sábado, 7 de novembro de 2009

" Wagner via-se como um João Baptista da música; e profetizava que outros viriam depois dele e criariam as obras de arte do futuro. Vincent previa que, no futuro, um pintor faria com a cor aquilo que Wagner tinha feito com o som: misturá-la em novas e belas combinações que apaziguariam o espírito e falariam à alma: «Chegará o dia.»
A comparação entre música e pintura era mais do que uma simples analogia; muitos artistas e escritores acreditavam que ela era uma verdade profunda. Iam mesmo mais longe e acreditavam que todos os sentidos vibravam em harmonia. O poeta Baudelaire tinha escrito que «perfumes, cores e sons respondem entre si.» Huysmans, um autor que Vincent venerava, tornava mesmo extensivas aos sabores as suas sensações musicais. No seu romance À Rebours ( A Contrapelo ) tinha escrito sobre uma colecção de licores que ela era também um «órgão de boca». Cada licor «correspondia ao som de um determinado instrumento.» O curação seco, por exemplo, era como «o clarinete com o seu registo aveludado e penetrante.» "

Martin Gayford in "A Casa Amarela"

1 comentário:

zebra3 disse...

tenho uns premiozinhos no meu blog. boas leituras!!