sábado, 23 de abril de 2011

Li "O Culto do Chá" de Wenceslau de Moraes e ...

Sinopse:

"Abordado não como objecto sociológico, e sim como fenónemo poético, O Culto do Chá, um dos mais belos livros de Wenceslau de Moraes, não é, literariamente, uma simples aguarela: antes é a confissão plena de um ocidental que, de maneira consciente e de si encantado, se submerge na porcelana-efusão de um outro modo qualitativo de se ser pessoa. Poder-se-á dizer, sem qualquer exagero, que O Culto do Chá se assume como a transfiguração do homem ocidental no homem oriental, não num processo de apagamento, e sim num acto de confraternização. Todo um ritual, como um aroma, se eleva destas páginas que o tempo subtilmente amadureceu: é a paisagem, a recolha das folhas, a efusão, os 75 a 300 gestos com que a bebida é ofertada, os recipientes de milénios, a conversa nas esteiras - e, por fim, a sede de beleza que jamais se apaga em quem assim se dá ao culto de sorver o chá."



A minha opinião de leitura:

As descrições iniciam-se com o seu cultivo nos campos que, segundo o autor, "são cuidados como jardins, em longos alinhamentos de arbustos, copados, arredondados, lembrando enormes manjericos" e onde as mulheres japonesas com os seus "dedos róseos, miudinhos, a escorrerem de orvalho e multiplicando-se em gestos delicados, vão colhendo os rebentos tenros de chá."

Descreve, depois, sempre num discurso poético e muito colorido, todo o processo de fabrico, onde "o chá é escolhido, escaldado, posto a secar, grelhado em fornos, enroladas as folhas ou reduzido a pó, depois empacotado, guardado em latas, em caixas, em boiões. Um melindroso amanho que requer mãos incansáveis, dedos prestimosos, cuidados inauditos, segredos de processo."

Mas o ritual do culto do chá não se fica por aqui, muito pelo contrário, vai atingir a sua maior plenitude, quando chega aos seus consumidores e a bebida é ofertada, multiplicando-se então em gestos sem conta, numa cerimónia onde o primor da cortesia e o convívio social fazem a apologia do seu culto ( chanoyu ).

Wenceslau de Moraes preferiu abordar O Culto do Chá não como sociólogo mas antes como poeta: exalta a beleza da terra, as moças formosas apanhadeiras de chá, a alegria das cantigas, a folia, o perfume do campo, a linha nobre dos ritos, preocupado apenas com os aspectos humanos e com a poesia íntima das coisas.

É um livro extremamente interessante sobre a arte do chá, e no qual está contida toda uma essência poética e mística que nos abre as portas para que conheçamos os japoneses.

Adorei este belo poema em prosa que alude ao encantamento do Japão, ao fascínio da mulher japonesa, à beleza de idílicas paisagens, à poesia da vida e ao mistério de antigas lendas.

Enfim, uma obra que desperta os nossos sentidos ! ;)

( 18º livro lido em 2011 ... 2652 páginas lidas )

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