sábado, 30 de agosto de 2008

Desenho de Escritores

" Esta exposição reúne três centenas de obras de importantes escritores dos séculos XIX e XX, como Charles Baudelaire, Victor Hugo, Henri Michaux, Roland Barthes, William Burroughs, Allan Ginsberg, Ana Hatherly, Almada Negreiros, entre outros ... Esta mostra é co-produzida com o Institut Mémoire de l' Édition Contemporaine, França ( IMEC, Caen ), e o Musée D' Ixelles ( Bélgica ).

Nunca, até agora, se havia reunido um conjunto tão amplo e de tamanha qualidade como esta que o Museu Colecção Berardo apresenta a partir de 1 de Setembro e até 2 de Novembro, em Desenho de Escritores - exposição que vai desde o Romantismo à poesia sonora, passando pelo Surrealismo e a Beat Generation. São mais de duzentos desenhos inéditos e até hoje nunca reproduzidos, que ilustram a obra gráfica de alguns dos nomes mais importantes da literatura mundial. "

Mais informações em http://www.museuberardo.pt


Certamente, uma exposição que não vou perder ! ;)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Comecei hoje a ler ...


" Conta-nos a história de uma pitoresca vila alentejana chamada Mamarrosa, através daqueles que lá vivem, viveram ou que por lá passaram.
Para uns, Mamarrosa é um lugar de onde se quer fugir, para outros, um local de refúgio.
No café do Vasco confluem habitantes e forasteiros, com as suas histórias de vida recheadas dos mais banais - e ao mesmo tempo marcantes - aspectos humanos.
Um romance que mantém uma universalidade sustentada na profundidade narrativa das suas personagens.
Uma história extraordinariamente humana que nos mostra o estilo bem característico da escrita de Monica Ali. "

"Alentejo Blue" de Monica Ali

sábado, 23 de agosto de 2008

Elsa Morante ( 1918 - 1985 )

" Os seus quatro romances abarcam todo um século: Menzogna e Sortilegio ( 1948 ) fala da busca obsessiva de encantamento e lança luz sobre a viragem do século XIX para o século XX. A Ilha de Arturo ( 1957 ) passa-se nos anos 20 e 30 e relata o adeus doloroso a uma infância e juventude paradisíacas; La Storia ( 1974 ) - um ajuste de contas com a Segunda Guerra Mundial - descreve o dia-a-dia de mulheres, crianças e animais inocentes expostos à violência da história; por fim, Aracoeli ( 1982 ), cuja acção se desenrola no período do pós-guerra, relata os esforços de um filho para descobrir o segredo em torno da vida da mãe, uma anadaluza exuberante, plena de alegria de viver, que as boas maneiras impostas pela sociedade só conseguiram revestir de uma camada de verniz fina e quebradiça.

No cerne de todas as histórias está a crise de um ser jovem, em formação, cuja experiência da adolescência é sentida como rejeição e desencantamento, como a expulsão do paraíso, e que se apropria da vida por intermédio da morte. A própria Elsa Morante chamou a atenção para os antecedentes originais da sua escrita: «A transição da fantasia para a tomada de consciência, da juventude para a maturidade, é, para todos nós, uma experiência fundamental e trágica. No meu caso, essa experiência apresentou-se-me acompanhada da guerra; daí que o meu encontro com a maturidade tivesse sido prematuro e se fizesse com violência sanguinária.» Os seus romances assemelham-se a sonhos, como observou no diário, surgido em 1938 - com a força da imaginação, transpor a nossa vida para uma outra realidade, enriquecendo-a.

Já nesse diário, à imagem do escritor Alberto Moravia, que Elsa Morante conheceu em 1936 e com quem viveu até 1962, impõe-se, como sempre, a da mãe: é a generosidade feminina em oposição ao egoísmo masculino. A autora reagia à sua identidade ferida de mulher com um arquétipo de feminilidade. A sua obra literária é, toda ela, ambivalente - com tanto de confortante, na solidariedade que envolve crianças e animais, quanto de ameaçador, na ferocidade indomável. "

Stefan Bollmann in "Mulheres que escrevem vivem perigosamente"

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Li "Seda" e ...

" Seda " narra a história de Hervé Joncour, um comerciante de seda que vive tranquilamente em Lavilledieu, uma pequena cidade francesa. Devido a uma praga que dizima a produção dos bichos de seda, base da prosperidade económica da região, Hervé vê-se obrigado a cruzar o mundo em pleno Séc. XXI para tentar obter no Japão a matéria-prima tão desejada.

Nestas viagens que empreende, descortina-se para ele um mundo simplesmente arcaico e novo, no qual a estranheza funde-se com o fascínio e a sedução perante duas realidades aparentemente incomunicáveis.

Nasce daqui uma fábula surreal feita de amor, choque cultural e tecidos nobres.

Delicada e macia, minimalista e agradável ao toque como o material em que se inspira, a trama de "Seda" deslizou sensualmente à frente dos meus olhos como um tecido liso e frio, surpreendendo pela elegância e simplicidade.

Próxima leitura de Alessandro Baricco: " Castelos de Raiva "

" Tecidos maravilhosos, seda, a toda a volta da liteira, mil cores, laranja, branco, ocre, prata, nem uma fenda naquele ninho maravilhoso, apenas o frou-frou daquelas cores ondulando no ar, impenetráveis, mais leves do que o nada."

Alessandro Baricco in "Seda"

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Museu da Poesia On - Line

" O Museu da Poesia, inaugurou no dia 19 de Julho, o seu sítio na Internet.

Aí, pode encontrar diversas propostas, no âmbito da literatura poética, enviar e ler os poemas dos visitantes do sítio, conhecer eventos, espectáculos e recitais de poesia de autores de língua portuguesa, inscrever-se em Workshops de "Arte de Dizer" e "Escrita Poética", além de poder ouvir alguns poemas, na voz do Diseur Nuno Miguel Henriques.

O Museu da Poesia, pretende homenagear e prestigiar, todos aqueles que, de algum modo, contribuíram para a lírica e a poética na literatura escrita, oral e multimédia.

O Museu da Poesia, é hoje uma realidade, fruto do somatório de vivências e experiências, que esperam materializar-se num curto espaço de tempo.

Portugal é um País de Poetas. Todos os Portugueses são Poetas. O Museu da poesia, é de todos Nós. "



domingo, 17 de agosto de 2008


« From Beautiful images we go to Beautiful thoughts.
From Beautiful thoughts, to a Beautiful life.
And from a Beautiful life, to absolute Beauty. »

Plato

« De Belas imagens chegamos a Belos pensamentos.
De Belos pensamentos, a uma vida Bela.
E de uma vida Bela, à Beleza absoluta. »

Platão

sábado, 16 de agosto de 2008

Comecei hoje a ler ...

" O jovem médico português Sidónio Rosa, perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua amada.
Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum dia ?

Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os segredos e mistérios, as histórias não contadas de Vila Cacimba - a família dos Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência e sua Esposinha, a misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as flores do esquecimento. "

" Venenos de Deus, Remédios do Diabo " de Mia Couto


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Li " Uma cana de pesca para o meu avô " e ...

Colectânea de 6 contos de Gao Xingjian ( Prémio Nobel da Literatura do ano 2000 ) constituída por 118 páginas que literalmente "devorei " em poucas horas.

Através de imagens fantásticas que, muito delicadamente, vão-se sobrepondo como quadros de alegrias e tristezas, senti-me transportada para o mundo imaginário do lirismo e do absurdo.

Perante uma mescla de visões, paisagens, descrições de situações, deparei-me com um livro sem regras, heróis ou anti-heróis, cuja extrema beleza faz dele, na minha opinião, um objecto literário simplesmente peculiar.


Próxima leitura de Gao Xingjian : " A Montanha da Alma "

" O Sol está doce, convidando ao sono. Fecha o livro, vira-se no canapé, põe os óculos escuros, duas pequenas lentes redondas escondem-lhe os olhos. Pega num chapéu preto de abas largas e pousa-o sobre a cara, só ouve o ruído da ondulação.
As ondas invadem a praia, mas antes de terem tempo para se retirarem são engolidas com um suave som de sucção pelos grãos de areia, abandonando aqui e acolá marcas de espuma amareladas. "

Gao Xingjian in " Uma cana de pesca para o meu avô "

sábado, 9 de agosto de 2008

Kafka e Dostoiévski com o DN


Se existem escritores cujo estilo literário, contemporaneidade de temas e profundidade psicológica do discurso e das personagens exercem sobre mim um fascínio inexplicável, dois deles são indubitavelmente FRANZ KAFKA e FIÓDOR DOSTOIÉVSKI !

E precisamente as ofertas de ontem e hoje do "Diário de Notícias" foram "Carta Ao Pai" de Kafka e "A Voz Subterrânea" de Dostoiévski ... já estou "em pulgas" para lê-los ! ;)

Clássico de amanhã: "Juventude" de Joseph Conrad ... ora aqui está um escritor do qual tenho excelentes recomendações, mas que ainda não li nada ... until now ! ;)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008


" Se pois é lei do fado
que sempre a dor
caminhe negra ao lado
do verdadeiro amor,
vamos sofrendo a nossa
como os demais.
Quem há que amando possa
negar-se ao pranto e aos ais,
bem como aos devaneios,
ao vão sonhar,
aos fervidos anseios,
ao longo suspirar?
São o cortejo infausto
desta paixão,
que fez sempre holocausto
do humano coração. "

William Shakespeare in "Sonho de Uma Noite de Verão"


PS: Hoje vou reservar os bilhetes para a peça de teatro "Sonho de Uma Noite de Verão" que está a decorrer até 16 de Agosto no Palácio da Independência ... Depois partilho a minha opinião no meu outro blogue http://ojardimdossentidos.blogspot.com ! ;)

domingo, 3 de agosto de 2008

Li "Cemitério de Pianos" e ...


José Luis Peixoto oferece-nos um texto mágico baseado na história de Francisco Lázaro, corredor da Maratona dos Jogos Olímpicos de 1912 ( onde falece no decorrer da mesma ) e dos seus irmãos, Marta, Maria e Simão.

Numa Lisboa sem tempo, nascem, vivem, sonham, casam, trabalham e morrem as personagens deste livro.

No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério de pianos ( exílio voluntário onde se reflecte, faz-se amor; lugar de leituras clandestinas; espaço recatado de adúlteros; pátio de brincadeiras infantis e confessionário de mortos ) sendo este um espaço no qual encadeiam-se gerações.

Os narradores - pai e filho, em tempos diferentes, mas por vezes sobrepostos - desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de sombras e luz, silêncio e riso, medo e esperança, culpa e perdão. Contam-nos histórias de amor, abandono, violência doméstica, e faltas nem sempre redimidas que, no entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos afectos.

Posso afirmar que a ternura, a morte e a renovação constituem as notas que pautam este romance cheio de música e ritmos peculiares, de palavras que respiram, correm e desfalecem ao compasso da vivência das personagens, numa melodia que ora comove e revolta, ora nos faz sorrir e angustia.

Por outro lado, é uma obra que começa com uma narrativa simples e linear, mas que aos poucos torna-se cada vez mais complexa, sendo necessária uma maior capacidade de concentração para entender as voltas e os saltos que o autor vai dando à narrativa. Mudanças, que, a meu ver, proporcionam movimento na escrita, fazendo-me sentir e vivenciar as situações.

Com uma fluência extraordinária e um travo a poesia que sacia os que lêem também pelo prazer das palavras, este é um livro para nunca mais esquecer.

Sem artifícios desnecessários, a escrita de José Luis Peixoto é de facto, de uma consistência irrepreensível e de uma beleza aliciante.