domingo, 28 de junho de 2009

Estou a ler ...

"Em Berlim, nos agitados e deslumbrantes anos trinta, Albinus, um requintado intelectual de meia-idade que acalenta o sonho de fazer cinema, conhece uma jovem leviana, Margot, cuja maior aspiração é tornar-se uma estrela, pela qual se apaixona e abandona a mulher e a família. Começa assim um tórrido romance que, com o aparecimento de Rex, um produtor sem escrúpulos, se irá transformar num sórdido ménage à trois que há-de conduzir, fatalmente à tragédia. Um magnífico romance, pleno de erotismo, que a Teorema, depois de Lolita e Transparências, se orgulha de publicar."

"Riso na Escuridão" de Vladimir Nabokov

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Li "Oceano Mar" e ...

Dividido em três partes, "Oceano Mar" leva-nos a viajar por um clima surreal, imbuído de personalidades extremamente particulares.
Numa terra distante que apresenta o carácter vago de um reino de fantasia, mas a intensidade de um sonho, deparei-me com um grupo de individualidades excêntricas que exige de nós, leitores, uma entrega à imaginação e ao mundo aqui criado por Baricco. Um mundo onde o oceano é o princípio e o fim de tudo.

Descobri personagens cujos destinos interagem como que por magia e que ora se escondem, ora se descobrem. Bartleboom, o professor que escreve cartas de amor à mulher da sua vida, que ainda não encontrou; Plasson, o pintor que procura o início do mar; Elisewin, a pobre menina rica que, doente, sai do castelo para conhecer o poder curativo do oceano; Adams, o náufrago, jardineiro preso em si mesmo e nas suas memórias; e ainda tantos outros que procuram o seu caminho, um caminho que nem sempre se escreve da forma esperada.
Pessoalmente, gostei bastante de Plasson, pintor que pinta o mar com o mar e Bartleboom, que viajou até à Estalagem Almayer com o objectivo de pesquisar o exacto ponto onde o mar acaba de forma a perpetuar as suas conclusões na Enciclopédia dos Limites que está a escrever.

Neste romance, o autor hipnotizou-me com uma fábula pós-moderna da doença humana nas suas diversas vertentes - psicológica, existencial, erótica - apresentando-nos o oceano com uma função de entrega e recuperação da nossa mais íntima essência.

À medida que vou lendo as suas obras, Alessandro Baricco torna-se um dos meus escritores preferidos. Adoro a forma poética como escreve as suas histórias. Por vezes, as suas palavras ou o sentido por detrás dos seus versos não são fáceis de captar ou até o fio condutor da narrativa pode parecer confuso, mas no final fico com aquela sensação de ter lido um dos mais mágicos textos de sempre.

( 19º livro lido em 2009 ... 4793 páginas lidas )
" O mar. O mar encanta, o mar mata, comove, assusta, faz até rir, às vezes, desaparece, de vez em quando, disfarça-se de lago, ou então constrói tempestades, devora navios, oferece riquezas, não dá respostas, é sábio, é doce, é poderoso, é imprevisível. Mas acima de tudo: o mar chama. Hás-de descobri-lo, Elisewin. Não faz outra coisa, no fundo, a não ser isso: chamar. Não pára nunca, entra dentro de nós, temo-lo em cima, é a nós que ele quer. Podemos até fingir não reparar, mas não adianta. "

Alessandro Baricco in "Oceano Mar"
" O mar - viu o barão nos desenhos dos geógrafos - estava longe. Mas acima de tudo - viu nos seus sonhos - era terrível, exageradamente bonito, terrivelmente forte - desumano e inimigo - maravilhoso. Além disso, era cores diferentes, cheiros nunca sentidos, sons desconhecidos - era o outro mundo. "

Alessandro Baricco in "Oceano Mar"
" O mar imenso, o oceano mar, que corre infinito para além de qualquer olhar, o imenso mar omnipotente - há um lugar onde acaba, e um instante - o imenso mar, um lugar muito pequeno e um instante de nada. "

Alessandro Baricco in "Oceano Mar"

domingo, 21 de junho de 2009

" Aliás a vida não corre bem como imaginamos. Segue o seu caminho. E nós o nosso. E não é o mesmo caminho. ( ... ) Mas percebi tarde demais para que lado era preciso ir: para o lado dos desejos. Esperamos que sejam outras as coisas que nos salvam: o dever, a honestidade, sermos bons, sermos justos. Nada disso, são os desejos que nos salvam. São a única coisa verdadeira. Estando com eles, salvamo-nos. Mas era demasiado tarde quando percebi. Se lhe dermos tempo, a vida dá umas voltas estranhas, inexoráveis: então apercebemo-nos de ter chegado a um ponto tal que já não podemos desejar algo sem nos magoarmos. É então que tudo se baralha, não há maneira de escapar, quanto mais nos agitamos, mais a rede se embrulha, quanto mais nos revoltamos, mais nos ferimos. "

Alessandro Baricco in "Oceano Mar"

Comecei a ler ...

" Em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que há dois anos se encontra em Belém, vindo da Índia.

Do facto histórico que foi essa oferta não abundam os testemunhos. Mas há alguns. Com base nesses escassos elementos, e sobretudo com uma poderosa imaginação de ficcionista que já nos deu obras-primas como Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago coloca agora nas mãos dos leitores esta obra excepcional que é a Viagem do Elefante.

Neste livro, escrito em condições de saúde muito precárias não sabemos o que mais admirar - o estilo pessoal do autor exercido ao nível das suas melhores obras; uma combinação de personagens reais e inventadas que nos faz viver simultaneamente na realidade e na ficção; um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária com que o autor observa as fraquezas humanas.

Escrita dez anos após a atribuição do Prémio Nobel, A Viagem do Elefante mostra-nos um Saramago em todo o seu esplendor literário. "

Também comecei a ler ...

" As sarcásticas histórias de Danças & Contradanças podem ser resumidas em duas palavras: malévolas e maliciosas. Como em muitos dos seus romances, Joanne Harris consegue combinar de uma forma única situações e personagens comuns - e até banais - com o extraordinário e o inesperado. Mais do que nunca, a autora dá largas à sua imaginação e apresenta-nos uma exuberante e prodigiosa caixa de Pandora que contém tudo quanto é extravagante, estranho, misterioso e perverso. De bruxas suburbanas a velhinhas provocadoras, monstros envelhecidos, vencedores da lotaria suicidas, lobisomens, mulheres-golfinho e fabricantes de adereços eróticos, estas são vinte e duas histórias onde o fantástico anda de mãos dadas com o mundano, o amargo com o doce, e onde o belo, o grotesco, o sedutor e o perturbador estão sempre a um passo de distância. "

Book Boxes





Adorei estes livros vintage que, na realidade, são réplicas feitas em resina e que funcionam como caixas para guardarmos os mais variados objectos !
Descubra mais aqui !


" Sabia que Adams era um homem desfeito pela sua própria vida. Imaginava a alma dele como uma pacata aldeia saqueada e dispersada pela invasão selvagem de uma vertiginosa quantidade de imagens, sensações, cheiros, sons, dores, palavras. A morte que simulava, ao vê-lo, era o resultado paradoxal de uma vida explodida. Um caos irrefreável era aquilo que crepitava sob o seu mutismo e a sua imobilidade. "

Alessandro Baricco in "Oceano Mar"
" Timbuctu. A pérola da África. A cidade inalcançável e maravilhosa. O escrínio de todos os tesouros, residência de todos os deuses bárbaros. Coração do mundo desconhecido, fortaleza de mil segredos, reino fantasma de todas as riquezas, meta perdida de infinitas viagens, nascente de todas as águas e sonho de todos os céus. Timbuctu. A cidade que nenhum homem branco que jamais encontrara. "

Alessandro Baricco in "Oceano Mar"

terça-feira, 16 de junho de 2009

Estou a ler ...

Prémio Viareggio per la Narrativa
Prémio Palazzo al Bosco

" Há muitos anos, algures no meio do oceano, uma fragata da marinha francesa naufragou. 147 homens tentaram salvar-se subindo para uma jangada enorme e entregando-se ao mar. Um horror que durou dias a fio. Um palco formidável onde se exibiram a pior das crueldades e a piedade mais doce.

Há muitos anos, algures na costa do oceano, apareceu um homem. Uma promessa levara-o até lá. A estalagem onde ficou chamava-se Almayer. Sete quartos. Crianças estranhas, um pintor, uma mulher lindíssima, um professor com um nome esquisito, um homem misterioso, uma rapariga que não queria morrer, um padre cómico. Todos ali, à procura de alguma coisa, em equilíbrio sobre o oceano.

Há muitos anos, estes e outros destinos encontraram o mar e voltaram marcados desse encontro. Este livro conta-os porque, ao escutá-los, ouve-se a voz do mar. Pode ler-se como um conto de suspense, como um poema em prosa, um conto philosophique, um romance de aventuras. Seja como for, domina nele a alegria arrebatadora de contar histórias através de uma escrita e de uma técnica narrativa sem modelos, nem antecedentes, nem mestres.

Com efeito, o timbre de Oceano Mar não tem ecos na narrativa italiana, também pelo ardor fantástico que não conhece pausas, pela gama de emoções que nele se desfralda: vai-se, de facto, da ironia mais multifacetada à melancolia mais profunda, da comicidade mais sanguínea ao pathos mais envolvente e menos patético.

Oceano Mar, é a confirmação indiscutível de um talento original, capaz de insólitas sabedorias literárias e de entregas inéditas. "

Li "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino e ...

Senti-me a deambular por entre páginas de um verdadeiro Atlas de Sonho com "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino, o qual através de um discurso imbuído de metáforas e palavras labirínticas, inventa 55 cidades que vão sendo descritas pelo viajante Marco Polo ao imperador da antiga Tartária, Kublai Khan, em meados do Séc XII.
Ao investir no potencial inventivo e criativo das palavras, explora mundos através de espelhos e trabalha com universos imagináveis que apontam, por sua vez através da meditação, universos reais.

"As Cidades Invisíveis" pertencem ao domínio surrealista, sendo que o seu humanismo e carga poética marcam qualquer leitor que, como eu, têm propensão para universos fantásticos.

Calvino ao traçar o retrato de uma série de cidades exemplares, e como tal absurdas, metafóricas e amáveis, cada uma com determinada característica que a marca e distingue e todas com nomes femininos, leva-nos a indagar se não estará a descrever mulheres e não cidades.
Estas são em si mesmas fascinantes e oníricas, detentoras de uma riqueza tal que várias vezes assaltou-me a vontade de conhecê-las melhor, de ler romances inteiros passados nelas, de andar pelas suas ruas ou viver nas suas casas.
Gostei particularmente de Leónia: « A cidade de Leónia refaz-se a si própria cada dia que passa: todas as manhãs a população acorda no meio de lençóis frescos, lava-se com sabonetes acabados de tirar da embalagem, veste roupas novinhas em folha, extrai do mais aperfeiçoado frigorífico frascos e latas ainda intactos, ouvindo as últimas canções no último modelo de aparelho de rádio. Nos passeios, embrulhados em rígidos sacos de plástico, os restos da Leónia de ontem esperam o carro do lixo. »

São histórias que deflagram um pensar incessante, constituíndo exemplos do fluir da vida onde tudo muda ininterruptamente.
Por isso, o ideal é percorrer as cidades não fisicamente, mas com o pensamento, pois para compreendê-las é necessário manter o espírito em movimento, o olhar sempre novo e investigador.

Gostei bastante deste livro que, na sua simplicidade, é um bom exemplo do poder da palavra sobre a mente e de como a literatura pode fazer-nos viajar por mundos nunca antes vistos.

( 17º livro lido em 2009 ... 4091 páginas lidas )
" Para outras cidades recorre a descrições transmitidas de boca em boca, ou experimenta adivinhar baseando-se em escassos indícios: assim Granada, irisada pérola dos Califas, Lubeque belo porto boreal, Timbuctu negra de ébano e branca de marfim, Paris onde milhões de homens vão para casa todos os dias empunhando um cacete de pão. Em miniaturas coloridas o atlas apresenta lugares habitados de forma insólita: um oásis escondido numa prega do deserto de que apenas sobressaem as copas das palmeiras é de certeza Nefta; um castelo no meio das areias movediças e das vacas que roem prados salgados pelas marés não pode deixar de recordar o Monte Saint-Michel; e só pode ser Urbino um palácio que em vez de surgir dentro das muralhas de uma cidade contém uma cidade dentro das suas muralhas.
O atlas também apresenta cidades de que nem Marco nem os geógrafos sabem se existem e onde ficam, mas que não podiam faltar entre as formas de cidades possíveis: uma Cuzco de planta radiada e multipartida que reflecte a ordem perfeita das permutas, uma Cidade do México verdejante sob o lago dominado pelo palácio de Moctezuma, uma Novgorod com as cúpulas em bolbo, ou uma Lhassa que ergue os brancos telhados acima do tecto nebuloso do mundo. "

Italo Calvino in "As Cidades Invisíveis"

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Comecei a ler ...

" Marco Polo fala a Kublai Kan das cidades do Ocidente, maravilhando o imperador mongol com as suas descrições. Estas cidades, no entanto, existem apenas na imaginação do mercador veneziano: a sua vida encontra-se apenas dentro das suas palavras, uma narrativa capaz de criar mundos, mas que não tem forças para destruir «o inferno dos vivos». Este livro tem o lirismo dos livros de poemas, poemas que por vezes descrevem cidades e outras vezes a forma de pensar e de ser dos seus habitantes. Invertendo os papéis do Livro das Maravilhas, através do qual Marco Polo revelou o Oriente ao mundo ocidental, Calvino arquitectou o livro que o estabeleceria como uma das referências incontornáveis da literatura pós-moderna. "