sábado, 28 de fevereiro de 2009

Liberdade

" Ser livre é querer ir e ter um rumo e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim. "

Armindo Rodrigues ( Lisboa, 1904-1993 )

Comecei a ler ...

" Publicado por volta de 1868-1869, O Idiota é, porventura, dos cinco grandes romances de Dostoiévski, o mais perfeito - na composição, no estilo, no aprofundamento dos caracteres. Foi também, de todos os romances do autor, o mais incompreendido na sua época. Dostoiévski pretende, segundo as suas próprias palavras, «criar a imagem do homem positivamente bom», uma encarnação da beleza, da bondade e da humildade, figura de herói entre Dom Quixote e Cristo, mostrando o que pode acontecer a um homem assim, em contacto com a realidade. Como sempre, nos romances do autor, são dramatizados os problemas sociais, filosóficos e morais da época, tratamento a que o génio de Dostoiévski confere uma força e uma amplitude que fazem deste romance uma obra de todos os tempos. Traduzido directamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra, é um verdadeiro monumento literário, escrito durante a fase mais produtiva da vida de Dostoiévski. "

"O Idiota" de Fiódor Dostoiévski

Também comecei a ler ...

" A Feiticeira de Florença é a história de uma mulher que procura ser senhora do seu próprio destino num mundo de homens. Irmana duas cidades que quase não se conhecem: a hedonista capital mogol, onde o inteligente imperador se debate diariamente com questões de crenças, desejos e a traição dos filhos, e o mundo florentino, igualmente sensual, de poderosos cortesãos, filosofia humanista e desumana tortura. Estes dois mundos, tão distantes, acabam por se revelar estranhamente semelhantes, e ambos são dominados pelos encantamentos das mulheres. "

"A Feiticeira de Florença" de Salman Rushdie

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Li "Mentiras no Divã" e ...

"Mentiras no Divã" é uma história que de forma inteligente aborda a moralidade das terapias e a complexidade das emoções humanas.
Explora a ética profissional nas relações interpessoais paciente-terapeuta, tantas vezes ilusórias para ambas as partes.
Direccionando este romance para os seus colegas de profissão, o psiquiatra Irvin D. Yalom desnuda o lado humano daqueles habituados a ouvir e a orientar, através da exemplificação das suas fraquezas, desejos e pecados.
O autor disseca o relacionamento de três analistas com os seus doentes e revela um olhar ironicamente complexo sobre o que realmente se passa nas suas mentes.
Assim, envolvemo-nos nos enredos de três psicoterapeutas diferentes:
- Seymour Trotter, ex-presidente da Associação Psiquiátrica Americana, envolve-se com uma paciente mais jovem, sendo expulso da referida associação;
- Ernest Lash, preocupado com questões existenciais e contrariando as indicações do seu orientador, arrisca uma nova forma de abordagem psicanalítica, advindo desta experiência consequências simultaneamente imprevisíveis e inesperadas;
- Por último, o vaidoso e falso moralista Marshal Streider que, cego pela ganância e obcecado com a dolce vita dos ricos, cai num belo 'conto do vigário' !

A leitura desta obra revelou-se também muito interessante, se bem que completamente diferente da de "Quando Nietzsche chorou".
Se nesta última encantaram-me as visões filosóficas sobre psicanálise e estados de alma, a sucessão de diálogos construtivos e enriquecedores, tão duros como inteligentes, e a troca de experiências entre filosofia e psicologia, em "Mentiras no Divã" cativaram-me não só o ácido desnudar das fraquezas humanas, mas também o brilhante desenlace desenvolvido por Yalom. De facto, e ao contrário de "Quando Nietzsche chorou" em que o título por si só deslinda logo desde o início o desenrolar do enredo, não constituindo qualquer surpresa a 'rendição final' de Nietzsche, em "Mentiras no Divã" o escritor proporciona ao leitor aquilo que ele quer, mas não da forma como estaria à espera, pressuposto este essencial a qualquer bom epílogo !
" - Tem feito muita terapia ao longo dos anos, incluindo análise e diz que os resultados foram positivos, mas não esconde que ganhou muito com o ikebana.
( ... )
- Pelo que me disse, o ikebana proporciona uma escapatória da ansiedade, um refúgio tranquilo. A disciplina necessária ajuda-o a concentrar-se e permite um sentimento de harmonia e equilíbrio. Deixe-me ver se recordo mais coisas que tenha dito ... Ah, sim. Que o ikebana o inspira a expressar a sua criatividade e sensibilidade estética. E foi tão brusco a negar-lhe o potencial. Lembre-se de que é uma prática venerável com origens que remontam há muitos séculos e que é praticada por dezenas de milhar de pessoas. Sabe muito sobre o assunto ?
( ... )
- Já ouvi falar de terapia através da poesia, da música, da dança, da arte, da meditação ou de massagens. E admitiu que trabalhar com as suas árvores bonsai ao longo destas últimas semanas lhe salvou a sanidade mental. Não será possível que a terapia por ikebana possa ter resultados em alguns pacientes ? - perguntou Carol. "

Irvin D. Yalom in "Mentiras no Divã"
« O que contava para si e para a maioria dos analistas era a profundidade da mudança. A profundidade era tudo. Psicanalistas em toda a parte sabiam que, quanto mais profunda a exploração, mais eficaz a terapia. "Vai ao fundo", conseguia ouvir a voz de Bob McCallum, o seu orientador psicanalítico, "vai ao fundo dos recantos mais ancestrais da consciência, toca os sentimentos primitivos, as fantasias arcaicas, regressa às camadas primordiais da memória, apenas então serás capaz de desenraizar inteiramente a neurose e conseguir uma cura analítica efectiva.
Mas a terapia profunda perdia a batalha. As hordas bárbaras do espírito prático estavam por toda a parte. ( ... ) O inimigo estava suficientemente próximo para Marshal conseguir ver as suas inúmeras faces: análise biológica e descontracção muscular para problemas de ansiedade, implosão ou redução da sensibilidade para fobias, drogas para a distimia e distúrbios obsessivos-compulsivos, terapia cognitiva de grupo para distúrbios alimentares, treino assertivo para os tímidos, grupos de respiração diafragmática para pacientes sujeitos a ataques de pânico, treino em competências sociais para os reclusos, intervenções hipnóticas singulares para os fumadores e os malditos programas em doze passos para tudo o resto ! »

Irvin D. Yalom in "Mentiras no Divã"

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sou um Livro em Branco !

Foi também com um sorriso divertido que aceitei o desafio da Rádio Comercial "Se fosse um livro, qual seria ?"
E o resultado ...


Não podia concordar mais com este resultado !
É um facto que a minha vida é escrita a cada dia que passa e que sou fã da imprevisibilidade. Igualmente, tenho verdadeira alergia a rotinas e não, até agora ninguém se juntou a mim a cantar bem alto no meio do trânsito ! ;)
Faça aqui o teste e descubra também que livro é !

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Porque o mundo quer saber mais sobre mim !


Foi com um sorriso divertido que recebi este prémio do blog viajar pela leitura !
Obrigada, Paula ... és uma querida ! ;)

Associado a este selo vêm algumas regras, que passo a citar:
- Publicar o link da pessoa que o/a nomeou;
- Escrever as regras no blog;
- Contar 6 coisas aleatórias sobre si;
- Indicar mais seis pessoas e colocar os respectivos links no final do post;
- Avise as pessoas que indicou, deixando um comentário nos seus blogs;
- Deixe os indicados saberem quando publicar o seu post.

Seis coisas sobre mim:
1. Divirto-me mais e reajo com mais ilusão perante desafios ou novos estímulos e projectos, do que em histórias consolidadas;
2. Sou viciada em chocolate e nos gelados Santini;
3. Para mim, a tranquilidade é um anátema: tenho que estar sempre a fazer muitas coisas, a maior parte das vezes sem qualquer relação entre si;
4. Detesto hipocrisias, convencionalismos ou preconceitos intelectuais;
5. Não consigo viver longe do mar;
6. Sinto muito orgulho da minha ascendência oriental: a minha bisavó era chinesa ( nasceu em Cantão ou Guangzhou ) e as minhas avós, tanto materna como paterna, são macaenses. Daí o meu interesse, empatia e total identificação com vários preceitos da cultura oriental, estando actualmente a tentar recuperar para mim o apelido familiar chinês Ngân.

E porque o mundo quer saber mais sobre os outros blogs, os nomeados são:

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Livreiro ... uma figura rara !

" Muitas vezes se diz que já não há livreiros como antigamente. Que são uma espécie em vias de extinção. Que as grandes cadeias acabaram com eles. Que o empregado que nos atendeu não sabe o que está a fazer, etc., etc. De facto, tudo isto é verdade. Mas isto acontece simplesmente porque o livreiro é uma figura rara. Existiram e existem muito poucos livreiros, e sempre foi assim.Se definirmos os livreiros apenas como aqueles que negoceiam em livros, então, existem muitos. Mas se definirmos o livreiro como aquele que gosta, conhece, lê e vende livros, então, existem muito poucos. O livreiro é um autodidacta, não há nenhum curso que o possa formar. Isto é, claro que se pode e deve dar formação a uma pessoa que quer trabalhar numa livraria ou que, enquanto gestor ou empresário, pretende criar uma, no entanto, ser livreiro é outra coisa. Ser livreiro é muito mais do que simplesmente vender livros (para isso existem vários truques), tem de saber dignificá-los, amá-los, conhecer a sua história, saber o interior de muitos, interessar-se por quem os escreve e por que os escreve daquela maneira. Tem de conhecer toda a cadeia do livro, desde que nasce na mão do autor até chegar à mão do leitor, tem de saber vendê-lo honestamente, divulgá-lo, incentivar a leitura, só assim, poderá reivindicar para si um papel importante como agente cultural. "

Texto de opinião da autoria de Jaime Bulhosa

Gostei bastante e revi-me completamente nesta opinião de Jaime Bulhosa !
As suas palavras se por um lado reflectem e como que compreendem claramente a desilusão que sofri há poucos meses atrás, por outro lado, dão-me ânimo para continuar a perseguir o meu sonho e tudo aquilo que com ele se relacione ( o universo dos livros ) !
Faço minha a sua reflexão !

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Prémio "Blog de Ouro"

Obrigada, Rita Mello, pela distinção ! ;)

As regras são as seguintes:
- Copiar o selo e colocar no blog;
- Fazer referência ao nome de quem atribuiu o prémio e publicar o respectivo link;
- Premiar seis blogs que sejam uma inspiração para si;
- Deixar um comentários nos blogs escolhidos para que saibam que foram premiados.

E os nomeados são:
Crimemistério
Lector in Fabula
O Cantinho do Bookoholic
Projecto / Lê
Unitas Multiplex
Viajar pela Leitura

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eu e o Cristiano começámos a ler ...

" Guerra e Paz, escrito entre 1865 e 1869, é, sem dúvida, a obra-prima do grande escritor e aquela que mais o fixou na memória da posteridade.
Tomando como moldura as campanhas napoleónicas de 1805 e 1812, Tolstoi traça-nos um quadro assombroso da Rússia do Séc XIX, sobretudo da sua alta sociedade, presente nas famílias Bolkonsky e Rostov.
Largo fresco histórico, enriquecido por análises psicológicas de grande profundidade, Guerra e Paz é também o repositório da filosofia do próprio Tolstoi, com o seu amor pelos humildes e a sua simpatia por todos aqueles que - desde o soldado Karataiev até ao general Kutuzov - renunciaram a toda a concepção agressiva da existência. "

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Li "Cão Como Nós" e ...

São 117 páginas alegres e comoventes que desnudam o vínculo construído sem palavras entre um Homem e o seu cão !
Kurika ... assim era o nome deste animal dotado de uma personalidade muito especial e retratado como um ser único.
Apesar de assumir-se como mais um membro da família, copiando as pessoas que o rodeavam e imitando os seus comportamentos, não deixava de ignorar as regras da casa e criar as suas próprias normas.
Página sim, página não, temos os relatos alternados de um narrador que apesar de o saber diferente, durante muito tempo acreditou que o cão era cão e deveria ser convencido de tal realidade. Todavia, com a sua morte, acabou por compreender que aquele era um personagem definitivo no enredo familiar. Era o olhar atento, a alegria, a aproximação silenciosa, o corpo entre os pés, as manifestações durante as apresentações musicais, a empatia, a solidariedade, a presença.
Perante esta narrativa simples, dotada de uma linguagem poeticamente viva, é impossível não deixarmo-nos levar pela comoção perante a morte de Kurika.
Confesso mesmo que nas derradeiras páginas não pude deixar de sentir aquela 'lágrima no canto do olho' ! Adoooooooooooooooro animais !!! Tenho 2 cães e melhor que ninguém sei e sinto o quanto eles são cães como nós ! ;)
" - Será que o cão tem espírito ?, perguntou-me o filho do meio.
Olhei para ele surpreendido. E acabei por responder:
- Não sei sequer se nós próprios temos espírito ou se é o espírito que nos tem ou está em nós.
- É isso o que eu queria dizer. Olha para ele.
Era um fim de tarde de Agosto, o cão estava parado frente ao mar, o pêlo muito luzidio, a cabeça levantada, narinas abertas, sorvendo o ar.
- Ele está a cheirar o espírito. O espírito da terra, o espírito do vento, o espírito das águas. "

Manuel Alegre in "Cão Como Nós" ( 8º livro lido em 2009 ... 2332 páginas lidas )

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Livros para tudo !!!


" Ernest adorava fazer psicoterapia. Dia após dia, os seus pacientes convidavam-no a entrar nos recantos mais íntimos das suas vidas. Dia após dia, corfortava-os, preocupava-se com eles, aliviava o seu desespero. E, em troca, era admirado e acarinhado. E também pago, apesar de pensar com frequência que, se não precisasse do dinheiro, faria psicoterapia de graça.
Feliz aquele que ama o seu trabalho. E Ernest sentia-se realmente afortunado. Mais do que afortunado. Abençoado. Era um homem que encontrara a sua vocação, um homem que poderia dizer: Estou precisamente onde pertenço, no vórtice dos meus talentos, dos meus interesses e das minhas paixões. "

Irvin D. Yalom in "Mentiras no Divã"

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

« Yalom é vencedor do prémio Commonwealth para o melhor Romance de Ficção. É bestseller em 20 países e reconhecido pelos seus “Romances de ideias”. »

" Depois do sucesso dos best-sellers internacionais Quando Nietzsche Chorou e A Cura de Schopenhauer, Irvim D. Yalom regressa com uma história ambiciosa sobre as virtudes e os princípios da terapia. Neste provocador romance de ideias, Yalom disseca a complexidade das emoções humanas através do relacionamento de três terapeutas e dos seus pacientes. Num romance tocante e angustiante, Yalom estuda as delicadas fronteiras entre terapeuta e inquisidor, confidente e amante.Seymour, um terapeuta de renome e ex-presidente da Associação Psiquiátrica Americana, é adepto de técnicas pouco ortodoxas e inicia um jogo erótico com uma paciente quarenta anos mais nova. Este tratamento alternativo parece tirá-la de uma rotina de promiscuidade e autoflagelação. Lash é um jovem psicanalista com uma fé inabalável na psicanálise e esconde o seu fanatismo sob a máscara da responsabilidade. Na busca do seu caminho, inventa uma radical abordagem para as suas sessões: honestidade brutal entre analista e analisado. Os resultados são tão inesperados como perigosos. E vê-se na situação de ser vitima da sua própria cura.Explorando os jogos de poder, Mentiras no Divã é uma história intensa, eloquente e bem-humorada, em que os dilemas da lealdade se apresentam com clareza e vigor. Um livro brilhante, inteligente e apaixonante. "

Carl Bengtsson





Espectacular o trabalho do fotógrafo Carl Bengtsson !
Gostei particularmente deste editorial ... parece mesmo que os livros foram os únicos bens a saírem incólumes de um grande incêndio ! O conhecimento a sobreviver, transformando-se na testemunha silenciosa das nossas existências !

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...



" É, sem dúvida, o livro mais ardente, o mais provocador e o mais íntimo até agora escrito por Le Clézio. " - Jerôme Garcin, L'Evenement du Jeudi

" Em Clézio, a biografia amplia a história, a dos indivíduos e povos, até às dimensões da lenda. " - Pierre Lepape, Le Monde

" Frida ilumina este belo livro onde ecoam as angústias de Le Clézio, o seu amor pelo passado índio e a sua arte ligada à morte. " - Anne Pons, L'Express


Cão como nós

" Como nós eras altivo
fiel mas como nós
desobediente.
Gostavas de estar connosco a sós
mas não cativo
e sempre presente-ausente
como nós.
Cão que não querias
ser cão
e não lambias
a mão
e não respondias
à voz.
Cão
Como nós. "

Manuel Alegre in "Cão Como Nós"
" Adorava, por exemplo, ler.
Começara por soletrar títulos nos jornais, ainda antes de entrar para a escola. Quando chegou à segunda classe, já abria todos os livros, cheirava de olhos fechados o papel, juntava todas as letras, decifrava todas as palavras. Aninhava-se nas histórias e nas suas personagens, adormecia a sonhar com elas e acordava a brincar nos mesmos lugares por onde tinham deambulado no dia anterior, algures dentro da sua cabeça. "

Luís Soares in "Em Silêncio, Amor"

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Li "Quando Nietzsche Chorou" e ...

O enredo é simples, envolvente e muito inteligente: no último quartel do Séc XIX em Veneza, no café Sorrento, tem lugar um encontro entre o médico austríaco Josef Breuer ( um dos pais da Psicanálise ) e a insinuante jovem russa Lou Salomé.
Esta pede-lhe que trate de um ex-amigo dela, Friedrich Nietzsche ( um dos 'monstros' da filosofia alemã ), mas sem o conhecimento deste. Para que isto ocorra, Breuer aplica uma táctica pouco convencional: pede para que Nietzsche seja o médico de sua alma atormentada, pois tem constantes devaneios sexuais com a ex-paciente Anna O. e em troca, tratará das dores de cabeça compulsivas do filósofo, tentando descobrir se realmente planeia suicidar-se.

Com base num contexto histórico interessante e numa riqueza de detalhes dos costumes sociais da época, deparei-me com um encontro entre três grandes personalidades do Séc XIX: Josef Breuer, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud.
Três personalidades históricas, onde uma ínfima parte de suas essências é resgatada nesta obra através das suas ideias.

Recorrendo a um discurso fluido e a uma linguagem simples, Yalom construiu uma narrativa intrigante, ainda que linear !
Interagindo ocorrências ficcionais com realidades, são-nos apresentadas visões filosóficas, discussões sobre psicanálise e as dores da alma.

Ao longo dos capítulos assistimos a uma verdadeira sucessão de diálogos construtivos e enriquecedores, tão duros como inteligentes, similares a um autêntico jogo de xadrez psicológico.
E é precisamente através destes diálogos psico-filosóficos que ficamos a conhecer, ainda que de forma algo superficial, os principais conceitos nietzscheanos e os essenciais pressupostos psicanalíticos.
Genial a argúcia argumentativa de Nietzsche, médico das almas, cruel cirurgião da mente, que ao conseguir penetrar nos labirínticos meandros da psique de Breuer, encaminha-o para um exercício de auto-consciência.

Neste romance, deparamo-nos não com um duelo entre a filosofia e a psicologia, mas com uma troca, que nos é apresentada de forma directa e sem devaneios literários, de métodos e experiências entre as duas ciências, representadas por dois de seus mais importantes expoentes, aqui envolvidos numa brilhante permuta intelectual em que ambos são terapeutas e pacientes.

Li este livro porque sempre gostei bastante de filosofia, e embora seja de leitura fácil, é altamente recomendável aos amantes da literatura e do pensamento.

Faz-nos pensar nas coisas simples da vida, tais como que o Homem necessita de estar inserido numa sociedade, ou seja, precisa de amigos, da família, do trabalho. É-lhe indispensável interagir com os outros, confessar os seus pecados e/ou desejos, ajudar e ser ajudado. Só assim poderá limpar a sua consciência dos 'lixos' que tanto perturbam a paz mental do Homem.

Para concluir, apenas dizer que "Quando Nietzsche Chorou" despertou o meu interesse para a leitura de pelo menos quatro obras, que tenciono vir a ler em tempos muito próximos ! ;)
E são elas:
- "Assim falou Zaratustra" de Nietzsche
- "Filosofia do Inconsciente" de Hartmann
- "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" de Freud
- "A paixão do jovem Werther" de Goethe


" Conheci muitas pessoas que não gostam de si mesmas e tentam superar isso persuadindo primeiro os outros a pensarem bem delas. Feito isso, começam a pensar bem de si próprias. Mas essa é uma falsa solução, trata-se de uma submissão à autoridade dos outros. A sua tarefa é aceitar-se a si próprio, e não encontrar formas de obter a minha aceitação. "

Irvin D. Yalom in "Quando Nietzsche chorou"
" Conhece sem dúvida, a Filosofia do Inconsciente, de Hartmann. Está em todas as livrarias.
( ... )
... este discute vinte e quatro aspectos diferentes do inconsciente e não deixa dúvidas de que a maior parte da nossa memória e dos nossos processos mentais estão fora da consciência. Concordo, só que ele não vai suficientemente longe: é difícil, acredito, sobrestimar o grau em que a vida, a vida real, é vivida pelo inconsciente. A consciência é apenas uma película translúcida que cobre a existência ... "

Irvin D. Yalom in "Quando Nietzsche chorou"

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Liquid Bookmark


" Folheou as páginas de Humano, Demasiado Humano por alguns minutos.
- Não consigo encontrar agora essa passagem, mas a ideia é que, quem procura a verdade, deve submeter-se a uma análise psicológica pessoal; o termo é «dissecação moral». Aliás, chega ao ponto de afirmar que os erros, mesmo os dos maiores filósofos, foram causados pela ignorância das suas próprias motivações. Afirma que quem quer conhecer a verdade, deve primeiro conhecer-se totalmente a si mesmo. E para o fazer deve afastar-se do seu contexto habitual, até mesmo do próprio século ou país, para então se examinar à distância. "

Irvin D. Yalom in "Quando Nietzsche chorou"

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Vou começar hoje a ler ...

" É um Épagneul-Breton a personagem principal do novo livro de Manuel Alegre. Com "manchas castanhas e uma espécie de estrela branca no meio da cabeça". Cão... como nós. Como nós, porque sabe da amizade (o cão é o melhor amigo do homem), da solidariedade, protege a criança, consola o dono, pressente a desgraça, 'chora' a morte. Mas também é altivo e irrequieto. Às vezes desobediente e exibicionista. Chama-se Kurika, e acompanhou o escritor e a sua família ao longo de anos. Aliás, ele 'é' parte da família, diz Manuel Alegre.
Um livro alegre e comovente. "
" ... o que eu acho é isto: o escritor é primeiro um investigador da existência.
Um dia, uma pessoa, um lugar, uma história, atravessam-se na sua vida. Assumem a forma de um indício banal: a curva de um pulso, uma mulher a chorar no trânsito, um livro numa montra, uma peça de roupa ou apenas a sua cor, pesadelos, fantasias, a pele, a sua pele, engelhada e gasta.
Como um detective, recolhe provas, segue os potenciais implicados, constrói-lhes vidas, desenha motivos, coloca-lhes nas mãos armas dos mais variados tipos: um volante, a indiferença, um piano, o desejo, a curiosidade, um nome, uma ausência, a pena. Teria sido isto ou aquilo ? Premeditado ou arrebatado ?
Depois, deve apresentar o seu caso perante um tribunal soberano. ( Isto eu diria com um gesto amplo de braço, transformando a minha audiência desde logo em júri. )
Escreve.
Os seus leitores julgam o que lhes apresenta. E decidem. "

Luís Soares in "Em Silêncio, Amor"
" - Pergunto-me se os nossos sonhos estão mais próximos de quem nós somos do que a racionalidade ou os sentimentos. - Ponderou Nietzsche. "

Irvin D. Yalom in "Quando Nietzsche chorou"

Troféu Pedagogia do Afecto

O meu agradecimento à Cristina (http://florestadasleituras.blogspot.com/) e à Paula
(
http://viajarpelaleitura.blogspot.com/) pelo prémio "Pedagogia do Afecto" .

Agora, cabe-me a mim distinguir 10 Blogs:

1. Recebendo o troféu, ele deve ser oferecido a 10 blogs que tenham compromisso e afecto com a Educação e leituras ;
2. A imagem do selo deve passar a ser exibida permanentemente no blog ;
3. O nomeado deve colocar um link para o blog de onde a nomeação foi atribuída ;
4. Nos blogs seleccionados, deve ser deixado um comentário, permitindo assim que eles saibam que foram presenteados e quem os presenteou ;
5 - O blog que receber 5 vezes o troféu “Pedagogia do Afecto” deve ir à página http://pedagogiadoafeto.blogspot.com/ e deixar um comentário com o e-mail, para receber uma nova homenagem.

De acordo com as regras estabelecidas, atribuo o prémio a:
http://biblioteca_vania.blogs.sapo.pt/
http://clubedaluluzinhabyzandali.blogspot.com/
http://florestadasleituras.blogspot.com/
http://lectorinfabula.blogspot.com/
http://leitura-constante.blogspot.com/
http://oparaisoeumaespeciedelivraria.blogspot.com/
http://poetriz.wordpress.com/
http://silvanadrabeski.blogspot.com/
http://viajarpelaleitura.blogspot.com/
http://vidasdesfolhadas.blogspot.com/

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Olha que Blog Maneiro !

Ganhei esta distinção da minha querida Poetriz (http://poetriz.wordpress.com/) !
Obrigada, Poetriz ! ;)


As regras são:
1- Exiba a imagem do selo "Olha que Blog Maneiro".
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie uma fotografia sua ou de um amigo para
olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras correctamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
8- Só é válido caso as regras tenham sido todas cumpridas.

Assim, os 10 blogs nomeados são:
http://florestadasleituras.blogspot.com/
http://leitura-constante.blogspot.com/
http://marcadordelivros.blogspot.com/
http://oslivrosdesofia.blogspot.com/
http://viajarpelaleitura.blogspot.com/
http://toliveirinha.blogspot.com/
http://imagensdomeumundo.blogspot.com/
http://zandali.blogspot.com/
http://olharnomade.blogspot.com/
http://silvanadrabeski.blogspot.com/

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Mike Stilkey










Descobre mais sobre Mike Stilkey, o artista que adora desenhar e pintar, substituindo as telas por livros !