sábado, 26 de dezembro de 2009

" O poder que a dor da perda tem de perturbar a mente foi de facto observada até à exaustão. O acto de chorar a perda de alguém, disse-nos Freud no seu Luto e Melancolia de 1917, «envolve desvios graves da atitude normal perante a vida». No entanto, observa ele, a dor da perda continua a ser considerada à parte dos outros distúrbios: «Nunca nos ocorre considerá-la uma situação patológica e enviá-la para tratamento médico.» Em vez disso, confiamos que «será ultrapassada após um certo lapso de tempo». Consideramos «qualquer interferência inútil e até prejudicial». Melanie Klein, no seu Mourning and Its Relation to Maniac-Depressive States, de 1940, faz uma afirmação semelhante: «Quem chora uma perda está, de facto, doente, mas, porque este estado mental é vulgar e nos parece muito natural, não classificamos de doença o acto de chorar essa perda ...
Para expressar a minha conclusão de forma mais exacta diria que, no acto de chorar a perda, o sujeito passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório e supera-o. "

Joan Didion in "O Ano do Pensamento Mágico" ( 49º livro lido em 2009 ... 12191 páginas lidas )

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