domingo, 8 de fevereiro de 2009

Li "Quando Nietzsche Chorou" e ...

O enredo é simples, envolvente e muito inteligente: no último quartel do Séc XIX em Veneza, no café Sorrento, tem lugar um encontro entre o médico austríaco Josef Breuer ( um dos pais da Psicanálise ) e a insinuante jovem russa Lou Salomé.
Esta pede-lhe que trate de um ex-amigo dela, Friedrich Nietzsche ( um dos 'monstros' da filosofia alemã ), mas sem o conhecimento deste. Para que isto ocorra, Breuer aplica uma táctica pouco convencional: pede para que Nietzsche seja o médico de sua alma atormentada, pois tem constantes devaneios sexuais com a ex-paciente Anna O. e em troca, tratará das dores de cabeça compulsivas do filósofo, tentando descobrir se realmente planeia suicidar-se.

Com base num contexto histórico interessante e numa riqueza de detalhes dos costumes sociais da época, deparei-me com um encontro entre três grandes personalidades do Séc XIX: Josef Breuer, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud.
Três personalidades históricas, onde uma ínfima parte de suas essências é resgatada nesta obra através das suas ideias.

Recorrendo a um discurso fluido e a uma linguagem simples, Yalom construiu uma narrativa intrigante, ainda que linear !
Interagindo ocorrências ficcionais com realidades, são-nos apresentadas visões filosóficas, discussões sobre psicanálise e as dores da alma.

Ao longo dos capítulos assistimos a uma verdadeira sucessão de diálogos construtivos e enriquecedores, tão duros como inteligentes, similares a um autêntico jogo de xadrez psicológico.
E é precisamente através destes diálogos psico-filosóficos que ficamos a conhecer, ainda que de forma algo superficial, os principais conceitos nietzscheanos e os essenciais pressupostos psicanalíticos.
Genial a argúcia argumentativa de Nietzsche, médico das almas, cruel cirurgião da mente, que ao conseguir penetrar nos labirínticos meandros da psique de Breuer, encaminha-o para um exercício de auto-consciência.

Neste romance, deparamo-nos não com um duelo entre a filosofia e a psicologia, mas com uma troca, que nos é apresentada de forma directa e sem devaneios literários, de métodos e experiências entre as duas ciências, representadas por dois de seus mais importantes expoentes, aqui envolvidos numa brilhante permuta intelectual em que ambos são terapeutas e pacientes.

Li este livro porque sempre gostei bastante de filosofia, e embora seja de leitura fácil, é altamente recomendável aos amantes da literatura e do pensamento.

Faz-nos pensar nas coisas simples da vida, tais como que o Homem necessita de estar inserido numa sociedade, ou seja, precisa de amigos, da família, do trabalho. É-lhe indispensável interagir com os outros, confessar os seus pecados e/ou desejos, ajudar e ser ajudado. Só assim poderá limpar a sua consciência dos 'lixos' que tanto perturbam a paz mental do Homem.

Para concluir, apenas dizer que "Quando Nietzsche Chorou" despertou o meu interesse para a leitura de pelo menos quatro obras, que tenciono vir a ler em tempos muito próximos ! ;)
E são elas:
- "Assim falou Zaratustra" de Nietzsche
- "Filosofia do Inconsciente" de Hartmann
- "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" de Freud
- "A paixão do jovem Werther" de Goethe

2 comentários:

Maria Manuela disse...

Olá!
As Marias atribuíram um prémio a este blog.
Visita-nos em http://www.leiturasdasmarias.blogspot.com
Até breve!

Butterfly disse...

Obrigada pelo carinho ! ;)

Bjinhos