quinta-feira, 26 de novembro de 2009

" Vincent era efectivamente romântico. Procurava um compromisso apaixonado com aquilo que pintava, fosse uma pessoa, um local ou uma coisa. Esparramava e esmagava tubos de pigmento na tela como se quisesse sentir o tacto e o cheiro do material. Gauguin, pelo contrário, preferia um «estado primitivo.» Queria a simplicidade e poesia de uma era anterior; amava Botticelli, a Grécia Antiga, a Pérsia, a Idade Média, as artes exóticas dos países quentes, e admirava os metódicos pintores clássicos - Degas, que idolatrava Ingres, que por sua vez venerava Rafael. Esta maneira fria e linear, que exprimia sensações quentes e exóticas, interessava pouco a Vincent. Tal como a disciplina, formal mas um pouco diferente, de Cézanne. Gauguin exagerava ou deturpava algumas das aversões do seu companheiro de casa: Vincent venerava Degas, mas chegava a ser severo em relação a Cézanne. "

Martin Gayford in "A Casa Amarela"

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