segunda-feira, 28 de setembro de 2009

No Chiado

"Dois poetas lado a lado
Se encontram nesta Lisboa
Um deles é o Chiado
Outro o Fernando Pessoa

O Chiado está sentado
Num banquinho de madeira
O Pessoa mais requintado
Já se senta numa cadeira

O Chiado usa boinico
E tem a cabeça ao léu
O Pessoa é mais rico
Por isso usa chapéu

O Chiado com certeza
Está só, de noite e de dia
Mas o Pessoa junto à mesa
Espera por uma companhia

Tão atractivo que até
Não há ninguém que não queira
Tomar com ele um café
Servido pela Brasileira"

Manuel Antunes Marques in "Poiesis - Volume I"

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Oscilando

" Não sei
Se sou da terra
Se do mar ...
De tal modo oscilando
Permaneço,
Que se num dia
Me sinto búzio ou concha
Sabendo a sal
Cheirando a maresia,
Noutro qualquer
Me reconheço
Como muguet ou malmequer,
Envolta na mais pura fantasia ! "

Maria José Norte in "Olhar Ver Sentir"

sábado, 19 de setembro de 2009

De livro debaixo do braço

" Ler por aí é um site de sugestões de leitura que convida os amantes de literatura a explorarem percursos e lugares onde têm lugar a acção dos seus livros preferidos. Mensalmente propõem uma leitura e um convite aos interessados para se juntarem em percursos literários organizados pelos mentores do site e explorarem a história dos lugares onde as acções e as personagens literárias evoluem. Setembro é a vez de O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler e de um percurso com início no Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama, terminando no Rossio, refazendo os passos de Berequias Zarco, o personagem do livro, e descobrindo a presença de símbolos hebraicos nas ruas da cidade. "

26 de Setembro, às 15h # 96 4095445

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Recusa do Mar

" Tenho no mar a força que me vem
Das entranhas, me anima a existência,
Me tonifica os dons da inteligência,
Me faz do sonho extático refém.

Oiço na voz do mar a voz do Além
Num apelo constante à minha essência;
De mim por ela tomo consciência
E da luta que travo com ninguém.

Sinto no mar, na sua imensidade,
A dimensão da minha eternidade
Que viso com empenho edificar ...

Mas a procura que não chega ao fim,
Que persisto fazer atrás de mim,
Essa resposta não ma deu o mar. "

Pinho Neno in "À Procura de Mim"