terça-feira, 16 de junho de 2009

Li "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino e ...

Senti-me a deambular por entre páginas de um verdadeiro Atlas de Sonho com "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino, o qual através de um discurso imbuído de metáforas e palavras labirínticas, inventa 55 cidades que vão sendo descritas pelo viajante Marco Polo ao imperador da antiga Tartária, Kublai Khan, em meados do Séc XII.
Ao investir no potencial inventivo e criativo das palavras, explora mundos através de espelhos e trabalha com universos imagináveis que apontam, por sua vez através da meditação, universos reais.

"As Cidades Invisíveis" pertencem ao domínio surrealista, sendo que o seu humanismo e carga poética marcam qualquer leitor que, como eu, têm propensão para universos fantásticos.

Calvino ao traçar o retrato de uma série de cidades exemplares, e como tal absurdas, metafóricas e amáveis, cada uma com determinada característica que a marca e distingue e todas com nomes femininos, leva-nos a indagar se não estará a descrever mulheres e não cidades.
Estas são em si mesmas fascinantes e oníricas, detentoras de uma riqueza tal que várias vezes assaltou-me a vontade de conhecê-las melhor, de ler romances inteiros passados nelas, de andar pelas suas ruas ou viver nas suas casas.
Gostei particularmente de Leónia: « A cidade de Leónia refaz-se a si própria cada dia que passa: todas as manhãs a população acorda no meio de lençóis frescos, lava-se com sabonetes acabados de tirar da embalagem, veste roupas novinhas em folha, extrai do mais aperfeiçoado frigorífico frascos e latas ainda intactos, ouvindo as últimas canções no último modelo de aparelho de rádio. Nos passeios, embrulhados em rígidos sacos de plástico, os restos da Leónia de ontem esperam o carro do lixo. »

São histórias que deflagram um pensar incessante, constituíndo exemplos do fluir da vida onde tudo muda ininterruptamente.
Por isso, o ideal é percorrer as cidades não fisicamente, mas com o pensamento, pois para compreendê-las é necessário manter o espírito em movimento, o olhar sempre novo e investigador.

Gostei bastante deste livro que, na sua simplicidade, é um bom exemplo do poder da palavra sobre a mente e de como a literatura pode fazer-nos viajar por mundos nunca antes vistos.

( 17º livro lido em 2009 ... 4091 páginas lidas )

2 comentários:

Cristina Bernardes disse...

Também li e achei muito interessante... a imaginação, a escrita fluída... Recomendo.

Paula disse...

Ilatlo Calvino faz-nos viajar com esse livro e com as suas cidades.
Também gostei muito desta leitura!!