quinta-feira, 20 de agosto de 2009

" - O dever ! Caramba ! O dever é sentir aquilo que é grande, amar o que é belo e não aceitar todas as convenções da sociedade, com as ignomínias que ela nos impõe.

- No entanto ... , no entanto ... - objectava a Srª Bovary.

- Oh, não ! Porque se há-de declamar contra as paixões ? Não são elas a única coisa bela que existe na terra, a fonte do heroísmo, do entusiasmo, da poesia, da música, das artes, enfim, de tudo ?

- Mas é necessário - disse Emma - seguir um pouco a opinião da sociedade e obedecer à sua moral.

- Ah !, mas é que existem duas - replicou ele. - A mesquinha, a convencional, a dos homens, a que varia constantemente e berra tão alto que se agita no chão, terra a terra, como esta assembleia de imbecis que está a ver. Mas a outra, a eterna, essa circunda tudo e está acima de tudo, como a paisagem que nos rodeia e o céu que nos ilumina. "

Gustave Flaubert in "Madame Bovary"

2 comentários:

A DONA DO MUNDO disse...

FLAUBERT... QUE LEITURA DELICIOSA!!!

K disse...

Prefiro a segunda... mesmo sabendo que possa não ser eterna ;)

Bj e obrigado pelos momentos que nos proporcionas :)