sábado, 31 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

« É um prazer de ler, tanto pela fascinante discussão filosófica como pela evocação das mentes excêntricas de Nietzsche e Breuer. »

" Friederich Nietzsche, o maior filósofo da Europa, está no limite de um desespero suicida, incapaz de encontrar cura para as insuportáveis enxaquecas que o afligem.
Josef Breuer, médico distinto e um dos pais da Psicanálise, aceita tratar o filósofo com uma terapia nova e revolucionária: conversar com Nietzsche e, assim, tornar-se um detective na sua cabeça.
Pelas ruas, cemitérios e casas de chá da Viena do Séc. XX, estes dois gigantes do seu tempo vão conhecer-se um ao outro e, fundamentalmente, conhecer-se a si próprios.
E no final não é apenas Nietzsche que exorciza os seus fantasmas. Também Breuer encontro conforto naquelas sessões e descobre a razão dos seus próprios pesadelos, insónias e obsessões sexuais.
Quando Nietzsche chorou funde realidade e ficção, ambiente e suspense, para desvendar uma história superior sobre amor, redenção e o poder da amizade. "

"Quando Nietzsche chorou" de Irvin D. Yalom

Também vou começar hoje a ler ...

« Festas de Casamento é um excelente fresco de Naguib Mahfouz sobre a complexidade das relações humanas, mas também retrata uma sociedade egípcia pouco conhecida entre nós. E quem melhor para nos introduzir no quotidiano cairota que o mais célebre dos escritores egípcios, Nobel de Literatura em 1988. »

" Num ambiente viciado pelo ódio e pelo desespero, o jovem Abbas inicia uma brilhante carreira como dramaturgo, reproduzindo na sua primeira obra os segredos mais íntimos e sórdidos da sua família, facto que desencadeia reacções muito diversas.
O autor conta-nos a mesma história quatro vezes, de quatro pontos de vista diferentes, como se nos achássemos numa sala de espelhos. A realidade e a ficção entrecruzam-se para mostrar uma única escapatória perante o absurdo da existência e da morte: a vontade de transcender qualquer sucesso da própria vida numa tentativa de corrigir os estragos do tempo, que acabam por converter o amor em ódio, a beleza em fealdade, a lealdade em traição e o idealismo em corrupção.
Mediante algumas personagens colocadas diante da fatalidade, Mahfouz compõe uma belíssima ode à esperança, a única capaz de desvelar as miragens da natureza humana. "

"Festas de Casamento" de Naguib Mahfouz

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Li "Os Novos Mistérios de Sintra" e ...

O título do livro foi motivo mais do que suficiente para decidir-me a levá-lo para casa.
Mistérios ... Sintra ... Quinta da Regaleira ... Maçonaria ... Templários ... algo me dizia que esperavam-me momentos de leitura misticamente agradáveis.
Aliado à minha paixão por Sintra e por tudo aquilo que transpire esoterismo, juntou-se uma natural curiosidade pelo tipo de enredo colectivo que havia sido criado.

O desafio era simples e afigurava-se bastante interessante: sete escritores reuniam-se com o intuito de conceber uma história de mistério envolvendo Sintra e um tesouro antiquíssimo. Ou seja, um autor começava e o outro que se seguia tinha que dar continuidade ao capítulo.

Todavia, o resultado revelou-se uma verdadeira desilusão, pelo menos para mim.
Foi notória a inexistência de um padrão de coerência indispensável a este género de projecto.
A cada capítulo surgiam temas novos, por vezes sem qualquer tipo de relação com os anteriores. Eram acrescentados pormenores ou elementos completamente diferentes, talvez de acordo com simpatias ou tendências de cada um.
Confesso que não foram poucas as alturas em que tive de retroceder páginas e reler excertos, de forma a conseguir entender minimamente a lógica daquela continuidade !

É uma pena, pois perante a inegualável qualidade dos escritores envolvidos e a criatividade inerente a este género de exercício, o resultado poderia ter sido bastante mais interessante !
" ... em Sintra perde-se a atenção a tudo o mais. A Serra agarrava-nos no olhar e deixava-nos num extâse sempre novo. ( ... )
À minha frente, a Serra não me deixava ver mais nada. A minha Serra da Lua. Serra de todos os variantes do verde. Cascatas de verde tecendo um tapete de sombras e magia. Nunca me entregara a nenhuma paisagem como a Sintra.
Não era original o meu pecado. Aquela era a Serra que tinha encantado Lord Byron, H.C. Andersen ou Fernando Pessoa, e que não deixava de me entontecer e reacender a centelha do poeta que eu trazia eternamente adiado dentro de mim. "

Excerto retirado de "Os Novos Mistérios de Sintra"

" A profissão policial é maioritariamente prosaica e sistemática, o oposto das zonas brumosas do inexplicável. Lida pouco com o mistério e muito com a mentira. Quando algo de estranho ocorre, as mentes treinadas na forja aristotélica insistem na perspectiva do concreto, o mistério é o ainda não conhecido, ou seja negam liminarmente o mistério.
Mas neste caso do tal Gonçalo Vieira, o mistério está presente. Tudo nele cheira a mistério. Reitero o que disse, cheira a mistério ! O odor é um dos sentidos menos treinados pelo homem e dos mais utilizados pelos animais. E digo-vos que o olfacto é fundamental para captar o que a realidade concede sugerir-nos !

Excerto retirado de "Os Novos Mistérios de Sintra"

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Li "Nenhum Olhar" e ...

Este romance, que recebeu o prémio literário José Saramago em 2001, descreve um universo no qual a paisagem rural alentejana literalmente desenha o destino dos personagens. É uma paisagem romanesca, elementar, mínima, constituída pela planície horizontal, o céu, o sol e as estrelas.

Tendo como pano de fundo uma severa pobreza, o autor vai construindo histórias de homens e mulheres, endurecidos pela fome e pelo trabalho, de amor, ciúme e violência.

O livro está dividido em duas grandes partes, e, mais do que por páginas, por 30 anos que acompanham a trajectória de um pequeno grupo de pessoas, sendo que algumas delas, como a cozinheira ou o velho Gabriel, estabelecem a ligação entre essas partes.
Ao longo das páginas encontramos um mundo à parte, um mundo íntimo da essência rural do povo português, ainda preso às suas crenças.
Deparamo-nos também com um universo imaginário, no qual habitam elementos fantásticos de que são exemplos o diabo, o gigante ou a cozinheira escultora de comida.

Apesar de episódios terrivelmente marcantes, profundamente dolorosos, dor essa que cobre o livro de ponta a ponta, gostei bastante da sua leitura pelas mais variadas razões: uma história e um mundo brilhantemente construídos; constantes mudanças do ponto de vista narrativo; ritmo de leitura que, apesar de não ter uma adaptação fácil, prende-nos do princípio ao fim; qualidade da escrita e, finalmente, pela profundidade subtil que José Luís Peixoto soube dar às suas personagens.

"Nenhum olhar" de José Luís Peixoto ( 3º livro lido em 2009 ... 888 páginas lidas )
" ... O mundo acabou. E não ficou nada. Nem as certezas. Nem as sombras. Nem as cinzas. Nem os gestos. Nem as palavras. Nem o amor. Nem o lume. Nem o céu. Nem os caminhos. Nem o passado. Nem as ideias. Nem o fumo. O mundo acabou. E não ficou nada. Nenhum sorriso. Nenhum pensamento. Nenhuma esperança. Nenhum consolo. Nenhum olhar. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"
" OS HOMENS SÃO UMA PARTE PEQUENA DO MUNDO, e eu não compreendo os homens. Sei o que fazem e as razões imediatas do que fazem, mas saber isso é saber o que está à vista, é não saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso não haja qualquer explicação; talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"

" Penso: talvez haja uma luz dentro dos homens, talvez uma claridade, talvez os homens não sejam feitos de escuridão, talvez as certezas sejam uma aragem dentro dos homens e talvez os homens sejam as certezas que possuem. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"

domingo, 25 de janeiro de 2009

Morre lentamente ...

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."

Pablo Neruda

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

Através dos livros e das palavras, um homem reconcilia-se com a vida e com o amor.

" Em Silêncio, Amor é uma história de amor e perda de um homem que viveu toda a sua vida rodeado de livros, música, pintura ou cinema. Thomas Wartet, autor de livros infantis, decide abandonar a escrita e a vida cosmopolita após a morte de Elisa, sua mulher. Mas ao descobrir-se acompanhado pelo que crê ser o fantasma de Elisa, atinge um estado de serenidade que lhe permite interessar-se de novo pelo mundo que o rodeia.

Este entusiasmo leva-o a oferecer o livro Alice no País das Maravilhas à menina que vai todos os dias ler para a livraria que fica em frente de sua casa. Recupera mesmo o hábito de escritor e inicia uma viagem que o faz perder-se entre a imaginação e a memória do filho há muito desaparecido.

À medida que vai escrevendo, vai aumentando a dor pela ausência do filho com quem não fala há anos. O dia de Natal traz surpresas. Mas conseguirá Thomas Wartet recuperar o que perdeu noutros tempos e voltar a encontrar-se com a felicidade ? "

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Li "As herdeiras de Adriano Gentil" e ...

Adriano Gentil era um empresário bem sucedido, que tendo subido a pulso nos negócios, viveu com cinco mulheres diferentes.
Madalena, Alda, Maria Manuel, Laura e Ivone, cada uma com essências, personalidades e formas de estar na vida intrínsecas, complementaram-no nas diversas fases da sua existência, como se fossem peças de uma engrenagem evolutiva.
A todas Adriano amou e respeitou de igual forma, tendo-as beneficiado no testamento também de modo similar, com a condição de não voltarem a casar.
Romance que, ao percorrer as sinuosidades da mente feminina, e, numa constante reviravolta de emoções, ambições e manipulações, proporcionou-me momentos de leitura agradáveis e divertidos.
" Enquanto a Madalena era uma imagem, a Alda um símbolo da ordem, a Maria Manuel uma cavaleira insaciável e a Laura um anjo, a Ivone era um objecto sexual, uma maçã proibida. "
( ... )
" Segundo a moral estabelecida, eu tive demasiadas mulheres. Mas, olhando para trás, não consigo prescindir de nenhuma. Como já expliquei neste relato quase póstumo, era como se as cinco formassem uma mão, em que cada dedo só faz sentido em conjugação com os outros e não é possível prescindir de nenhum. "

José António Saraiva in "As herdeiras de Adriano Gentil"
" Adriano era um homem metódico em tudo e essa disciplina prolongava-se na intimidade. Começava sempre pelo princípio: por descalçar as mulheres que desejava. Depois despia-as com vagar, peça a peça, nunca parando de falar, até ficarem completamente nuas. Soltava-lhes então os cabelos, beijava-lhes os lábios, o queixo e o pescoço, mordiscava-lhes todas as saliências - os lóbulos das orelhas, o nariz e os mamilos -, afagava-lhes a pele como se alisasse veludo, pela frente e por trás, massajava-lhes as costas, as nádegas, os músculos das pernas e as plantas dos pés, lambia-lhes o tronco desde a base dos seios até ao início das coxas, sorvia-lhes finalmente o ventre com o mesmo requinte com que saborearia ostras ( com a única diferença de que apreciava menos os frutos do mar ).
O que se passava a seguir manda a moral que não se conte. "

José António Saraiva in "As herdeiras de Adriano Gentil"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

" Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Com A Vida num Sopro, José Rodrigues dos Santos confirma a sua mestria e o lugar que já ocupa nas letras protuguesas. "

"A Vida num Sopro" de José Rodrigues dos Santos

Também vou começar hoje a ler ...

Sete escritores juntaram-se para criar uma narrativa surpreendente e inesperada em torno da beleza de Sintra e da sua aura de segredos e magia.

"Gonçalo, um professor de História, vê-se fechado no Palácio da Vila numa estranha sala pentagonal sem saída. Desmaia e quando acorda tem na mão uma chave que pode dar acesso a um tesouro antiquíssimo, desencadeando uma inquietante e movimentada aventura.

Sob a presença da Serra da Lua, tão imponente como propícia ao mistério, o leitor vai deparar-se com misteriosos encontros no poço esotérico da Quinta da Regaleira, viagens pela nossa História onde se encontram Templários e maçons, um satanista duvidoso, venenos instantâneos, amores oblíquos, uma intriga internacional, um assassinato inexplicável e tudo o mais que adiante se verá.

Este romance é acima de tudo um grande divertimento de sete escritores que se reuniram pelo puro prazer de inventar uma história e de escrever cada um a sua fatia com mestria e sem preconceitos. "

"Os Novos Mistérios de Sintra" de Alice Vieira, João Aguiar, José Fanha, José Jorge Letria, Luísa Beltrão, Mário Zambujal e Rosa Lobato de Faria

Poesia da Chuva !

" Gota após gota, ouço bater mansinho,
Na vidraça de meu quarto, embaciada;
Como lágrimas a cair devagarinho
Dos olhos da manhã acinzentada !

Parecem murmúrios do céu a mendigar
Um pouco de ternura e compaixão;
Batendo nas vidraças para entrar
E compartilhar da minha solidão !

Por vezes cessa, triste e por um momento,
As suas lágrimas têm a cor do sofrimento,
Que elas traduzem de forma tão sentida !

Manhã chuvosa, tão cheia de melancolia !
Tu és a imagem dolorosamente fria,
Do choro convulso e amargo desta vida ! "

Daniel Jorge da Silva in "A Voz do Mar"

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

" Adriano Gentil, empresário bem sucedido, deixa todos os bens às cinco mulheres da sua vida. Quando o testamento é aberto, ficam a saber que têm de gerir em conjunto uma fortuna inesperada, mas reféns de uma condição: não voltar a casar.
A compra de uma quinta em Sintra permite um aparente salutar convívio entre as herdeiras de Adriano Gentil. Até que aos poucos vão descobrindo que por detrás da partilha de memórias nem sempre desejadas se esconde uma obsessão: como apoderar-se da fortuna, sem ter de a repartir ?
As herdeiras de Adriano Gentil é um romance moderno que, percorrendo os meandros da psicologia feminina de uma forma inteligente e com um desfecho surpreendente, nos faz pensar sobre os limites da ambição humana. "

"As herdeiras de Adriano Gentil" de José António Saraiva
" Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume, e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu. "

José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar"

Ironia de um Espelho

" Espelho que mostras a ruína que eu sou
E te caprichas em ser meu inimigo;
Porque me apontas o tempo que passou
Com o aspecto gelado de um jazigo ?! ...

Porque sorris, irónico, misterioso
Quando minhas rugas vou espreitar ? ...
Não assistes tu ao cavalgar silencioso
Dos anos sobre mim a desfilar ?! ...

Durante algum tempo tu me adulaste,
Com teus sorrisos frescos e confiante olhar
Com o desejo mentiroso de me agradar ...

Agora que de olhar-me já cansaste,
Tentas esconder-me com tristeza mal contida
Os estragos desta luta, que se chama «vida» ! "

Daniel Jorge da Silva in "A Voz do Mar"

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Li "Sapatos de Rebuçado" e ...

Pressentimentos ... Percepções ... Sabores ...
Abrir este livro, saborear as páginas e sentir o vento da mudança !

Depois de ter lido Chocolate ( também da mesma autora ), ler esta continuação foi simplesmente delicioso. Magia, cheiro e paladar unem-se uma vez mais para nos reconduzir ao mundo encantado de Joanne Harris.
Em Chocolate, Vianne Rocher era uma jovem mãe solteira que passou toda a vida a fugir, sem saber do quê ou porquê, tendo vivido com a mãe nas mais variadas partes do mundo.
Num dia de Carnaval, chega a uma pacata aldeia francesa e decide permanecer definitivamente.
Enfrentando os preconceitos e tradições daquela pequena comunidade, e em particular do nobre residente Reynaud, abre uma invulgar loja de chocolates repleta de tentadoras confecções.
A pouco e pouco, vai descobrindo os segredos dos seus clientes e ao satisfazer os desejos mais íntimos destes com os seus divinos preparos, muda a vida dos aldeões ao sabor dos gostos e preferências de cada um !
Quatro anos depois, e já em Sapatos de Rebuçado, reencontramos Vianne que havia abandonado, com a sua filha Anouk, Lansquenet-sur-Tannes.
Com novas identidades, a agora Yanne Charbonneau vive uma existência calma em Montmartre (Paris), junto das suas duas filhas Annie (Anouk) e Rosette.
Gere uma pequena loja de chocolates e conhece Thierry, um homem mais velho, que apaixona-se por ela e propõe-lhe casamento.
Tudo parece correr em perfeita harmonia até Zozie de l'Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entrar nas suas vidas. Esta é uma feiticeira retorcida que vive coleccionando personalidades. Bela e sedutora, utiliza os seus poderes mágicos para conquistar a confiança de Yanne e assim poder apropriar-se da sua vida e do seu mundo.

Neste livro, acabamos por ver desvendados alguns dos mistérios e pontas soltas deixados em Chocolate. Exemplo disso são os motivos pelos quais Vianne e a sua mãe mudavam constantemente de residência e de identidade.

Gostei das várias perspectivas que o Romance transmite. O facto de cada capítulo corresponder a uma determinada visão dos personagens, aguçou ainda mais a minha curiosidade e vontade de virar rapidamente a página para saber o que iria acontecer a seguir.

Penso mesmo que Sapatos de Rebuçado ao invocar toda a magia que envolve a confecção do chocolate, o fabrico dos doces, o pormenor dos enfeites, ultrapassa Chocolate, conduzindo-o para uma perspectiva mística mais forte !
" Como compreendem, não sou uma ladra. Sou antes de mais e sobretudo uma coleccionadora. Desde os meus oito anos que o sou, coleccionava amuletos para a minha pulseira, mas agora colecciono personalidades: os seus nomes, os seus segredos, as suas histórias, as suas vidas. Claro que algumas para proveito próprio. Mas, sobretudo, é a caça que me seduz: a emoção da perseguição, a sedução, a luta. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"
" O vento faz coisas curiosas às pessoas, fá-las rodopiar, fá-las dançar. Naquele momento, voltou a fazer de Thierry um rapaz de cabelos desgrenhados, olhos brilhantes e confiante. Às vezes, o vento pode ser sedutor, trazendo consigo ideias extravagantes e sonhos ainda mais extravagantes. Contudo, durante todo o tempo nunca deixei de ouvir o aviso - e mesmo nesse momento acho que soube que, apesar de todo o seu ardor e do seu amor, Thierry le Tresset não podia competir com o vento. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"
" Não é só o sabor, tentará ela explicar. Uma deliciosa trufa negra com sabor a rum; o travo picante da mistura; a irresistível macieza do recheio e o travo amargo da cobertura de cacau em pó ... Nada disto explica o estranho fascínio das trufas de chocolate de Yanne Charbonneau.
Talvez seja o modo como nos fazem sentir: mais fortes, quiçá, mais poderosos, mais despertos para os sons e aromas do mundo, mais conscientes das cores e texturas das coisas, mais conscientes de nós próprios, do que está sob a pele, da boca, da garganta, da língua sensitiva. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"
" Olho a chocolaterie. Tem um ar acolhedor, quase íntimo. Velas acesas nas mesas e a montra do Advento iluminada por uma luz rosada. O cheiro a laranja e a cravinho que se evola do perfumador suspenso por cima da porta, a pinheiro da árvore de Natal, a vinho quente açucarado que servimos com o nosso chocolate quente com especiarias e a bolachas de gengibre acabadas de sair do forno. Atrai-os ... aos três e quatro de uma vez ... clientes habituais e não habituais, e turistas também. Detêm-se ao pé da montra, aspiram o aroma e entram, porventura meio atordoados com a profusão de aromas, de cores e das suas guloseimas preferidas nos expositores de vidro - biscoitos de laranja amarga, mendiants du roi, quadrados picantes, trufas com licor de pêssego, papos-de-anjo de chocolate branco, doces aromatizados com alfazema - todas a segredarem num sussurro inaudível ...
Experimenta-me. Saboreia-me. Prova-me. "

Joanne Harris in "Sapatos de Rebuçado"

sábado, 10 de janeiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

" Em Como a Água Que Corre, Marguerite Yourcenar reuniu três novelas escritas na juventude e reformuladas numa época de maturidade literária. Na primeira obra, Anna, Soror ... , surge o tema do incesto, do amor entre irmão e irmã; em Um Homem Obscuro, é traçado o percurso de Natanael, personagem de alma límpida; por fim, em Uma Bela Manhã, o pequeno Lázaro vive não só a sua vida, mas a vida toda, numa companhia de actores ingleses. Em suma, um tríptico onde emerge o requintado talento de uma escritora que foi também, em 1980, a primeira mulher a ingressar na Academia Francesa. "

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O meu candeeiro ...


Aqui está o candeeiro ideal para aquele tipo de leitores que, tal como eu, levam os livros para a cama, só conseguindo adormecer após a leitura de algumas ( por vezes, muitas ) páginas ! ;)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Li "Confundir a Cidade com o Mar" e ...

16 contos que fizeram-me viajar no tempo e no espaço ... da Europa aos Estados Unidos, da Argentina ao Brasil, dos anos 50 à actualidade !

16 contos escritos com uma crueza quase chocante ... com uma linguagem rude, ainda que culta !

16 contos que, ao abordarem questões tão pungentes e controversas como o racismo, a homossexualidade, a emigração ou a dificuldade de relacionamento entre as pessoas, exploram a fronteira entre o ser e o parecer, despertando emoções e pensamentos nos leitores !

16 contos que, por características literárias intrínsecas, soltaram a minha imaginação no mundo dos sentimentos, no infinito das interpretações egotistas e intimistas !

16 contos que gostei bastante de ler, tendo sido, no meu ponto de vista, "Ernst" aquele que melhor resultou em termos de criação de uma personagem singular e inesquecível. Ou não fosse Ernst um simpatico robot pintor, artisticamente programado para ser um fiel descendente espiritual directo de todos os mestres, desde Cimabue a Picasso e a Rumi !
" ... não é o facto de publicar que faz de alguém um escritor a sério. Quando lemos as histórias que publicaste, o teu pai e eu ficámos a saber que eras um bom escritor. E aquele teu primeiro romance provou-nos que eras mesmo muito bom. Mas há uma diferença entre um escritor muito bom e um escritor a sério. - Passou a mão pela longa curva do pescoço; estava a juntar as ideias. - Essa tua depressão, essa incapacidade de escrever, é essa a diferença. Só conseguimos perceber se uma pessoa leva qualquer coisa a sério quando há um grande problema. Se passa a outra coisa, é porque não era a sério. A depressão surge quando as pessoas não conseguem tocar para a frente, quando se dedicaram a qualquer coisa que está a afastar-se delas. Pode ser uma mulher ou um homem. Pode ser a dança, ou a música ... ou um filho. Praticamente, toda e qualquer coisa que se ame. Talvez eu seja louca, mas é precisamente a forma como tu andas em baixo ultimamente que me convenceu de que estás mesmo dedicado à escrita, de alma e coração."

Richard Zimler in "Sina de Escarumba"
" Anita disse que se podiam dividir as regiões do mundo segundo o tipo de gordura ou óleo que os seus habitantes utilizam nas respectivas cozinhas. A Europa do Norte, por exemplo, era uma cultura baseada na manteiga; a Europa do Sul, da Provence para baixo, era baseada no azeite. No Brasil e em grande parte da África subsahariana cozinhavam com óleo de palma, enquanto muitos povos do Médio Oriente utilizavam as bolsas de banha existentes na cauda das ovelhas. Em certas extremidades do globo, como o Norte do Canadá, usavam-se outras gorduras animais - de baleia, por exemplo. Ora bem, segundo a Anita, estes diferentes óleos afectam a personalidade. Os que comem manteiga tendem a ser sexualmente puritanos, impassíveis, trabalhadores e responsáveis. Os que usam azeite são mais gregários e sexualmente libertos, mas decididamente pouco fiáveis. E por aí a fora ... Esta teoria também tinha implicações para os conflitos étnicos, como continuou ela a explicar. Por exemplo, os da manteiga e do azeite podiam coexistir relativamente bem. Os do azeite e da banha de ovelha também tendiam a coabitar em paz. Mas quanto aos da manteiga e da banha de ovelha, nunca poderíamos esperar que se dessem bem. Nem os do óleo de palma e os da manteiga. Não tinha tirado conclusões específicas sobre as combinações adequadas para os que cozinhavam com gordura de baleia. - Os povos árcticos tendem a ficar sempre no mesmo sítio - explicou. - Por isso temos poucas provas sobre as misturas que podem fazer. "

Richard Zimler in "Aprender a Amar"

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Os 10 melhores livros de 2008 !


Sem qualquer ordem de preferência, aqui está a lista dos 10 livros que mais gostei de ler em 2008 !

"A Decadência do Sonho" de José Manuel Arrobas
"Narciso e Goldmundo" de Hermann Hesse
"A Metamorfose" de Franz Kafka
"Parábola do Cágado Velho" de Pepetela
"O Eterno Marido" de Fiódor Dostoiévski
"O Velho que lia Romances de Amor" de Luis Sepúlveda
"Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago
"Cemitério de Pianos" de José Luis Peixoto
"Castelos de Raiva" de Alessandro Baricco
"O Leitor" de Bernhard Schlink

50 Livros em 2009 !

Lembram-se do interessante desafio literário proposto pela Canochinha do blog estante-de-livros ?

" Com o aproximar do final de 2008, dei por mim a pensar no total de livros que terei lido durante o ano. Até à data, e de acordo com os registos do blog, li 58 livros (na verdade, serão mais 5 ou 6, sobre os quais acabei por não falar aqui). Apesar de andar com menos tempo para ler do que é costume, penso que ficarei perto dos 75 livros lidos este ano.Tenho visto vários desafios curiosos em blogs literários internacionais, nomeadamente os que fixam uma meta em relação ao número de livros a ler em 2009 (50, 100, etc). Não me parece que consiga "despachar" 100 livros num ano, mas julgo que facilmente chego aos 50. Portanto, a meta que vou fixar são 75 livros (em média, terei de terminar um livro em pouco menos de 5 dias). Vamos ver até onde consigo ir! Desde já, estão convidados a fixarem as vossas metas e a partilhá-las connosco/fazer-lhes referência no vosso blog. "

Desafio aceite, esperando alcançar no decorrer deste ano a meta dos 50 LIVROS ! E já tenho na barra lateral do meu blog a devida aplicação destinada à actualização das minhas leituras ! ;)

Vou começar hoje a ler ...

" Após ter abandonado a aldeia de Lansque-net-sur-Tannes, cenário de Chocolate, Vianne Rocher procura refúgio e anonimato em Paris, onde, juntamente com as suas filhas Anouk e Rosette, vive uma vida pacífica, talvez até mesmo feliz, por cima da sua pequena loja de chocolates. Não há nada fora de comum que as destaque de todos os outros. A tempestade que caracterizava a sua vida parece ter acalmado ... Pelo menos até ao momento em que Zozie de l'Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entra de rajada nas suas vidas e tudo começa a mudar ...
Mas esta nova amizade não é o que parece ser. Impiedosa, retorcida e sedutora, Zozie de l'Alba tem os seus próprios planos - planos que vão despedaçar o mundo delas. E com tudo o que ama em jogo, Vianne encontra-se perante uma escolha difícil: fugir, tal como fez tantas outras vezes, ou confrontar o seu pior inimigo ... Ela própria. "