sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Li "Meu Amor, Era de Noite" de Vasco Graça Moura e ...

Adorei ler este livro que, pelo seu tamanho e nível de escrita excelente, se lê muito rapidamente.
É um romance a várias vozes, sobre pessoas e o Portugal moderno, construído com subtil ironia.
Uma história fascinante e que contada sobretudo a dois tempos, retrata como acontece o amor entre duas pessoas, Constança e Mateus, que procuram, para além do amor, a cumplicidade, a amizade, o companheirismo e a partilha sem restrições.
A narrativa tem o contraponto da irmã de Constança, Eugénia, a autora, que ajuda a esclarecer alguns pontos do enredo.
Esta mulher independente, divergindo praticamente em tudo da irmã, quer seja na própria postura perante a vida, quer nos princípios que as movem, possui uma enorme aversão aos ses e aos talvez, recusando-se a utilizar nos seus livros uma paleta de cores especiais para pintar de arco-íris a vida.
De facto, deparamo-nos ao longo das páginas com uma Constança no Alentejo decidida a seguir com a sua vida em frente, porque Mateus afasta-a constantemente e com um Mateus que algures numa estrada, vai falando a Constança para o ar vazio enquanto aguarda o seu telefonema que nunca chegará.
Assistimos assim a dois seres que se amam a atirarem-se permanentemente para a escuridão da dor, sob lamentos e mais lamentos e revivendo o passado como se isso fosse justificação.
Por favor, e contra mim não posso falar, mas há que tomar decisões e 'arcar' com as consequências, uma vez que a vida não aguarda parada.

( 39º livro lido em 2009 ... 9386 páginas lidas )

1 comentário:

Dreamfinder disse...

Nunca li nada de Vasco Graça Moura e depois deste teu comentário, fiquei muito tentada a fazê-lo. Obrigada.