segunda-feira, 27 de abril de 2009

One Lovely Blog

Obrigada ao Projecto Lê por este simpático prémio ! ;)
Todavia, vou contornar as regras e dedicá-lo a todos aqueles que acompanham e visitam o Palavras Partilhadas !

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Os meus versos

" Rasga esses versos que eu te fiz, Amor !
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for !

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento !
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior ! ...

Tanto verso já disse o que eu sonhei !
Tantos penaram já o que eu penei !
Asas que passam, todo o mundo as sente ...

Rasga os meus versos ... Pobre endoidecida !
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente ! ..."

Florbela Espanca in "Sonetos"

terça-feira, 21 de abril de 2009

O Brincador

" Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor. Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for. Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for. Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor. Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador ...
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida". Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim ? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: «Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras. "

José Álvaro Magalhães in "O Brincador"

sábado, 18 de abril de 2009

Library Bath


"Library Bath" da designer Malin Lundmark ... ideal para todos aqueles que gostam de passar momentos relaxantes numa banheira, ao mesmo tempo que actualizam-se com as últimas novidades literárias !

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tertúlia Virtual ... Prazer

" O prazer é a felicidade dos loucos. A felicidade é o prazer dos sábios. "
Jules D' Aurevilly

domingo, 12 de abril de 2009

Se tu viesses ver-me ...

"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços ...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca ... o eco dos teus passos ...
O teu riso de fonte ... os teus abraços ...
Os teus beijos ... a tua mão na minha ...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca ...
Quando os olhos se me cerram de desejo ...
E os meus braços se estendem para ti ... "

Florbela Espanca in "Sonetos"

Mais Prémios ...



Estes prémios foram oferecidos pela Paula do excelente blog Viajar pela Leitura ! Obrigada, és uma querida ! ;)
Todavia, desta vez vou quebrar as regras e dedicar os selos a todos aqueles que acompanham e visitam o Palavras Partilhadas ! ;)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Vaidade

"Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade !

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo ! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade !
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita !

Sonho que sou Alguém cá neste mundo ...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada !

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho ... E não sou nada ! ..."

Florbela Espanca in "Sonetos"

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Li "A Cura de Schopenhauer" e ...

A minha admiração aumenta a cada livro que leio de Irvin D. Yalom. Provavelmente por reunir três das minhas paixões: literatura, filosofia e psicologia. ;)
O romance possui uma dinâmica interessante: alterna entre duas histórias distintas. A primeira é de um grupo de terapia, alma deste livro, e a segunda desenrola-se em torno da vida e obra de Arthur Schopenhauer.
"Viver é sofrer". Para Schopenhauer, filósofo do Séc. XIX, os relacionamentos e os desejos apenas conduzem à dor e ao tédio. A salvação para o sofrimento humano, causado pela existência, é renunciar ao mundo, tornando-se assim verdadeiramente livre.
Para Julius Hertzfeld, psiquiatra de renome e acérrimo defensor do conceito da terapia em grupo, a salvação só é atingida quando se constroem relacionamentos sólidos, baseados no amor e na compreensão das diferenças e limites de cada um.
A Cura de Schopenhauer é o relato comovente de personagens demasiadamente humanos, que no embate emocionante entre pacientes e terapeuta, desnudam suas mentes e seus corações, tornando-se mais reais do que a própria realidade.
Amor, sexo, separação, perda, vida, dor, morte, filosofias orientais, psicoterapias e terapias alternativas, dinheiro, poder, ou seja, todos os grandes temas de hoje e de sempre passam pelo perspicaz olhar de Yalom que, se não está escrevendo algumas das principais páginas da literatura universal, retrata como poucos a essência da alma do homem contemporâneo.
"Mann conta que, aos vinte e três anos, teve a grande alegria de ler Schopenhauer pela primeira vez. Ficou encantado, não só com o som das palavras, que descreve como «tão perfeitas e consistentemente claras, tão harmoniosas, com uma apresentação e uma linguagem tão fortes, tão apaixonadamente brilhantes, tão magníficas e alegremente severas como nenhum outro escritor na filosofia alemã», mas também com a essência do pensamento de Schopenhauer, que descreve como «emocional, empolgante, jogando com contrastes enormes, entre instinto e mente, paixão e redenção».
( ... )
Não só Thomas Mann, mas também outras grandes inteligências admitiram a sua dívida para com Schopenhauer. Tolstoi chamou-lhe «génio por excelência». Para Richard Wagner, «ele foi uma dádiva do céu». Nietzsche disse que a sua vida nunca mais foi a mesma depois de ter comprado um gasto exemplar de Schopenhauer numa tenda de Leipzig e, como disse, deixou «aquele génio dinâmico e lúgubre agir na minha mente». Schopenhauer mudou para sempre o mapa intelectual do Ocidente e, sem ele, Freud, Nietzsche, Hardy, Wittgenstein, Backett, Ibsen, Conrad, seriam muito diferentes e menos fortes. "

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"
"Schopenhauer apreciava as técnicas de meditação orientais e o destaque que estas dão à libertação da mente, de ver através da ilusão e aliviar o sofrimento aprendendo a arte do desapego. Aliás, foi ele quem trouxe o pensamento oriental para a filosofia do Ocidente."

Irvin D. Yalom in "A Cura de Schopenhauer"

sábado, 4 de abril de 2009

E o tempo passa e agarra-me ...

" E o tempo passa e agarra-me ...
Revolto
Ingrato
Furioso ... Injusto
Magoa-me
E deixa-me abandonada na praia deserta

E o tempo volta e abraça-me ...
Envolve-me
Engana-me
Troça de mim
E deixa-me poisada no monte mais alto
Perto do mar
Mas sem poder morrer

E o tempo volta e sorri-me ...
Brinca comigo
Atira-me ao ar
Fala-me de amor
Deixa-me voar
Larga-me então docemente
E deixa-me adormecer

E o tempo volta e esconde-se ...
Chama-me ...
Brincalhão
Inconsequente
Leva-me a procurá-lo
Cega-me
Liga-me ao céu
Diz-me que está tudo bem
Mas de repente
Tira-me o sol
E deixa-me de olhos vendados
Parada no tempo
Sem poder crescer

E o tempo volta e olha-me nos olhos ...
Tenta encantar-me
Usa da sua magia
Toca-me com dedos de nuvens macias
Canta-me as músicas do vento que passa
Mostra-me o amor dos outros
Quer desenhar-me a alma

E eu ... penso em ti e rio-me baixinho
Ele não sabe
Nunca amou ninguém
É que
O tempo não existe
Quando se gosta de alguém ! "

Maria Araújo in "Saudade de ti ..."

Vou começar hoje a ler ...

" Na galeria das mais extraordinárias e controversas figuras do Ocidente, a papisa Joana assume alguns contornos dos mais brumosos, enigmáticos e fascinantes. Muitos negaram, ao longo dos séculos, a sua existência, mas ainda é considerável a quantidade de documentos que referem a sua passagem pelo trono papal. Personagem histórica ou lendária, Joana protagoniza a notável ascensão de uma mulher brilhante que não aceita as limitações que a sua época, profundamente misógina, lhe impõe e, armada de uma inteligência esclarecida e de uma força de carácter inquebrantável, conquista o mais elevado poder religioso. Um romance magnífico, cativante, que conspira, no virar de cada página, para prender o leitor num sortilégio magnético, na teia enredada da intriga, das turbulências políticas, dos fanatismos e intolerâncias, das paixões, das duplicidades e segredos, das crises de fé e conspirações que ameaçam fazer soçobrar Joana. "