quarta-feira, 31 de março de 2010

Storybook

"Storybook" from Jeanette Woitzik

"O livro é uma extensão da memória e da imaginação."
Jorge Borges

segunda-feira, 29 de março de 2010

A leitura pelo pincel de Édouard Manet



Três quadros do pintor impressionista francês Édouard Manet, onde a leitura é uma presença comum !

sábado, 27 de março de 2010

Li "As Bicicletas em Setembro" de Baptista-Bastos e ...

Bicicletas em Setembro ... jogos de imaginação da infância, quando, aos olhos de qualquer criança, as nuvens fazem desenhos, de bicicletas, por exemplo. ;)

Existe neste livro uma mistura de sonho e realidade, ao longo do qual deparei-me com diversos episódios insólitos e imprevisíveis que caracterizam bem a imaginação e o espírito de humor do autor.

Logo no início da obra vi-me perante uma imagem poderosa de cavalos apocalípticos, sem cavaleiros, correndo endoidecidos para a morte, sob uma terrível tempestade. Esta cena funcionou como uma espécie de prenúncio para a natureza dos acontecimentos que iriam decorrer. Acontecimentos cuja dramaticidade se joga entre os pequenos dramas do quotidiano, a perversidade dos homens, as invejas, a intromissão inoportuna e cruel na quietude dos outros e a morte que pode ser física, mas a mais trágica, a morte dos sentimentos, da confiança no ser humano, a morte destruição dos sonhos, a morte isolamento, a morte solidão.

Este foi o primeiro romance que li de Baptista-Bastos e fiquei encantada com a exuberância das suas imagens e lirismo na expressão de afectos.
Sem dúvida, um notável romancista !

( 8º livro lido em 2010 ... 1349 páginas lidas )

quarta-feira, 24 de março de 2010

"Os sonhos não devem ser revelados. Dá azar contar os sonhos. Os sonhos pertencem a quem sonha. É a única coisa que ninguém pode roubar aos outros. Talvez seja por isso que os sonhos não têm voz: receiam que os usurpem."

Baptista-Bastos in "As Bicicletas em Setembro"

terça-feira, 23 de março de 2010

Li "As Esquinas do Tempo" e ...

Após algumas reticências iniciais, constituiu para mim uma agradável surpresa este primeiro romance que li de Rosa Lobato de Faria.
O livro surge como uma reflexão sobre o tempo que é, segundo as palavras da própria, "uma coisa muito misteriosa".
Explora-se assim este tema com as suas encruzilhadas e transformações no ser humano, através da personagem Margarida, uma jovem professora de Matemática, enquadrada na Casa da Azenha ( uma espécie de portal do tempo ).

Foram 207 páginas que fizeram-me pensar: E se fosse possível virar uma esquina no tempo e encontrar rostos e vidas que nos são familiares num outro contexto, numa outra vida ? ;)


( 6º livro lido em 2010 ... 1101 páginas lidas )

domingo, 21 de março de 2010



"Outras interrogações a assolavam como, por exemplo, se as pessoas que consideramos geniais não serão apenas viajantes de tempos mais avançados que sabem aquilo que ainda não sabemos."

Rosa Lobato Faria in "As Esquinas do Tempo"

sábado, 13 de março de 2010

Jonathan Wolstenholme







Descubram mais aqui sobre Jonathan Wolstenholme !
"Eu, que gosto tanto do mar e da sua voz que por vezes adivinho até no encandeamento obscuro dos meus sonhos, tenho por hábito passear sozinho ao longo da praia, de onde posso admirá-lo ou ficar a ouvi-lo sob a luz branca dos fins de tarde. Vou por ali fora, sozinho, entregue aos meus pensamentos, caminhando ao rés das fímbrias de água que as ondas baldeiam sobre a areia húmida, tornando-a plana e lisa como vidro. Recebo do mar a sua paz azul que me entra pelos olhos e que enche de inconfessáveis segredos o meu coração. Sinto-a como um suspiro na pele. A voz do mar traz até mim essa música do indefinido que por certo existe por detrás do silêncio, nas regiões da alma e no limite extremo do ser."

João de Melo in "As coisas da alma"

segunda-feira, 8 de março de 2010

" Histórias dos meus filhos "

" Parti em missão para Cabo Verde com o meu marido ( também enfermeiro ) e com os meus dois filhos ( Ana Cristina de 2 anos e João Miguel de 4 anos ). As crianças depressa se ambientaram, aprenderam o crioulo e fizeram amigos entre a criançada da vizinhança. Como estavam já habituadas à cor achocolatada da raça negra, pois temos vários amigos africanos em Portugal, nunca tinham comentado ou feito perguntas acerca da cor da pele. Um dia, quando pela centésima vez disse ao meu filho que pusesse o boné porque o Sol estava muito forte, ele olhou-me muito sério e perguntou:
«Oh mãe ... tu gostas de meninos pretos ?»
A minha alma caiu-me aos pés, pois comecei logo a imaginar que alguém andara a incutir ideias racistas na cabecinha do meu filhote. Mas respondi com a calma de que fui capaz:
«Gosto, filho! De meninos negros, brancos, amarelos, vermelhos, grandes, pequenos, gordos, magros ... mas porque é que perguntas ?»
«É que os meus amigos são pretos e agora que eu já sei falar crioulo, nunca mais ponho o boné porque também quero ser preto e virar crioulo. Assim, o Sol ta 'quemá-me e um dia m'ta' será criol. "

Relato de Inga Butt e Maria Glória Durão Butt em Cabo Verde in "Histórias para não adormecer - Relatos dos voluntários da AMI em diversos pontos do mundo"