domingo, 24 de junho de 2012

"Nos olhos de Isa a chuva grita e a noite
acende fogueiras.

Os meus olhos param. Nos olhos de Isa.

Oh, nos olhos de Isa espreguiça-se a madrugada
e o vento acorda para ajudar os pássaros a voar
e as árvores a acenar-lhes uma bandeira de folhas, uma tristeza verde.

Nos olhos de Isa.

Nos olhos de Isa a manhã explode num inferno de estrelas,
num clarão de silêncio, em estilhaços de rosas, pétalas de sombra.

Nos olhos de Isa os poetas vagueiam num bosque de mel
onde as abelhas constroem a tarde
desesperadamente.

Nos olhos de Isa ninguém repara
na minha solidão."

Joaquim Pessoa  em "Os Olhos de Isa"

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