domingo, 5 de junho de 2011

"Foi portanto Fedro, como digo, o primeiro a apresentar o seu discurso, começando mais ou menos por afirmar que «o Amor era um grande deus, um deus extraordinário aos olhos dos homens como dos deuses, por muitos e variados motivos, entre os quais avultava o da sua origem.»
Efectivamente - prosseguiu - as honras de que goza devem-se ao facto de se incluir entre os deuses mais antigos, e a prova é que não teve pais nem há poeta ou prosador algum que fale deles. Hesíodo, por exemplo, diz que primeiro surgiu o Caos,

... depois a Terra de vasto seio, suporte inabalável de tudo e o Amor ...

E com Hesíodo concorda Acusilau, que também diz que a seguir ao Caos vieram estes dois, a Terra e o Amor. Por sua vez Parménides, ao falar da Geração, afirma:

... pensou primeiro no Amor antes de todas as divindades.

E assim em variadas fontes há acordo em reconhecer que o Amor se conta entre as divindades mais antigas. Ora, é em virtude desse estatuto que dele nos provêm os maiores benefícios."

Platão in "O Banquete"

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