segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Li "Marca de Água" de Joseph Brodsky e ...

O que leva uma pessoa a voltar repetidamente a um lugar ?

Neste belíssimo exercício de imaginação poética, o poeta russo Joseph Brodsky dá-nos a conhecer uma Veneza captada por todos os seus sentidos durante as suas férias de Inverno !
Saída de sonhos em preto e branco assistimos à sua materialização em matizes de cinza, a cor do Inverno.

Repleta de imagens formadas por associações bastante livres, gostei particularmente de uma em que a cidade surge transfigurada numa gigantesca orquestra: "Parece de facto o papel de música, carcomido nas margens, de uma peça constantemente a ser tocada, chegando-nos em partituras de marés, em compassos de canais pontuados pelos inúmeros obbligati das pontes, das janelas com seus painéis, ou dos remates curvos das catedrais de Coducci, para já não falar do pescoço de violino das gôndolas. De facto, a cidade inteira, em particular de noite, faz lembrar uma gigantesca orquestra, com as estantes de música debilmente iluminadas dos palazzi, com um coro agitado de ondas, com o falsete de uma estrela no céu de Inverno. A música transcende, como é óbvio, os que a executam, e não há mão que saiba virar a página."

Apesar de ser suspeita, uma vez que Veneza é uma das cidades da minha vida, adorei e identifiquei-me com a forma como o autor conseguiu torná-la única, distante daquela que aparece nos guias turísticos.

Altamente recomendável a todos os apaixonados por esta fascinante cidade italiana ... ;)

(66º livro lido em 2011 ... 10.865 páginas lidas)

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