sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Li "A elegância do Ouriço" e ...

Em "A elegância do Ouriço", Muriel Barbery consegue formidavelmente reunir representantes das diversas classes sociais de França, os quais convivem na pacata rotina de um prédio rico e tradicional.
É neste exemplar da sociedade francesa, recheado de moradores ricos, snobes, egoístas e preconceituosos, que destacam-se duas pessoas: a porteira Reneé Michel e a pequena Paloma Josse.
A primeira, longe de corresponder aos estereotipos sociais a que se associa a sua função ( nutre em segredo um amor extremado às letras e às artes ) tenta manter a todo o custo uma imagem credível. Já a pequena Paloma é a típica criança incompreendida, filha de uma figura proeminente da política e de uma mãe dondoca, que procura descobrir algum sentido na vida, caso contrário cometerá suicídio no seu aniversário de treze anos.
Ambas, cada qual no seu universo particular, são observadoras refinadas da natureza humana nas suas mais diversas facetas.
E é quando um novo habitante, Kakuro Ozo, chega ao prédio, que estes dois mundos paralelos, inicialmente separados, encontram-se. Em pouco tempo, este personagem descobre segredos e cria amizades/cumplicidades estranhas, através de uma grande qualidade sua - ver para além da superfície.

A dinâmica da história é extremamente interessante, porque, ao ser contada na primeira pessoa e a duas vozes, o ritmo torna-se rápido e sugere que penetramos nas mentes de Reneé e Paloma.

Gostei imenso da leitura deste romance, o qual através de uma elegância muito própria alterna quotidiano e evasão, banal risível e sonho filosófico.

( 46º livro lido em 2009 ... 11361 páginas lidas )

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