quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Li "Madame Bovary" de Gustave Flaubert e ...

Considerado o auge da narrativa longa do Séc. XIX, Madame Bovary é um dos mais belos e elaborados romances escritos durante a História da Humanidade.

Escrita por Gustave Flaubert, a narração parte de uma experiência do escritor, médico de profissão, que estando em Ruão, perto de Paris, toma conhecimento do suicídio de uma jovem senhora, que depois de ter levado o marido à ruína suicida-se. O autor, reconhecido como um mestre do Realismo, esteve durante 8 anos pesquisando a vida daquela personalidade e como requer o romance realista, em posse de dados muito próximos da realidade, escreve então o livro.

Madame Bovary provocou um processo judicial por "obra execrável sob o ponto de vista moral", por tratar-se de traição feminina no casamento. O processo culminou com a absolvição do escritor em Fevereiro de 1857.

Ao longo das páginas são brilhantemente descritas a mente, sentimentos e aflições de Emma Bovary, personagem que percorre um caminho de euforia, ilusão e tragédia. Mulher sonhadora, pequeno burguesa criada no campo onde aprendeu a viver de acordo com seus sonhos e emoções. Bem educada e bela, casa-se com o bondoso mas entediante médico Charles Bovary e mesmo após a maternidade, não consegue ver sentido na sua vida. Sufocada por um ambiente social altamente mesquinho, é traída pelas suas esperanças e expectativas e não consegue resignar-se às convenções sociais.
Assim, e na tentativa de conseguir paixão para a sua pequena existência, comete sucessivos erros afundando-se cada vez mais em mentiras e angústias.

Deparei-me com o painel de uma sociedade doente e sem rumo, onde a crise moral estabelecida gera a insatisfação do indivíduo que busca um sentido para a futilidade da vida.
Faz-me pensar sobre até que ponto as regras pelas quais nos pautamos socialmente podem constranger-nos ...

( 33º livro lido em 2009 ... 7973 páginas lidas )

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