domingo, 26 de junho de 2011

"E o tecelão disse,
Fala-nos das Roupas.
E ele respondeu:

As vossas roupas ocultam muita da vossa beleza,
no entanto não ocultam a fealdade.
E embora procureis no vestuário
a liberdade da privacidade, podereis encontrar nele grilhetas.
Pudesseis vós enfrentar
o sol e o vento com mais pele e menos vestuário.
Pois o sopro da vida está na luz do sol
e a mão da vida, no vento.

Alguns de vós dizeis,
«Foi o vento do norte que teceu as roupas que vestimos.»
E eu digo,
ah, sim, foi o vento do norte, mas a vergonha era o seu ofício
e o amolecimento dos tendões o seu tear.
E depois de acabar o seu trabalho foi-se rir para a floresta.

Não esqueçais que a modéstia
é um escudo contra o olho do impuro.
E quando o impuro deixar de o ser,
que será a modéstia senão um entrave do espírito ?

E não vos esqueçais que a terra adora sentir os vossos pés nus,
e os ventos anseiam por brincar com os vossos cabelos."

Kahlil Gibran in "O Profeta"

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