sábado, 26 de dezembro de 2009

Desafio '50 livros em 2009' concretizado !

Lembram-se do interessante desafio literário referente à leitura de 50 livros em 2009 ?
Pois é, desafio concretizado a 17 de Dezembro com a leitura de "Os da minha Rua" de Ondjaki ( 50º livro lido em 2009 ... 12315 páginas lidas ) ! ;)
Para 2010, avizinham-se outros tipos de objectivos, sobre os quais escreverei mais tarde !
" O poder que a dor da perda tem de perturbar a mente foi de facto observada até à exaustão. O acto de chorar a perda de alguém, disse-nos Freud no seu Luto e Melancolia de 1917, «envolve desvios graves da atitude normal perante a vida». No entanto, observa ele, a dor da perda continua a ser considerada à parte dos outros distúrbios: «Nunca nos ocorre considerá-la uma situação patológica e enviá-la para tratamento médico.» Em vez disso, confiamos que «será ultrapassada após um certo lapso de tempo». Consideramos «qualquer interferência inútil e até prejudicial». Melanie Klein, no seu Mourning and Its Relation to Maniac-Depressive States, de 1940, faz uma afirmação semelhante: «Quem chora uma perda está, de facto, doente, mas, porque este estado mental é vulgar e nos parece muito natural, não classificamos de doença o acto de chorar essa perda ...
Para expressar a minha conclusão de forma mais exacta diria que, no acto de chorar a perda, o sujeito passa por um estado maníaco-depressivo modificado e transitório e supera-o. "

Joan Didion in "O Ano do Pensamento Mágico" ( 49º livro lido em 2009 ... 12191 páginas lidas )

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Li "A elegância do Ouriço" e ...

Em "A elegância do Ouriço", Muriel Barbery consegue formidavelmente reunir representantes das diversas classes sociais de França, os quais convivem na pacata rotina de um prédio rico e tradicional.
É neste exemplar da sociedade francesa, recheado de moradores ricos, snobes, egoístas e preconceituosos, que destacam-se duas pessoas: a porteira Reneé Michel e a pequena Paloma Josse.
A primeira, longe de corresponder aos estereotipos sociais a que se associa a sua função ( nutre em segredo um amor extremado às letras e às artes ) tenta manter a todo o custo uma imagem credível. Já a pequena Paloma é a típica criança incompreendida, filha de uma figura proeminente da política e de uma mãe dondoca, que procura descobrir algum sentido na vida, caso contrário cometerá suicídio no seu aniversário de treze anos.
Ambas, cada qual no seu universo particular, são observadoras refinadas da natureza humana nas suas mais diversas facetas.
E é quando um novo habitante, Kakuro Ozo, chega ao prédio, que estes dois mundos paralelos, inicialmente separados, encontram-se. Em pouco tempo, este personagem descobre segredos e cria amizades/cumplicidades estranhas, através de uma grande qualidade sua - ver para além da superfície.

A dinâmica da história é extremamente interessante, porque, ao ser contada na primeira pessoa e a duas vozes, o ritmo torna-se rápido e sugere que penetramos nas mentes de Reneé e Paloma.

Gostei imenso da leitura deste romance, o qual através de uma elegância muito própria alterna quotidiano e evasão, banal risível e sonho filosófico.

( 46º livro lido em 2009 ... 11361 páginas lidas )
"A senhora Michel tem a elegância do ouriço: exteriormente, está coberta de espinhos, uma autêntica fortaleza, mas pressinto que, no interior, também é tão requintada como os ouriços, que são uns animaizinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."

Muriel Barbery in "A elegância do Ouriço"
" Para que serve a Arte ? Para nos dar a breve mas fulgurante ilusão da camélia, ao abrir no tempo uma brecha emocional que parece irredutível à lógica animal. Como nasce a Arte ? Nasce da capacidade que o espírito tem de esculpir o domínio sensorial. O que faz a Arte por nós ? Dá forma às nossas emoções e torna-as visíveis e, ao fazê-lo, apõe-lhes o selo de eternidade que ostentam todas as obras que, através de uma forma particular, sabem encarnar a universalidade dos afectos humanos.
( ... )
... Não tarda a aspirarmos a um prazer sem procura, a sonharmos com um estado de beatitude que não comece nem acabe e onde a beleza deixe de ser fim ou projecto e passe a ser a própria evidência da nossa natureza. Ora, esse estado é a Arte.
( ... )
... a Arte é a emoção sem o desejo. "

Muriel Barbery in "A elegância do Ouriço"

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

" Tinha eu então trinta anos, e era tenente da marinha, quando me encarregaram de uma missão astronómica na Índia central.
( ... )
Seriam necessários vinte volumes para contar essa viagem. Atravessei regiões inverosivelmente magníficas; fui recebido por príncipes de uma beleza sobrehumana e vivendo numa incrível magnificência. Pareceu-me, durante dois meses, que caminhava num poema, que percorria um reino de fadas sobre o dorso de elefantes imaginários. Descobria no meio de florestas fantásticas, ruínas espantosas; encontrava em cidades de uma fantasia de sonhos, prodigiosos monumentos, finos e burilados como jóias, ligeiros como rendas e enormes como montanhas, esses monumentos fabulosos, divinos, de um encanto tal que nos apaixonamos pelas suas formas tal como nos enamoramos de uma mulher, e que se experimenta ao vê-los um prazer físico e sensual. Enfim, como disse Victor Hugo, eu andava acordado dentro de um sonho. "

Guy de Maupassant in "Chali"

sábado, 5 de dezembro de 2009

Where Books Come To Life



Genial este filme produzido pela Colenso BBDO Animated para a NZ Book Council ! ;)