vago que através da sua expressão se torna claro.


Ludwig Wittgenstein parte da ideia de que a ARTE não pode ser definida isolando as suas qualidades essenciais, sendo esta um CONCEITO ABERTO. Como tal, permite a possibilidade de casos novos e inesperados que não partilham necessariamente uma presumível característica comum.


A teoria institucional, que teve como principal defensor o filósofo americano George Dickie, não destaca o aspecto de uma obra de arte mas o seu CONTEXTO: o modo como é tratada por quem quer que a tenha criado e por quem a expôs e apreciou. É uma teoria que explica o que as obras de arte têm em comum ao chamar a nossa atenção para as suas PROPRIEDADES RELACIONAIS e NÃO VISÍVEIS.


Para o autor do livro, e perante as inadequações de um conjunto de definições existentes, a hipótese mais plausível é que O TERMO "ARTE" NÃO É PASSÍVEL DE SER DEFINIDO.
Devemos deixar de perder tempo com a tentativa de encontrar uma definição completamente abrangente. É MELHOR CENTRARMO-NOS EM OBRAS PARTICULARES E INTERROGARMO-NOS POR QUE SÃO ARTE E QUE IMPORTÂNCIA PODERÁ TER PARA NÓS ESSE FACTO.

sábado, 22 de março de 2008

" Mulheres Que Lêem São Perigosas ! "


" As imagens de mulheres a ler possuem uma beleza muito particular, um encanto e uma expressividade únicos. "


Stefan Bollmann in "Mulheres que lêem são perigosas"

sexta-feira, 21 de março de 2008

O Leitor ...


" ... o leitor muda de página e muda ao mesmo tempo de paisagem, de país, de fuso horário, de século: a leitura é uma máquina histórica e geográfica, uma esquizofrenia generalizada ... "


Eduardo Prado Coelho in " Se o Leitor escreve, tu escreves "

quinta-feira, 20 de março de 2008

A Natureza da Paixão


" É essa a natureza da paixão ... Arde intensamente e depressa e consome-se com demasiada avidez para que apenas o sexo a mantenha satisfeita. Por isso, assim que o sexo segue o seu curso, as chamas da paixão extinguem-se e, se tivermos sorte, sobrevivemos à queda. "


Robert Wilson in " As Mãos Desaparecidas "

terça-feira, 18 de março de 2008

"Expiação " De Ian McEwan


Citando Jane Austen e Henry James, esta obra-prima de Ian McEwan reporta o desmonoramento de todo um tecido familiar e afectivo provocado por um simples olhar e imaginação de uma criança de 13 anos, após assistir a uma cena bizarra entre a irmã mais velha e o filho de uma empregada.

Numa tentativa infantil de repor a organização do seu mundo interno, acaba por acusar um inocente de um crime sexual que ele não cometeu. A partir desta altura, a sua vida assume a forma de um constante duelo moral que Briony tentará expiar através do solitário ofício de imaginação da escrita. Mas será possível a expiação ?

segunda-feira, 17 de março de 2008

21 DE MARÇO ... DIA MUNDIAL DA POESIA !


A NÃO PERDER ... EU VOU LÁ ESTAR !



"Com o objectivo primeiro de defesa da diversidade linguística, a UNESCO decidiu, em 1999, proclamar o dia 21 de Março Dia Mundial da Poesia.Venha comemorar connosco este dia, entre as 14:00 e as 19:30.O Plano Nacional de Leitura (Ministérios da Educação e Assuntos Parlamentares) e o Centro Cultural de Belém (Ministério da Cultura) associaram-se para assinalar a data, no ano de 2008. Excepcionalmente, e porque este ano o dia 21 de Março é Sexta-Feira Santa, vamos comemorar o Dia Mundial da Poesia no sábado, dia 22 de Março.
22 Mar 2008 - 12:00 às 20:30
Para todo o público

VÁRIOS LOCAIS

Entrada pela Recepção do Módulo 1 ou pelo Foyer dos Auditórios/Praça Museu
ENTRADA LIVRE

O programa, que se estenderá das 12:00 às 20:30, ocupando todo o piso térreo do Centro de Reuniões, inclui uma feira do livro de poesia, conferências, audição de DVDs de poetas, uma exposição de poesia visual e culminará com um espectáculo no Grande Auditório. "


Ver o Programa em http://www.ccb.pt !

domingo, 16 de março de 2008

O Corpo


" Nunca estive tão só diz o meu corpo e eu rio-me

porque o corpo é o corpo

não tem nada a fazer
não tem para onde ir

não lembra
não se lembra
quer estar sempre agarrado

suprimido

apertado

e se é belo é pior

vive num amarrote permanente "


Mário Cesariny in " A Cidade Queimada "

sábado, 15 de março de 2008

" Diário De Um Casal II "


Diário da Maria

Quando o amor se torna previsível deve ser uma grande chatice !


" Que dia que vou ter hoje. Trabalho de manhã e à tarde, compras no supermercado à hora de almoço, tomar café com a Marta que está cheia de problemas com o marido, ir para casa, fazer o jantar, arrumar a loiça e, finalmente, esticar-me um bocado a conversar com o Manel. Pergunta-me a Marta, uma descrente da conjugalidade, mas o que é que ainda tens para lhe dizer?

Houve tempo em que também me fazia confusão pensar em viver muito tempo com uma pessoa. Agora já não. Mas tenho a perfeita noção de que qualquer relação pode acabar quase de um dia para o outro. É a chamada imprevisibilidade do amor, que quando se torna previsível deve ser uma grande chatice.

Se eu soubesse o que sei hoje se calhar não me tinha metido num casamento, mas todos nós se soubéssemos o que nos vai acontecendo ao longo da vida, não vivíamos, oscilávamos entre a exaltação e a fossa. Se alguém me dissesse, hoje, que já desejei tanto acabar com esta relação, que a raiva que senti me inundou completamente, eu dir-lhe-ia que estava a ver outro filme. Como é que eu consegui limpar dentro de mim tudo isto e não ficar amarga e chata?

A Marta passa a vida a dizer-me - tu não conheces os homens, dão muito jeito para muita coisa, mas não são fiáveis, eles passam e os filhos ficam ...

Mas o que é isto de ser fiável, é jurar amor eterno numa espécie de investimento que rende sempre a mesma taxa de juro ao longo de dezenas de anos? "


José Gameiro

sexta-feira, 14 de março de 2008

" Diário De Um Casal "


Diário do Manel

Isto de estar casado e ter uma família tem dias, às vezes cansa !


" Sozinho em casa, como eu gosto.

A Maria foi trabalhar, eu tirei um dia para mim.

Tomámos café juntos e voltei para casa.

Nunca entendi muito bem aqueles casais que trabalham juntos. É muito bom estar com quem se gosta, mas estar sempre deve ser uma grande seca. E, depois, o que é que se conta sobre a vida de cada um? Dá-me tanto gozo imaginar a reacção da Maria a situações que vou vivendo, acontece rir-me e perguntarem-me por que me estou a rir? Dizia-me uma amiga que gostava muito quando o marido saía em viagem, porque sentia saudades e era muito bom quando ele regressava. E se não sentires, logo se vê respondia-me ela! Às vezes tenho saudades da Maria durante o dia, mas também já me aconteceu sair por uns dias e quando volto tenho dificuldade em adaptar-me de novo às rotinas conjugais e familiares. Isto de estar casado e ter uma família tem dias, umas vezes parece que, de outra forma, a vida não teria sentido, e outras cansa. Não sei se a maior parte das pessoas entende que há uma diferença entre gostar muito de alguém e dos filhos que se teve com essa pessoa e fazer parte de um conjunto que tem regras bastante rígidas de relação, tantas vezes limitadoras de muita coisa que temos cá dentro.

Nunca tive coragem de falar disto com a Maria, tenho medo de ser mal interpretado, ela poderia sentir que eu estava farto dela e dos miúdos.

Também não me sinto muito à vontade para me abrir sobre isto com amigos, às vezes os homens são um bocado básicos, iria ouvir, quase de certeza: o que tu queres é andar a abrir ... "


José Gameiro

quinta-feira, 13 de março de 2008

" Não Gritaste Por Mim, Meu Amor ... "


" Quero uma tarde eterna de mar e navegar por entre a pele da tua alma sem rumo. "


" Acorda-me o sabor de água dos teus beijos arrancados à doçura da minha pele. Restos de Lua. "


" Foram as palavras que não disseste e os olhos que como barcos ao longe me ofereceste. Escreveste contudo a vontade e eu sonhei-me tua ... "


" Deixei no mar a delicadeza dos meus sonhos quando apagaste da areia a grandeza dos nossos corpos amantes. "


Maria de Lurdes Melo in " Não gritaste por mim, meu Amor ... "

quarta-feira, 12 de março de 2008

" A Herança do Vazio "


Tendo como pano de fundo os meados dos anos 80 de uma exótica Índia pós-colonial, Kiran Desai ao mesmo tempo que guia-nos numa bela viagem através do nordeste dos Himalaias, leva-nos a reflectir sobre temas debatidos e actuais.

Com o choque de culturas entre o Oriente e o Ocidente, como fio condutor desta narrativa e despoletador de inevitáveis buscas de identidade cultural, deparamo-nos com os problemas da imigração ilegal, da herança colonial, do abismo entre os países ricos e o terceiro mundo, do racismo e até mesmo da solidão que possa pender sobre os Himalaias, encontrando suas almas solitárias algum reconforto entre as místicas e belas orações tibetanas, oriundas dos seus tradicionais mosteiros.

" Solidão É Independência ! "


" Solidão é independência, eu tinha-a desejado e adquirido no decorrer de longos anos. Era fria, oh! se era, mas também era calma, maravilhosamente calma, e imensa como o espaço frio e calmo em que giram os astros. "


" O Homem do Poder destrói-se pelo poder, o Homem do dinheiro, pelo dinheiro, o subserviente pelo servir, o sequioso de prazer pela luxúria. E o Lobo das Estepes, esse, destruiu-se pela independência. Atingira o seu objectivo, ganhara uma independência cada vez maior, não tinha ninguém a comandá-lo, ninguém a quem se submeter, dispunha por si só, livremente, do que fazia e do que não fazia. "


Hermann Hesse in " O Lobo das Estepes "

segunda-feira, 10 de março de 2008

" IL SORRISO "


Creio que foi o sorriso,

o sorriso foi quem abriu a porta.

Era um sorriso com muita luz

lá dentro, apetecia

entrar nele, tirar a roupa, ficar

nu dentro daquele sorriso.

Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


Eugénio de Andrade in " Corpo de Amor "

domingo, 9 de março de 2008

" O Vendedor de Passados "



Através de uma ideia perigosamente arriscada, cativante e extravagante, somos genialmente conduzidos ao longo desta narrativa pelas palavras de uma osga.


Surge-nos um enredo que mais não é uma crítica política e social à emergente sociedade urbana de Angola. Félix Ventura é um genealogista cuja função é a de inventar genealogias de luxo aos novos ricos angolanos, que o que têm em dinheiro e poder não o têm em passados felizes e consistentes.


Este Romance é também uma reflexão sobre os truques da memória e suas verdades ou não-verdades ; a construção do passado e a importância de mantermos a autonomia da nossa própria identidade.




" Podem argumentar que todos estamos em constante mutação. Sim, também eu não sou o mesmo de ontem. A única coisa que em mim não muda é o meu passado: a memória do meu passado humano. O Passado costuma ser estável, está sempre lá, belo ou terrível, e lá ficará para sempre. "

José Eduardo Agualusa in " O Vendedor de Passados "

sábado, 8 de março de 2008

8 De Março ... Dia Da Mulher !


E Porque hoje é o Dia da Mulher ...


" As Mulheres da Casa do Tigre "

Marion Zimmer Bradley


Grandiosidade mítica, rituais mágicos, esoterismo e três grandes Mulheres detentoras de poderes, constituem os principais ingredientes desta receita de sucesso que dá pelo nome de " As Mulheres da Casa do Tigre ".

A acção decorre em Merina, cidade-naval ameaçada não só pela sede de poder do Imperador Balthasar, mas principalmente pela sombra negra do seu Mago Cinzento e terrível necromante, Apolon.

Sob uma perspectiva feminina, assiste-se a um constante duelo entre os poderes das Trevas e as relíquias da Luz, até ao grande momento da Batalha final, travada não entre Homens mas entre forças.

Uma vez mais, um grande Romance de Marion Zimmer Bradley.

" Ideias Viciantes ... Sensações Extenuantes "


" Sim, por vezes a ideia mais louca, a ideia aparentemente mais impossível, crava-se-nos de tal modo na cabeça que acabamos por vê-la como algo de muito possível ... Mais ainda: quando à ideia se junta um desejo forte e apaixonado, então é possível tomá-la por algo de fatal, necessário, predestinado, por algo que não pode deixar de acontecer ! "


" ... , depois de experimentar tantas sensações, a alma não se sacia mas apenas se irrita com elas e exige mais e mais sensações, cada vez mais, até à extenuação definitiva . "



Fiódor Dostoiévski in " O Jogador "

sexta-feira, 7 de março de 2008

" 21 Maravilhas de Portugal, 21 Maravilhas do Mundo "

E já que se fala na Arte de Viajar, não é nada má ideia dar uma espreitadela num livro que "descobri" há dias na Biblioteca Municipal de Oeiras !
Bastante original, o " 21 Maravilhas de Portugal, 21 Maravilhas do Mundo " é uma publicação independente do Editor Centro Atlântico.
" Um livro de bolso invulgar que ao convidar o leitor a documentar-se na Internet sobre as Maravilhas do Mundo, acaba por fazer muito mais: motiva e desafia-o a partir à descoberta, real, do melhor que a raça humana soube construir ao longo dos últimos séculos. "


Aqui vão as minhas preferidas:



Castelo de Neuschwanstein
Fussen, Alemanha


http://neuschwanstein.com/
http://castles.org/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neuschwanstein





Machu Picchu
Perú


http://machupicchu.perucultural.org.pe/
http://agutie.homestead.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu





Castelo de Óbidos
Óbidos, Portugal



http://cm-obidos.pt/
http://ippar.pt/



Palácio Nacional da Pena
Sintra, Portugal



quinta-feira, 6 de março de 2008

" A Arte de Viajar "



A Arte de viajar é uma arte de admirar, uma arte de amar. É ir em peregrinação, participando intensamente de coisas, de factos, de vidas com as quais nos correspondemos desde sempre e para sempre. É estar constantemente emocionado ...

...


Cecília Meireles in " Uma hora em San Gimignano, de Crónicas de Viagem I "

quarta-feira, 5 de março de 2008

" Sputnik, Meu Amor "


Impulsionados pelo seu enfeitiçador registo literário, somos poeticamente conduzidos por Haruki Murakami pelo percurso sinuoso do amor impossível, da incerteza da paixão humana, da demanda de algo inatingível.

Conciliando uma escrita madura e linear com personagens densas que compõem o triângulo amoroso deste romance, sentimo-nos desde logo envolvidos por um enredo marcado pelo mistério, por espíritos que demarcam-se do corpo vagueando noutras dimensões, por uma magnetizante miscelânea entre a realidade e a fantasia, a veracidade e o fantástico, o real e o imaginário.

O seu enigmático final em aberto proporciona a cada um de nós, leitores, uma rara oportunidade de " dar asas à imaginação " criando nas nossas mentes " aquele desenlace " que melhor se coadunará com a leitura que cada um fez da obra !

" Lua Adversa "


Tenho fases, como a Lua.

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua ...

Perdição da minha vida !

Perdição da vida minha !

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.


E roda a melancolia

seu interminável fuso.


Não me encontro com ninguém

( tenho fases, como a Lua ... ),

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua ...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu ...


Cecília Meireles in " O Instante Existe "

" O Velho Que Lia Romances de Amor "


Luis Sepúlveda, através das suas férteis descrições, povoa a nossa imaginação com imagens coloridas e surreais da Amazónia e seu povo autóctone. Através das suas palavras sentimo-nos parte integrante de um inebriante poema visual onde a beleza do mundo natural ocupa um lugar destacado.

Entre a figura de José Bolívar, fio condutor desta narrativa, e uma onça selvagem, surgem um paralelismo e um entendimento mútuo, apenas explicáveis como reacção a uma bárbara intromissão dos " gringos " nos seus respectivos habitats.

Assim, Bolívar refugia-se nos Romances de Amor, cujas belas histórias que o levam a imaginar e viajar pelo mundo inteiro, fazem-no também esquecer, ainda que de forma fugaz, toda a selvajaria da civilização humana.

terça-feira, 4 de março de 2008

" Amo-te. Insistiu Ele. "


- amo-te. insistiu ele.

- eu não. respondeu ela.

- e se nos voltarmos a encontrar ? perguntou ele.

- eclipses, nada mais. respondeu a lua ao sol.


Jorge Serafim in " A Sul de Ti "

" É De Noite "


É de noite. Não tenho nada. Nada para escrever. A página branca. Branca imóvel aguarda por algo. Algo ... Já morro por uma tontura caligráfica. Estou como a página. Branco. De branco um para o outro. É assim que estamos. De branco por conta própria. Nada. Não sai nada. Aborrecidos um com o outro. Não me apetece outra vez sonhar com esse mundo. O meu mundo é este. Este é o meu fundo. Só a esferográfica, fina, me segura a página. Tão fina esta preta tinta que me sai da alma. Tomo nota da tua ausência. Sinto-me descendente da brancura desta página. Pétalas. Queria preencher de pétalas as linhas sinuosas que pautam esta página. Branca. Nota-se a tua ausência.

...


Jorge Serafim in " A Sul de Ti "

domingo, 2 de março de 2008

" O Eterno Marido " Fiódor Dostoiévski



Tendo como ponto de partida o reencontro do " eterno marido ", Pável Pávlovitch, com o ex-amante da falecida mulher, assistimos ao desenrolar perturbante e inquietante de um relacionamento sadomasoquista, marcado por grandes tensões, emoções e ódios !



Esta relação dúbia, com um sem saber se o outro saberia ou não a verdade sobre o facto, mantem-nos incondicionalmente presos ao livro, incapazes de o deixar até ao virar da última página.



Sempre numa atmosfera de suspense embriagador, e através de uma escrita profunda e de personagens psicologicamente densas, protagonistas de diálogos fortes e inteligentes, vemo-nos confrontados com aquilo que realmente possa existir na essência mais profunda de cada um de nós !









" Devia, pois, haver algo de invulgar nessa mulher: um dom de sedução, escravização e domínio!

É uma daquelas mulheres que parecem ter nascido para ser infiéis. Tais mulheres nunca perdem a inocência em solteiras: a sua lei da natureza exige que se casem para tal. O marido é o seu primeiro amante, mas só depois do casamento. Ninguém sabe casar-se com mais facilidade e esperteza do que elas. Quando a seguir surge um amante, a culpa é sempre do marido. E tudo acontece com toda a sinceridade: estas mulheres sentem-se sempre com razão e, claro, absolutamente inocentes.

Veltchanínov estava convencido de que existia, de facto, este tipo de mulheres e, também, de que existia o tipo correspondente de maridos, cujo único destino seria precisamente o de corresponder a este tipo feminino.

Na sua opinião, a essência de tais maridos consiste em serem, por assim dizer, « eternos maridos » ou, melhor, serem na vida apenas maridos e mais nada.

Um homem assim nasce e desenvolve-se unicamente para se casar e para, depois do casamento, se tornar imediatamente num apêndice da sua mulher, mesmo no caso de ter um carácter individual incontestável.

A principal característica deste marido é um enfeite bem conhecido. Não pode deixar de ser cornudo, do mesmo modo que o Sol não pode deixar de brilhar, mas não só nunca sabe disso, como também, de acordo com as leis da própria natureza, é incapaz de sabê-lo. "


Fiódor Dostoiévski in " O Eterno Marido "

sábado, 1 de março de 2008

" O Amor nos Tempos de Cólera "



51 anos, nove meses e quatro dias ... durante todo este meio século Florentino Ariza amou Fermina Daza à distância.


De forma a sentir-se próximo da essência feminina da sua amada, comia pétalas de rosa e bebia frascos de perfume.


Escrevia de tal modo apaixonante que " transformava " documentos oficiais em cartas de amor.


Vivia num estado de permanente dualidade, iludindo o grande amor da sua alma com fugazes episódios de paixão carnal.


Este belíssimo romance desafiador dos limites humanos e das convenções sociais, revela-se-nos um verdadeiro " hino " ao amor incondicional, total, eterno, persistente, que não tem idade nem espaço físico.






" Na plenitude das suas relações, Florentino Ariza tinha-se perguntado qual dos dois estados seria o amor, o da cama turbulenta ou o das tardes tranquilas dos Domingos e Sara Noriega sossegou-o com o argumento simples de que tudo o que fizessem nus era amor. Disse : « Amor da Alma da cintura para cima e amor do corpo da cintura para baixo. » Sara Noriega achou que esta definição era boa para um poema sobre o amor dividido ... "




" ... pode-se estar apaixonado por várias pessoas ao mesmo tempo, e por todas com a mesma dor, sem atraiçoar nenhuma ... O Coração tem mais quartos do que uma pensão de putas. "


Gabriel García Márquez in " O Amor nos Tempos de Cólera "

" Corpo de Amor "


Tenho o nome duma flor

quando me chamas.

Quando me tocas,

nem eu sei

se sou água, rapariga,

ou algum pomar que atravessei.


Eugénio de Andrade