quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Em movimento

" Uma mulher em movimento é uma mulher interessante. Ela tem sempre imensas coisas para fazer, e, quando não tem, inventa. Ela tem amigas com quem almoça todas as semanas, dois ou três amigos de grande confiança e acima de qualquer suspeita com quem vai jantar uma vez por mês, ela trabalha, ela vai à ginástica, ela vai ao cabeleireiro, ela tira cursos de teatro, de comida oriental e de linguagem gestual, tudo isto enquanto deixa os filhos na natação, ela gosta de ir ao teatro, ela vai a exposições, numa palavra, ela tem vida própria.
As mulheres em movimento são mais difíceis de controlar, porque mudam de interesses com facilidade: hoje querem aprender krav-magga, amanhã interessam-se por pintura a óleo. Mas têm uma enorme qualidade: estão sempre ocupadas. E quando têm tempo para um homem é porque ele é mesmo importante. Senão, tinham mais que fazer.
Por outro lado, uma mulher em movimento aguça a concentração masculina. O simples facto de um homem não saber o que é que ela poderá estar a fazer naquele exacto momento - pode estar numa aula de ioga, nos saldos com as amigas ou em casa a ler um livro - faz com que ele a valorize. Porquê ? Porque sente que não a tem na mão, mesmo que se trate de uma namorada devota ou de uma mulher fiel. A ideia de as mulheres terem a sua vida é algo que fascina os homens ao mesmo tempo que os assusta. Os mais corajosos aceitam o desafio, enchem o peito de ar e dão o seu melhor. Os mais comodistas optam por uma sossegadinha, daquelas que organizam a vida em função dos interesses do seu par e que estão sempre em casa à espera que ele volte, com um prato de comida quente e um sorriso submisso.
A mulher quieta até pode ser a dona de casa modelar e a mãe ideal para os filhos, mas tanta simplicidade cansa ... A não ser que este seja do género paz-de-alma ou já tenha literalmente encostado às boxes, uma mulher quieta pode tornar-se uma grande maçada."

Margarida Rebelo Pinto in "Onde reside o amor"

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