domingo, 31 de maio de 2009

Li "A Casa dos Budas Ditosos" e ...

Escrito na primeira pessoa, como se fosse uma mulher libertina de 68 anos a narrar suas memórias, deparei-me com um livro em que praticamente todos os tipos de fetiches e perversões são aqui citados.
A narradora por vezes chegou a irritar-me devido ao facto de considerar que as suas opiniões, excessivamente fincadas e que ora chocavam-me ora faziam-me sorrir, são verdades absolutas.
A linguagem do romance é despudoradamente crua, mordaz, corrosiva, mas pautada por um apurado sentido de humor. Neste sentido, gostei particularmente de alguns laivos de requinte cultural, quando a personagem perdia-se em divagações paralelas às suas múltiplas peripécias sexuais.
É uma obra direccionada não para quem possua convicções religiosas e/ou morais extremamente rígidas, mas sim para quem seja capaz de tolerar narrativas que 'fogem' de determinados padrões tidos como minimamente aceitáveis.

( 14º livro lido em 2009 ... 3913 páginas lidas )

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Comecei hoje a ler ...



" A História da Minha Máquina de Escrever é um tributo à relação - intensa e muitas vezes determinante - entre um escritor e a sua máquina de escrever. Ao longo de 30 anos, a velha máquina Olympia de Paul Auster foi a corrente de transmissão dos romances, contos e textos de um dos mais emblemáticos escritores norte-americanos. Paralelamente, os vigorosos e obsessivos desenhos e pinturas que Sam Messer dedica ao autor e à sua máquina de escrever conseguiram, como escreve Paul Auster, «converter um objecto inanimado num ser com personalidade, com uma presença no mundo. "

sexta-feira, 22 de maio de 2009

"Quando viajamos de férias numa motocicleta, vemos as coisas de uma maneira que é completamente diferente de qualquer outra. Num carro, estamos sempre num compartimento e, em virtude de estarmos habituados a isso, não temos consciência de que através da janela daquele carro tudo quanto vemos é apenas mais TV. Somos observadores passivos e tudo passa por nós enfadonhamente, numa moldura.
Numa motocicleta, a moldura desaparece. Estamos completamente em contacto com tudo. Estamos na cena e não já, apenas, a observá-la, e o sentimento de presença é avassalador."

Robert M. Pirsig in "Zen e a arte da manutenção de motocicletas"

terça-feira, 19 de maio de 2009

Comecei a ler ...

" A viagem pelas estradas a perder de vista dos Estados Unidos da América tornou-se um arquétipo, pelo menos a partir de On the Road de Jack Kerouac e do filme Easy Rider. Neste romance ela é empreendida por um pai e o seu filho -, motards que preferem as estradas secundárias às auto-estradas, completamente expostos ao ambiente -, e transforma-se numa odisseia pessoal e filosófica e num mergulhar até às raízes da arte de viver. Ao introduzir questões filosóficas elaboradas, de uma forma que se torna deveras acessível e apelativa para o leitor comum, Pirsig cria uma filosofia prática, assente no bom senso e na intuição tanto como na racionalidade, baseada num novo valor a que chamou «qualidade». Ambiciona igualmente, por essa via, constituir uma ponte possível entre pensamento ocidental e Oriente. O cuidar atento e empenhado dispensado por este aventureiro das vastas extensões americanas à sua motocicleta é a metáfora para uma tentativa de valorizar a tecnologia no nosso mundo, onde Buda existe tão perfeitamente nos circuitos digitais de um computador como nas pétalas de uma flor. O segredo reside na atitude. Uma obra polémica que desde a sua primeira edição não deixou de inspirar milhões de pessoas em todo o mundo até hoje. "

Para ler e reflectir ...

" O Zaratustra é como o mapa de uma região cheia de recantos inesperados, de espaços inóspitos e de oásis revigorantes. Ao discurso literariamente sublime, sucede-se muitas vezes o discurso, desse mesmo ponto de vista, medíocre ou pelo menos de duvidoso gosto. Nesse mapa pode entrar-se por onde quisermos e os itinerários possíveis são praticamente infinitos. No entanto, alguns proporcionam certamente visitas mais abrangentes. É muito provável que o leitor se sinta como Teseu no seu labirinto, mas sem um fio de Ariadne que o oriente para um princípio. A concentração de símbolos e de personagens é enorme, tornando mais difícil a compreensão e objectivos filosóficos. O que a seguir se propõe é apenas um itinerário entre outros, mas, em nossa opinião, a escolha inclui perspectivas de maior amplitude e trata-se do que se pode considerar uma primeira visita de exploração. Fica ao leitor a possibilidade de ele próprio escolher, mais tarde, outros percursos, talvez mais minuciosos, mais «pessoais». "

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Estante "Página"



Bastante original esta estante designada "Pagina" e concebida pelos designers Jean Louis Berthet e Denis Vasset.
Gostei ... faz mesmo lembrar a página de um livro ! ;)
"Havia muito que pensava escrever uma história que tivesse como protagonista a música. É bem sabido que a música pode dar grande ênfase a um texto poético ou teatral, tornando por vezes sublimes versos que de outra forma seriam banais.
( ... )
A música eleva os sentimentos e a própria natureza humana, mas os caminhos que até lá conduzem passam necessariamente pelo estridor, o fragor, a dissonância. Por detrás da música, executada com leveza e perfeição, tal como a podemos escutar na execução requintada de uma orquestra ou de um quarteto de cordas, está o atrito dos nervos que se contraem, o borbotão de sangue, o tumulto dos corações. Surpreendi-me, de súbito, a considerar a minha amada arte a outra luz. Imaginei a infinitude de sons que noite e dia se elevam no mundo inteiro, e ocorreu-me o esforço dessa multidão de indivíduos esparsos por toda a parte, continuando a lutar para manter viva a música ... "

Paolo Maurensig in "O Violinista"

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Li "A Aldeia de Stepantchikovo e os seus Habitantes" e ...

Serguei Aleksândrovitch é simultaneamente narrador e interveniente de uma história divertida e marcada por laivos de humor, em torno do seu tio viúvo Egor Iliitch Rosstaniov (coronel e proprietário de uma aldeia) e do criado de luxo da sua mãe, Fomá Fomitch, que lhe faz a vida negra, abusando da sua bondade.
Fomá Fomitch, figura principal do romance, em redor da qual desenvolvem-se as maiores paixões e ódios, é um elemento manipulador, temperamental, vaidoso e egoísta. Vivendo no ócio, alega que as suas eruditas qualidades intelectuais orientarão a todos no caminho de uma vida melhor.

Deparei-me com uma história imbuída de intrigas, amuos, gritarias, traições, escândalos e loucuras, que desenrola-se num ritmo alucinante e frenético surpreendendo-nos a cada página.
Na Aldeia de Stepantchikovo convivem personagens cujas ambições mesquinhas, fragilidades, demências, fracassos e humilhações encontram abrigo nas relações de dependência e interesses que estabelecem entre si.
É um mundo de incoerência e opressão, no qual Dostoiévski expõe a tragédia daqueles cuja dignidade e ambição pessoal são feridas profundamente.
Apesar do texto assumir a forma de uma ligeira comédia rural, a sua essência é marcada por um fundo existencial e metafísico que sempre caracterizou as criações dostoievskianas.

( 13º livro lido em 2009 ... 3748 páginas lidas )

domingo, 10 de maio de 2009

Comecei hoje a ler ...

"Ao completar quarenta anos, Madame Wu leva a cabo a decisão que tem vindo a planear há já algum tempo: comunica ao marido que após vinte e quatro anos de casamento não deseja ter mais contacto físico com ele e pede-lhe que tome uma segunda esposa. A Casa de Wu, uma das mais antigas e reverenciadas da China é tomada de surpresa e indigna-se com esta decisão, mas Madame Wu não se deixa dissuadir e escolhe uma jovem camponesa para tomar a sua vez no leito conjugal.

Elegante e distinta, Madame Wu planeia esta alteração na sua vida da mesma forma como sempre geriu uma casa onde coabitam mais de sessenta familiares e criados. Sozinha nos seus aposentos, aprecia a sua liberdade e finalmente pode ler os livros que lhe estavam vedados. Quando o seu filho inicia lições de inglês, percebe que também ela gostava de aprender esta língua. Assim trava conhecimento com o irmão André, um estrangeiro com uma mente à sua altura."

Pearl S. Buck foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura em 1938.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Li "A Papisa Joana" e ...

Este livro narra a história, imbuída de contornos enigmáticos e fascinantes, de uma das mais extraordinárias e controversas figuras do Ocidente, a Papisa Joana.
Numa perfeita combinação entre factos históricos e aspectos lendários, crê-se que teria ocupado o trono papal depois da morte de Leão IV, no ano de 855.
Natural da Mogúncia e assumindo a identidade de um Homem ( João Anglicus ), dotada de grande inteligência e vasto saber, ela haveria estudado em Atenas, seguindo depois para Roma onde se infiltrou habilmente nos meios político-religiosos dessa conturbada época.
Depois de governar a Igreja durante dois anos, teria morrido numa procissão que se dirigia para S. João de Latrão, ao dar à luz uma criança.
Seja verdadeira ou falsa a história desta mulher ( e acredito que seja verídica ) é inegável o facto de estarmos perante um minucioso e vivo panorama histórico, quer dos usos e costumes dessa época em que se desmoronava o império de Carlos Magno, quer das suas intrigas e enredos, tanto de carácter eclesiástico, como político e social.

Por outro lado, desmistifica algumas das ideias que temos acerca da Idade Média, que tendo ficado conhecida como Idade das Trevas, foi certamente uma Idade de muitas Luzes.

Entretanto, e segundo o site oficial do livro, a história está a ser adaptada ao cinema. Estou curiosa para ver uma vez mais qual vai ser a reacção do Vaticano em relação ao filme. Sim, porque relativamente a "Anjos e Demónios" sequela de "O Código da Vinci", com estreia prevista para dia 14 em Portugal, o Gabinete de Classificação de Filmes já apelou aos católicos para se absterem de ver a película porque "não favorece a religião" !

Adorei este livro, cuja leitura recomendo vivamente !
Também reacendeu em mim um antigo interesse pela arte do Tarot.
Papisa ... arcano maior, cuja correspondência astrológica com a Lua indica magnetismo e atracção. As suas qualidades são a inspiração, a sabedoria, a discrição e a memória. Revela o oculto e é fonte de energia, de esperança e de talento criativo para os artistas.
Lá vou eu voltar a rever o meu curso de Tarot ... ;)

domingo, 3 de maio de 2009

Comecei a ler ...

" Um violino de Jakob Steiner, uma peça estranha ostentando uma cabeça antropomórfica que sugere ferocidade e loucura, é o objecto do desejo, a chave do enigma em torno do qual se compõe o novo romance do celebrado autor de O Jogo de Morte. Ele próprio confessou já que o xadrez e a música são duas grandes paixões suas. A música é a protagonista oculta que permeia toda a história e, por entre as notas, deixa filtrar toda a escala das emoções e dos sentimentos. Ela é símbolo de transcendência, busca da perfeição. Plena de notas dissonantes como a nostalgia e a raiva, o amor e o ódio, o ciúme e a posse. O título da edição original, Canone Inverso, introduz desde logo uma simbologia do desdobramento e do espelho, tema que o percorre página a página por entre as suas complexidades e os seus enigmas. Quem é afinal o discreto narrador ? Aquele que dá a nota de abertura, recordando-nos a origem divina da música, «o som contínuo que havia gerado o mundo, o sopro emanado das vestes ondulantes de Shiva», o mesmo autor do epílogo ? Ou será o escritor em busca de um tema, que na Viena de 1985, onde ainda vibram os ecos dos anos que decorrem entre as duas guerras, encontra esse estranhíssimo violinista cuja existência se esfuma com os últimos acordes da sua música ? Cabe ao leitor percorrer este onírico labirinto, para tentar entender o insólito versículo do Génesis que filia todos os músicos na descendência de Caim. "

Também comecei a ler ...



" Escrito ao mesmo tempo que os Cadernos da Casa Morta, o romance A Aldeia de Stepantchikovo e os Seus Habitantes ( 1859 ) é considerado uma das obras-primas do cómico dostoievskiano. É notável pelo trabalho dos diálogos, que fazem deste romance uma obra particularmente adaptável ao teatro. A narração, ambientada numa propriedade rural do interior da Rússia, é ferozmente corrosiva em relação aos pequenos dramas em que se comprazem as personagens, sobretudo Fomá Opísskin, um homem medíocre e frustrado que alimenta sonhos de grandeza e se comporta como um verdadeiro tirano em relação ao seu benfeitor, com quem mantém uma relação parasitária. "

"Amigas Sempre"

Ganhei este selo de amizade da Euzinha ! Bigada, és uma querida ! ;)