segunda-feira, 30 de março de 2009

" A prelecção consistia em longas frases repetidas, exaltando as muitas virtudes da meditação Vipassana, que, praticada de forma adequada, purificava a mente, levava à iluminação, a uma vida calma e de equilíbrio, à erradicação de doenças psicossomáticas e à eliminação das três causas da infelicidade: desejar, odiar e ignorar. Praticar sempre a Vipassana era como ser jardineiro da própria mente, arrancando dela as ervas daninhas. Mais do que isso, destacava Goenka, a Vipassana podia ser feita a qualquer hora e em qualquer lugar e tinha uma vantagem: enquanto outras pessoas perdiam tempo nas filas dos autocarros, o praticante podia arrancar algumas ervas daninhas da mente. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"

Gigante

" Gigante fui
E fiquei perto
Abri as mãos
Quis agarrar
O mundo todo

E lá fiquei
Gigante triste
Desencantado
Não tinha jeito
Nem dimensão
Era ilusão "

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

sábado, 28 de março de 2009

Se tu não viesses

"Se tu não viesses
Eu chorava ?
Não sei
Se tu não me quisesses
Eu prendia-te a mim ?
Não sei
Se não te amasse
Tu não vinhas ?
Não sei

Só sei que não quero explicar-te
Porque
Simplesmente ...
Acredito
Que o que sinto
Não se fala
Só existe

Eu estive ali
Quando quiseste
Como mulher
Talvez ainda criança
Simplesmente ...
Perto de ti !
Só te quis
Porque sabia
Que tu me querias !

Quando eu sentir
Que acabou
Gostaria
De saber ir-me embora
Simplesmente ...
Sem achar que te perdi !
Voltar à vida que penso que vivo
Talvez mais vazia
Mas em que acredito
Simplesmente ...
Porque me garante
A sobrevivência !

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."
" Muito já se comentou que as três maiores revoluções do pensamento ameaçaram a noção do homem como o centro de tudo. Primeiro, Copérnico demonstrou que a Terra não era o centro de todos os corpos celestes. Depois, Darwin mostrou que não somos o centro da cadeia de vida e, como todas as demais criaturas, evoluímos a partir de outras formas de vida. Finalmente, Freud descobriu que não mandamos na nossa própria casa, pois grande parte do nosso comportamento é governado por forças inconscientes. Sem dúvida, o co-revolucionário que Freud não conheceu foi Arthur Schopenhauer. Muito antes de Freud nascer, Schopenhauer afirmou que somos dominados por grandes forças biológicas e nos iludimos pensando que escolhemos conscientemente o que fazemos. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"

quinta-feira, 26 de março de 2009

" Kierkegaard dizia que algumas pessoas têm duplo desespero, isto é, estão desesperadas, mas nem o sabem. Você deve estar nesse desespero duplo. Quero dizer o seguinte: grande parte do sofrimento duma pessoa vem por sentir desejo, realizá-lo, ter um instante de saciedade que logo se transforma em tédio e, por sua vez, é interrompido pelo surgimento de outro desejo. Schopenhauer considerava que era essa a condição humana universal: desejar, saciar-se, entediar-se e desejar outra vez. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"
" Nietzsche escreveu uma vez que a maior diferença entre o homem e a vaca era que a vaca sabia como existir, como viver sem angústia ( isto é, sem medo ) no bendito presente, sem o peso do passado e a preocupação com os horrores do futuro. Mas nós, infelizes humanos, somos tão perseguidos pelo passado e pelo futuro, que só podemos passar rapidamente pelo presente. Sabe porque sentimos tanta saudade da maravilhosa infância ? Segundo Nietzsche, porque foi a única época despreocupada, ou seja, sem preocupações, antes de termos recordações tristes e graves do lixo do passado. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"

segunda-feira, 23 de março de 2009

" Entendeu que as palavras de Nietzsche significavam que era preciso escolher a sua vida - tinha que a usufruir em vez de ser «usufruído» por ela. Por outras palavras, tinha que amar o seu destino. E, acima de tudo, havia a pergunta que Zaratustra fazia sempre - se gostaríamos de repetir a mesma vida eternamente. Uma ideia curiosa e, quanto mais Julius pensava nela, mais seguro se sentia: a mensagem de Nietzsche para nós era viver de forma a querer sempre a mesma vida. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"

Se fui feliz

"Se fui feliz
Não sei ainda
Não me deixei
Poder ficar
Passei o tempo
A ver os outros
Sempre pousada
Naquela nuvem
Sem ter coragem
Para voar"

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

sábado, 21 de março de 2009

Psiu ...

" Psiu ...
Não faças barulho
É o meu coração que dorme
Não o chames
Não o acordes
Quem és tu ?
Que fazes aí ?
Olhas para ele
Queres tocá-lo
Mas eu não quero !

Quero deixá-lo quieto
Pacificamente
Longe de mim
De ti
É tão mais fácil viver
Quando se tem
Um coração adormecido ! "

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."
" ... durante toda a vida fora profundamente contra rituais. Sempre detestou as formas que as religiões usam para tirar a razão e a liberdade dos seus seguidores: os trajes cerimoniais, o incenso, os livros sagrados, os cantos gregorianos com o seu som hipnótico, os tapetes para ajoelhar, os mantos e solidéus, as mitras e os bastões dos bispos, as hóstias e os vinhos bentos, as cabeças a abanar e os corpos a balançar ao ritmo de velhas cantilenas. Considerava tudo isso uma parafernália da mais poderosa e duradoura vigarice, que fortalecia os líderes e satisfazia o desejo de submissão da comunidade. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"

quarta-feira, 18 de março de 2009

Se as flores cantassem ...

" Se as flores cantassem
Faziam um coro
E nunca era tarde
Para fazer jardins
E as vozes trocadas
Juntavam jasmins
Os sons destacados
Saiam de mim
Minha alma ficava
Pingando orvalho
E nada murchava
No campo sem fim "

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

Mil Livros Indispensáveis

" O jornal britânico The Guardian elaborou mais uma lista de indispensáveis, desta vez com o título «1000 novels everyone must read», nas categorias de guerra & viagens, ficção científica & fantasia, estado da nação, família, comédia, crime e amor. Entre os muitos nomes, estão, por exemplo, Samuel Beckett, Charles Dickens, Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Michael Crichton, Ian Fleming, Ruth Rendell, Stephen King, Ernest Hemingway, Jean-Jacques Rousseau, Oscar Wilde, Milan Kundera, Jane Austen, Mark Twain, Gabriel García Márquez, HG Wells, Truman Capote, Marguerite Duras, F. Scott Fitzgerald, Lewis Carroll, Umberto Eco, entre muitos, muitos outros. Na lista consta também O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós. "

Texto de Liliana Carvalho Lopes

sexta-feira, 13 de março de 2009

Faltam verdades na minha casa

" Faltam verdades
Na minha casa
Faltam certezas
No meu caminho
Faltam carinhos
No meu jardim
Faltam as rochas
Na minha praia
Moldando o mar
Da minha alma "

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

Blueberry Girl

Encante-se com este ternurento trailer de animação, escrito e lido por Neil Gaiman, para o novo livro do autor de Coraline, Blueberry Girl !


Se o mundo parasse ...

" Se o mundo parasse ...
Mesmo assim eu não tinha tempo
Não tinha tempo para sonhar
Para amar
Para viver
Para sentir tudo o que desejo.
Nos meus olhos cintilam mil luzes
Mil vontades ... mil pedaços de sentimentos
Como juntá-los ?
Como fazer de tudo isto a minha vida ?
Saltitante
Irrequieta !

Se o mundo parasse ...
Mesmo assim eu não tinha tempo
Tenho milhares de histórias para recordar
Milhares de poemas para reler
Canções
Cartas de amor para escrever
E os amigos que me esqueceram ?
Os sonhos que perdi ?
Os amantes que não existiram ?
Como lembrar-me de tudo ?

Se o mundo parasse ...
Mesmo assim eu não tinha tempo
De te dizer o que sinto
O que senti !
Porque a saudade que sinto
Quando tu partes
Sem dizer até quando
Faz sempre o tempo passar tão rápido !
Mas ...
Afinal o mundo parou ...
Eu estou tão triste
Sozinha
Continuo a lutar contra o tempo
Foste tu !
Foste tu que fizeste parar o mundo
E eu ...
Perdida na minha loucura
Não percebi !
Mas, acredita ...
O mundo não pode parar
Só porque tu mandas
O mundo também é meu !
Eu tenho todo o tempo do mundo
Tenho o poder de fazer de outro mundo
O meu novo mundo !
E tu
Se eu quiser
Deixas de existir no meu tempo ! "

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

quinta-feira, 12 de março de 2009

Se te amo

" Se te amo
Não sei
Não sei se te amo
Ainda não quis saber
Talvez porque te amo
E nem quero dizer-me
Como te amo
Sei que não posso
Amar-te e saber
Porque não quero
Saber que te amo
Mesmo quando me tocas
E me fazes amar-te
Quando te ris
No teu jeito doce
Não sei se te amo
Mesmo quando não deixo
Saber que te amo
Ainda assim
Nesse momento
Não consigo
Deixar de te amar "
Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

Vou começar hoje a ler ...

" Irvin D. Yalom, autor do aclamado romance Quando Nietzsche Chorou, ( best-seller em 20 países ), regressa com mais um romance brilhante.
Julius é um terapeuta de sucesso que perante a iminência da morte se vê obrigado a fazer um balanço de toda a sua vida. Philip Slate foi seu paciente, e Julius recorda-o como o grande falhanço da sua carreira. Na tentativa de fazer as pazes com o passado, Julius contacta-o para fechar o último capítulo deixado em aberto. Mas Philip é agora um homem diferente e propõe uma troca.
Simultaneamente o autor tece a história verídica de Arthur Schopenhauer e envolve-a na narrativa, provocando uma leitura compulsiva e oferecendo uma lição sobre a influência do filósofo alemão no pensamento contemporâneo. A narrativa de A Cura de Schopenhauer move-se em várias direcções, mas todas elas convergem num todo. Uma maravilhosa aventura emocional e intelectual, de deslumbrante intensidade. "

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Valor do Vento

"Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto"

Ruy Belo, País Possível, in Todos os Poemas

Os Maias no Trindade

"Em 1867, o Teatro da Trindade abria pela primeira vez as suas portas, nascendo assim aquele que viria a ser, e permaneceu ao longo destes 140 anos, um dos mais importantes e belos Teatros de Lisboa.
Alguns anos depois, em 1888, foi tornada pública a 1ª edição de Os Maias, talvez o mais notável romance de toda a literatura portuguesa. Nele, o seu autor, Eça de Queiroz, imaginou uma significativa cena passada no Trindade. Foi esse o ponto de partida para a leitura que o dramaturgo António Torrado fez da obra, traduzindo assim em linguagem teatral o grandioso fresco da sociedade portuguesa do século XIX que, à data da sua publicação, constituiu um polémico escândalo, pela autenticidade da denúncia de uma colectividade apagada e pretensiosa, por vezes reles, por vezes ridícula.
É um vasto friso de tipos caricaturais que nos surgem em forma de crónica de costumes, servindo de pano de fundo à trágica história amorosa de Carlos e Maria Eduarda, que, com a companhia da excentricidade de João da Ega, projecção do próprio autor, constituem o trio central do drama a que Eça deu o sub-título de Episódios da vida romântica.
O espectáculo que agora se apresenta no Teatro da Trindade, com encenação de Rui Mendes, permanecendo embora fiel às características originais do romance, não deixa de sublinhar a flagrante actualidade que se desprende da mesma. Será que, nos aspectos essenciais da sociedade portuguesa, mudou assim tanta coisa nos últimos cento e tal anos?
Este espectáculo poderá contribuir para esclarecer esta dúvida."

Paralelamente ao espectáculo haverá um conjunto de iniciativas à volta do escritor Eça de Queiroz.

Texto: António Torrado
Encenação: Rui Mendes
Cenografia e figurinos: Ana Paula Rocha
Desenho de luz: Carlos Gonçalves
Direcção musical: Afonso Malão
Interpretação: Afonso Malão, Augusto Portela, Igor Sampaio, João Didelet, José Airosa, José Fidalgo, Luis Alberto, Luis Mascarenhas, Mário Jacques, Pedro Górgia, Rogério Vieira e Sofia Duarte Silva.
Produção: Fundação INATEL/Teatro da Trindade

SALA Principal, 5 de Fevereiro a 26 de Abril // 4ª a Sábado 21h30 e Domingo 16h
Classificação etária: M/12
Duração: 120 min (com intervalo)
Preço: 10€ a 15€
Descontos: 20% - Jovens c/ - 25 anos, Seniores c/+ 65 anos, Pin Cultura, Profissionais Espectáculo30% - Grupos + 10 pax, Sócios INATEL

Já fui ver esta peça e adorei !
Gostei bastante da interpretação feita por António Torrado, de acordo com a qual foram excluídas cenas, eliminadas personagens e alterada a ordem da narrativa. Todavia, manteve-se o espírito da obra e até se ganhou um narrador, um fabuloso João da Ega, com a interpretação magnífica de José Airosa.
Um espectáculo a não perder e que aconselho vivamente !
Até fiquei com vontade de reler novamente todo o trabalho de Eça de Queiroz ... ;)
Mais informações aqui !