terça-feira, 27 de julho de 2010

Sopro

"Passas como passa
O riso do vento
Mas na tua graça
Não há pensamento.

Porém, sem teu riso,
Que seria a graça
Do meu pensamento ?

Pedro Homem de Mello in "Jardins Suspensos 1937"

sábado, 17 de julho de 2010

Cisne

"Amei-te ? Sim. Doidamente !
Amei-te com esse amor
Que traz vida e foi doente ...

À beira de ti, as horas
Não eram horas: paravam.
E, longe de ti, o tempo
Era tempo, infelizmente ...

Ai ! esse amor que traz vida,
Cor, saúde ... e foi doente !

Porém, voltavas e, então,
Os cardos davam camélias,
Os alecrins, açucenas,
As aves, brancos lilases,
E as ruas, todas morenas,
Eram tapetes de flores
Onde havia musgo, apenas ...

E, enquanto subia a Lua,
Nas asas do vento brando,
O meu sangue ia passando
Da minha mão para a tua !

Por que te amei ?
- Ninguém sabe
A causa daquele amor
Que traz vida e foi doente.

Talvez viesse da terra,
Quando a terra lembra a carne.
Talvez viesse da carne
Quando a carne lembra a alma !
Talvez viesse da noite
Quando a noite lembra o dia.

- Talvez viesse de mim.
E da minha poesia ..."

Pedro Homem de Mello in "Adeus - 1951"

sábado, 10 de julho de 2010

Experimente o novo

"Há um ditado que diz: «Quando se faz sempre o que se fez, ter-se-à sempre o que sempre se teve.» Mudanças demandam mudanças e exigem de nós novas formas de pensar, novas aprendizagens. Mudar um padrão de comportamento não é uma coisa simples, é preciso deixar hábitos antigos, já adquiridos, e passar a adoptar novos comportamentos. E isso, por vezes, provoca um certo medo.
Pense no trapezista e no trapézio. Ele quer alcançar o segundo trapézio, mas só pode fazer isso quando larga o primeiro. Quando larga o primeiro, fica no ar durante um instante e esse momento no espaço parece durar uma eternidade. Definitivamente, o trapezista não consegue alcançar o segundo trapézio enquanto não largar o primeiro.
A aprendizagem acontece no momento em que você está solto no espaço. É preciso esquecer as antigas atitudes, as velhas formas de fazer as coisas, independentemente de elas serem confortáveis e familiares.
A maioria de nós faz o que sempre fez, devido à atracção, à sedução do que já nos é conhecido."

Alexandre Rangel in "O que podemos aprender com os gansos"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Nunca deve desistir das suas ideias

"Conta a lenda que um príncipe ia ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, deveria casar-se. Sabendo disso, ele lançou o seguinte desafio ao grupo de jovens do seu reino que se lhe havia apresentado:
- Darei a cada uma de vós uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me apresentar a mais bela flor será a minha esposa.
O tempo passou e uma das jovens, a mais humilde delas, apesar de não ter muita habilidade para as artes da jardinagem, cuidava da sua sementinha com muita paciência e ternura, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, não precisaria de se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada germinou. Passaram-se os seis meses e ela nada havia conseguido, a semente não germinou. Porém, consciente do seu esforço e dedicação, compareceu no palácio, na data e hora marcadas. E lá estava a jovem, com o seu vaso de flores vazio, junto de todas as outras pretendentes, cada qual com uma flor mais bela do que a outra.
O príncipe observou cada uma das pretendentes, com muito cuidado e atenção, e anunciou que a jovem que trazia o vaso vazio era a escolhida. Seria ela a sua futura esposa. Ninguém compreendeu porque tinha ele preferido, justamente, a jovem que nada havia trazido ! Então, calmamente, esclareceu:
- Esta foi a única que trouxe a flor que a tornou digna de se tornar imperatriz, a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
Nunca deve desistir das suas ideias. Acredite nelas e trabalhe."

Alexandre Rangel in "O que podemos aprender com os gansos"