sexta-feira, 31 de julho de 2009

Li "Barroco Tropical" de José Eduardo Agualusa e ...

Sinopse
" Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020. "


Ao longo de quase 350 páginas, e sempre com um tom de denúncia a espreitar por entre elas, Agualusa conta-nos várias histórias: sobre etnias e problemas étnicos ... ancestralidade ... África profunda ... o maravilhoso ... personagens absurdas ... esoterismo ... surrealismo !
Tal como nos livros anteriores, assistimos a uma mistura assombrosa entre ironia, realidade e lendas, em que tão depressa temos momentos de brilhante humor, como episódios verdadeiramente viscerais.

Assumidamente com pretensões a ser uma distopia, um olhar sobre o futuro, uma chamada de atenção para determinadas dinâmicas, a acção do romance decorre em 2020, o que permite ao autor traçar um retrato negro decalcado da actual sociedade angolana.
O facto de Luanda estar à frente do nosso tempo e continuar muito semelhante ao que dela julgamos saber hoje, denuncia a pouca fé do escritor no futuro, mostrando-nos uma cidade anárquica, selvaticamente civilizada, contraditória, corrupta, enorme foz onde desaguam sonho e desespero.

Todavia, se o quadro é sombrio, a escrita humorada e luminosa faz com que o livro se leia num ápice.
Gostei da exuberância desta obra que talvez por conter tão justamente a medida da vida parece ser maior do que ela.

( 27º livro lido em 2009 ... 6621 páginas lidas )
" ... as mulheres estão presas às estrelas por fios invisíveis ... A lua atrai as marés e faz com que as plantas se abram em flor. Essa mesma energia atravessa as mulheres. Harmonizadas com os astros, ainda que não o saibam, todas as mulheres têm vocação para o infinito. Os homens, pelo contrário, estão soltos no universo como gravetos num rio. Só as mulheres podem salvar os homens de se perderem no caos ... "

José Eduardo Agualusa in "Barroco Tropical"

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Li "Sinto Muito" de Nuno Lobo Antunes e ...

Sinopse

«Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta,como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba. O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda. O médico provoca o Criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.»

Recorrendo a uma escrita simples, intimista e pouco cerebral, Nuno Lobo Antunes leva-nos a viajar pelo interior do coração de um médico que sofre a dor com os seus pacientes.
Fruto da sua especialidade clínica ( neuro - oncologia pediátrica ), os temas tratados neste livro são tudo menos agradáveis - crianças e doenças terminais são, por natureza, quase incompatíveis, mas o autor consegue sempre extrair destas terríveis histórias de vida e morte um ensinamento ou uma reflexão que permite ao leitor encarar a tragédia com outros olhos.
Os textos desta obra, que remetem tantas vezes para a morte e que revelam uma combinação perfeita de objectividade clínica com sensibilidade artística, fazem-nos pensar no valor incalculável da vida, na sorte que temos de estar aqui e agora ...

( 26º livro lido em 2009 ... 6279 páginas lidas )
" Foi bonita a cerimónia. Estavas dentro de uma caixa azul. Mais pequena do que o costume. Azul, presumo, porque era a cor dos teus olhos e a cor do mar. O teu pai - imagina - durante a noite pintara no teu caixão os golfinhos de que tanto gostavas. Saltavam felizes os bichos. A teu lado rompiam ondas, e sorriam, só para ti, aquele sorriso enigmático de Gioconda. Percebi então que eras sereia, que o mar e o Céu são o mesmo, e que estavas feliz. Chorei tanto, Jennifer, tanto. ( ... ) "

Nuno Lobo Antunes in "Sinto Muito"
" ... existe uma lei de transformação profunda do homem que é o morre e vem a ser, através da qual se torna imperativo «passar de um nível de consciência a outro, morrer para certa ideia ou imagem de si mesmo para renascer numa outra imagem totalmente nova, totalmente outra ...
Daí o medo de dar o passo, de deixar o conhecido pelo desconhecido, pois para encontrar é preciso perder. Perder as suas seguranças, os seus pontos de referência. »
Desta forma, realizar esta descida ao interior de si mesmo e regressar triunfante, significa encarar de frente todos os nossos medos, as nossas perturbações, ilusões, fantasias, fobias, apegos desnecessários, para que, finalmente, possamos romper este véu que nos oculta a visão da esfera última, ... "

Bruno Miguel Nunes e Frederico Bérnard de Carvalho in "Do Secreto ao Discreto"

terça-feira, 28 de julho de 2009

Li "Firmin" de Sam Savage e ...

Firmin é uma ratazana que nasceu e cresceu na cave da Pembroke Books, uma livraria de um bairro antigo de Boston.
Por ter nascido perto dos livros aprendeu a ler e tornou-se, mais que um convencional rato de biblioteca, bem comportado e sem sonhos, numa verdadeira ratazana de alfarrabista, fantasioso e apaixonado.
Ao longo de muitas leituras e outras aventuras entre a livraria e uma sala de cinema, vamos tendo momentos agradáveis ( ainda que um pouco fastidiosos a partir de um certo ponto do enredo ) de boa literatura, deparando-nos com uma cultura underground, à margem de convenções, academismos ou preconceitos artísticos.

( 25º livro lido em 2009 ... 6033 páginas lidas )





Vejam aqui o trailer de apresentação do livro !


" Os meus repastos começaram por ser primitivos, orgíacos, desinformados - uma dose de Faulkner era para mim o mesmo que uma dose de Flaubert -, mas depressa detectei diferenças subtis. Primeiro reparei que cada livro tem o seu sabor - doce, amargo, agridoce, rançoso, salgado, picante. Notei ainda que cada sabor - e, com o passar do tempo, o sabor de cada página - trazia consigo uma quantidade de imagens, representações mentais de coisas sobre as quais eu nada sabia devido à pouca experiência que tinha do chamado mundo real: arranha-céus, portos, cavalos, canibais, uma árvore em flor, uma cama por fazer, uma mulher afogada, um rapaz voador, uma cabeça cortada, camponeses a olhar para um idiota a uivar, o apito de um comboio, um rio, uma barca, o sol filtrado por uma floresta de bétulas, uma mão acariciando uma coxa nua, uma cabana na selva, um monge moribundo. "

Sam Savage in "Firmin"

sábado, 25 de julho de 2009

Barcos é que somos



" A teu lado viajo.
Contigo navego.
Remos são as palavras
que te digo e escrevo.

Âncoras de ternura
com elas compomos
e mastros de espuma.

Barcos é que somos. "

Albano Martins in "Assim são as algas"

Li " Danças & Contradanças " e ...

Em " Danças & Contradanças " Joanne Harris conduz-nos numa valsa graciosa ao longo de 22 narrativas caracterizadas pela brevidade e condensação das intrigas e, principalmente, pelo carácter surpreendente dos temas escolhidos, muitas vezes ligados ao insólito e contendo inúmeros elementos inesperados, como por exemplo o Santo Graal da literatura, a última história do mundo em "Falso ouro" ou um aviário de pássaros mágicos em "Chá com pássaros".
É, pois, possível surpreender nestes textos uma preferência da autora por assuntos claramente marginais, conotados quer com o fantástico, quer com o maravilhoso, às vezes mesmo próximos do universo da ficção científica, a par de contos que tratam de questões ligadas aos afectos e à necessidade de felicidade da personalidade humana.

A temática mais ou menos fantástica surpreendeu-me em "O Curso de 1981", no qual durante um encontro gastronómico entre bruxas suburbanas deliciei-me com a existência de alimentos que alteram o estado das almas: a massa de trigo possui um yin excessivo que pode obscurecer a aura; a salada especial de vegetais e o seu efeito neutro sobre o karma ( as raízes, de um modo geral, são demasiado yang e os rabanetes têm alma ) ou até mesmo pizzas vegetarianas, que, embora potencialmente perigosas ( os hidratos de carbono desequilibram os chakras ), pelo menos têm a vantagem de serem saudáveis em termos de karma.

Também surgem ironias e críticas mordazes à sociedade contemporânea, aos costumes e comportamentos actuais de uma classe média alta em busca de fama e visibilidade mediática. Neste caso concreto, as mulheres são o alvo preferencial das censuras da escritora, tratadas como personagens tipificadas pela preocupação absurda e excessiva com o aspecto, a beleza, o sucesso, as roupas das marcas da moda e respectivos acessórios. Enfim, o retrato de uma sociedade fútil que vive de aparências e de ostentação, como a retratada em "Qualquer miúda pode ser uma Miúda-Bombom" ou "Um lugar ao sol", no qual deparamo-nos com praias no Brasil onde os banhistas são seleccionados de acordo com a idade e o aspecto e de onde os velhos, os feios e os gordos são banidos.

Do ponto de vista narrativo, observa-se uma preferência da autora por narrativas abertas, em que o final é um lugar de dúvida, de levantamento de hipóteses e possibilidades.

Sempre sagaz, Joanne Harris primou por um registo solto e descontraído, mas nem por isso ausente de emoção ou densidade.
Criou um livro de dicotomias em que o verso caminha de mãos dadas com o reverso; o imaginário com o real; o bem com o mal; o belo com o disforme; o vício com a virtude; o fascinante com o inquietante ...

( 24º livro lido em 2009 ... 5878 páginas lidas )
" Um conto surpreende, inflama, ilumina e impressiona de um modo que o formato mais longo não permite. É muitas vezes perturbador, frequentemente assustador ou subversivo. Faz interrogações, ao passo que a maior parte dos romances tende a dar-lhes resposta.
( ... )
Pessoalmente, acho que a escrita de um conto é difícil e lenta. Condensar uma ideia num espaço tão pequeno, manter as proporções, encontrar o tom, é simultaneamente exigente e frustrante. Enquanto demoro cerca de um dia a escrever quatro ou cinco mil palavras para um romance, posso demorar até duas semanas para concluir um conto com o mesmo número de palavras. "

Joanne Harris in "Danças & Contradanças"
" Mr. Fisher recordava-se do tempo, ainda não muito distante, em que os livros eram preciosos, em que as imaginações planavam nas alturas, em que o mundo transbordava de histórias que corriam como gazelas, saltavam como tigres e explodiam como foguetes, iluminando as mentes e os corações. "

Joanne Harris in "Danças & Contradanças"

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Não forces a tua inspiração



"Não forces a tua inspiração
Deixa a poesia vir naturalmente
e não obrigues a mentir o coração.

Procura ser espontâneo.
A verdadeira beleza
está no que o homem tem de semelhante
com a natureza."

Albano Martins in "Secura Verde ( 1950 )"
" Os pensamentos negativos não são mais do que isso, pensamentos. Não são barreiras intransponíveis, não são muralhas. Não são mais do que pedras no caminho e, como tais, podem ser superadas. A mente - já o disse várias vezes - pode ser domesticada, forjada e moldada, tal como a argila com a qual criamos as nossas primeiras figuras quando somos crianças. "

Penélope Parker in "Os homens ( às vezes, infelizmente ) voltam sempre"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

" Era essa tarde, já descaída em escuro. Ressalvo. Diz-se que a tarde cai. Diz-se que a noite também cai. Mas eu encontro o contrário: a manhã é que cai. Por um cansaço de luz, um suicídio da sombra. Lhe explico. São três os bichos que o tempo tem: manhã, tarde e noite. A noite é quem tem asas. Mas são asas de avestruz. Porque a noite as usa fechadas, ao serviço de nada. A tarde é a felina criatura. Espreguiçando, mandriosa, inventadora de sombras. A manhã, essa, é um caracol, em adolescente espiral. Sobe pelos muros, desenrodilha-se vagarosa. E tomba, no desamparo do meio-dia. "

Mia Couto in "O Fio das Missangas"

domingo, 12 de julho de 2009

Li "A Saga de um Pensador" e ...

Profunda e intensa, esta obra funciona como um bálsamo para a alma, renovando a nossa capacidade de sonhar e convidando à quebra de paradigmas.

Falcão, o mendigo pensador, filósofo das ruas, poeta e amante da natureza é o personagem que atravessa a vida de Marco Polo, jovem da elite social mas explorador de mundos, «detentor de sangue de um aventureiro, irreverência de um idealista e desprendimento de um poeta».

O enredo é fascinante e envolvente, incentivando à reflexão e participação sobre temáticas pouco valorizadas actualmente mas que deixam-nos mais ricos interiormente e conscientes do sentido das coisas.
Apercebemo-nos que estamos inseridos numa sociedade excessivamente preocupada com a «maquilhagem social», transformada num «mercado de tédio, sem beleza poética ou sensibilidade» e na qual deixamo-nos levar por valores supérfluos, por «pessoas que tentam conquistar o mundo exterior, mas não o seu mundo interior; que compram bajuladores, mas não amigos; roupas de grife, mas não o conforto».

Nesta história de esperança e luta contra as injustiças, reflectimos sobre o verdadeiro humanismo; o normal e a loucura ( pessoalmente, despertou-me a curiosidade para a leitura de "História da Loucura na Idade Clássica" de Foucault, obra que mostra as raízes antropológicas pelas quais se classifica um indivíduo como louco ); o ser humano enquanto alguém único e diferente; a gratidão; o respeito pelo outro; a tolerância e o preconceito; a beneficiência; a equidade; a injustiça e a solidariedade; a compaixão e a humildade; a dor e a morte; a luta pelos ideais de um agir adequado.

Igualmente leva-nos a ponderar sobre a importância de determinadas questões tais como a separação entre psiquiatria e psicologia; o namoro entre esta última e a filosofia; a cada vez mais poderosa indústria farmacêutica que necessita de uma sociedade doente para continuar a vender os seus produtos ou até mesmo a eterna construção da felicidade.

Gostei bastante deste livro que alerta-nos para a necessidade premente de modificarmos atitudes, preconceitos e vivências, de forma a continuarmos a ser os actores principais neste espectáculo que é a nossa vida.

( 22º livro lido em 2009 ... 5546 páginas lidas )

" Marco Polo completou :
- A felicidade não existe pronta, não é uma herança genética, não é um privilégio de uma casta ou camada social. A felicidade é uma eterna construção.
Respirando aliviada, ela indagou :
- Como posso construí-la ?
Como um contador de histórias que passeia pela psicologia, ele fitou os seus olhos e discorreu :
- Houve reis que tentaram aprisionar a felicidade com o seu poder, mas ela não se deixou prender. Milionários tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Famosos tentaram seduzi-la, mas ela resistiu ao estrelato. Sorrindo, ela sussurrou ao ouvido de cada ser humano: «Ei ! Procura-me nas decepções e dificuldades e, principalmente, encontra-me nas coisas anónimas da existência. » Mas a maioria não ouviu a sua voz, e entre os que a ouviram, poucos lhe deram credibilidade.
- Que lindo ! Fala mais sobre o que é ser feliz, meu imprevisível poeta.
- Ser feliz é ser capaz de dizer «eu errei», é ter sensibilidade para dizer «eu preciso de ti», é ter ousadia para dizer «eu amo-te». "

Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"
" A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de a realizar é lendo um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber
ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram:
No fundo, o leitor é o autor da sua história ... "

Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"

sexta-feira, 10 de julho de 2009

" Muitos dos que têm morada certa passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser. São forasteiros para si mesmos. Por isso, são incapazes de corrigir as suas rotas e superar as suas loucuras. "

Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"
" Mais sábios que os homens são os pássaros. Enfrentam as tempestades nocturnas, tombam dos seus ninhos, sofrem perdas, dilaceram as suas histórias. Pela manhã, têm todos os motivos para se entristecerem e reclamarem, mas cantam agradecendo a Deus por mais um dia. E vocês, portadores de nobres inteligências, que fazem com as vossas perdas ? "

Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Estou a ler ...

" Nascido na cave da Pembroke Books, uma livraria da Boston dos anos 60, Firmin aprendeu a ler devorando as páginas de um livro. Mas uma ratazana culta é uma ratazana solitária. Marginalizada pela família, procura a amizade do seu herói, o livreiro, e de um escritor fracassado. À medida que Firmin desenvolve uma fome insaciável pelos livros, a sua emoção e os seus medos tornam-se humanos. É uma alma delicada presa num corpo de ratazana e essa é a sua tragédia.

Num estilo ora sarcástico ora enternecedor, Firmin é uma história sobre a condição humana em que a paixão pela literatura, a solidão e a amizade, a imaginação e a realidade, fazem parte de um mundo que acarinhava os seus cinemas de reprise, os seus personagens únicos e a glória amarelada das suas livrarias. Firmin é divertido e trágico. Como todos nós. "



" - Marco Polo, o mundo em que você vive é um teatro. As pessoas frequentemente representam. Elas observam-se a todo o momento, esperando comportamentos previsíveis. Observam os seus gestos, as suas roupas, as suas palavras. A liberdade é uma utopia. A espontaneidade morreu. "

Augusto Cury in "A Saga de um Pensador"
"Os homens levaram milhares e milhares de anos a dar um nome a todas as plantas e a todos os animais da Terra, e ainda não acabaram. É por isso que o tempo que dura uma vida humana não chega para aprender tudo."

Jostein Gaarder in "Olá ! Está aí alguém ?"

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vou começar hoje a ler ...



" Um menino de oito anos está à espera da chegada de um irmãozinho que vai nascer ... Chama-se Joakim. Nessa noite fica sozinho em casa e é então que, ao olhar pela janela, vê outro menino pendurado de cabeça para baixo numa macieira do seu quintal. Acontece que esse outro menino, Mika, vem de um planeta distante e nasceu dentro de um ovo. Juntos interrogam-se sobre todos os mistérios que se escondem por detrás das coisas que o nosso olhar distraído considera «normais». Descobrem que mais importantes que as respostas são as perguntas e que tudo o que existe é um fragmento do grande enigma que ninguém consegue resolver. Naturalmente, também se divertem muito ... "

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Li "A Viagem do Elefante" e ...

O livro descreve a viagem simultaneamente épica, prosaica e jovial, de um elefante asiático chamado Salomão, que, no Séc XVI, por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa.
Além de Salomão também entra outro personagem chave na história que é o seu tratador ou "cornaca", o indiano Subhro, o qual funciona como elo de ligação entre o elefante, os restantes intervenientes no enredo e a acção propriamente dita.

A narrativa, considerada pelo seu autor como uma metáfora da vida humana, serve apenas como pano de fundo para que este exercite o seu mais fino humor e mordaz ironia relativamente à burocracia de Estado, corrupção intrínseca dos indivíduos e questões religiosas.

José Saramago é mesmo um monstro sagrado da literatura. Apesar da falta de pontuação assustar um pouco a princípio, o seu estilo de escrita é uma arte por si só, independentemente do enredo. Aliás, esses, pelo menos nos poucos livros que li dele ( "Jangada de Pedra" e "Ensaio sobre a Cegueira" ) são assustadoramente incomuns.

( 20º livro lido em 2009 ... 5051 páginas lidas )

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Comecei a ler ...



" Marco Polo é um estudante de Medicina, um espírito livre cheio de sonhos e expectativas. Ao entrar para a faculdade, é confrontado com uma dura realidade: a da insensibilidade e frieza dos seus professores, que não percebem que cada paciente é, mais do que um conjunto de sintomas, um ser humano com uma história complexa e única de perdas e desilusões.
Indignado, o jovem desafia profissionais de renome internacional para provar que os pacientes com perturbações psíquicas precisam de algo mais que remédios e diálogo - precisam de ser tratados como pessoas, como iguais. Numa luta constante contra a discriminação, Marco Polo vai provocando uma verdadeira revolução de mentalidades ... "