sábado, 20 de novembro de 2010

"Jung associa o inconsciente à alma, pelo que quando nos esforçamos por viver uma vida perfeitamente consciente num mundo intelectualmente previsível, resguardado de todos os mistérios e acomodado à conformidade, desperdiçamos as oportunidades que a vida diária nos oferece para ter uma vida plena e intensa. O intelecto quer conhecer; a alma gosta de ser surpreendida. O intelecto, cujo olhar está dirigido para o exterior, deseja ser iluminado e sentir o prazer de um entusiasmo intenso. A alma, constantemente virada para dentro, busca a contemplação e a experiência mais imaterial e mais misteriosa do mundo inferior.
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O intelecto deseja um significado sumário - muito adequado à natureza pragmática do espírito. A alma, no entanto, anseia por uma reflexão profunda, por muitos níveis de sentido, cambiantes infinitos, referências e alusões e prefigurações.
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É frequente o intelecto exigir provas de que se encontra em terreno firme. O pensamento da alma encontra as suas raízes de um modo diferente. Agrada-lhe a persuasão, a subtileza de análise, uma lógica interna e a elegância. Gosta do género de discussão que nunca é dada por concluída, que termina com o desejo de prolongar o diálogo ou a leitura. Sente-se satisfeito com a incerteza e a dúvida e, especialmente em assuntos de natureza ética, escrutina, questiona e continua a reflectir mesmo depois de as decisões terem sido tomadas."

Thomas Moore in "O Sentido da Alma"

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