segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

« O que contava para si e para a maioria dos analistas era a profundidade da mudança. A profundidade era tudo. Psicanalistas em toda a parte sabiam que, quanto mais profunda a exploração, mais eficaz a terapia. "Vai ao fundo", conseguia ouvir a voz de Bob McCallum, o seu orientador psicanalítico, "vai ao fundo dos recantos mais ancestrais da consciência, toca os sentimentos primitivos, as fantasias arcaicas, regressa às camadas primordiais da memória, apenas então serás capaz de desenraizar inteiramente a neurose e conseguir uma cura analítica efectiva.
Mas a terapia profunda perdia a batalha. As hordas bárbaras do espírito prático estavam por toda a parte. ( ... ) O inimigo estava suficientemente próximo para Marshal conseguir ver as suas inúmeras faces: análise biológica e descontracção muscular para problemas de ansiedade, implosão ou redução da sensibilidade para fobias, drogas para a distimia e distúrbios obsessivos-compulsivos, terapia cognitiva de grupo para distúrbios alimentares, treino assertivo para os tímidos, grupos de respiração diafragmática para pacientes sujeitos a ataques de pânico, treino em competências sociais para os reclusos, intervenções hipnóticas singulares para os fumadores e os malditos programas em doze passos para tudo o resto ! »

Irvin D. Yalom in "Mentiras no Divã"

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