sábado, 24 de novembro de 2012

"Quatro Sonhos"

"Sonho 1: O que vejo é uma espécie de lavoura celeste, astros abrindo sulcos no negrume do espaço sideral, uma cornucópia de cometas espalhando fogo pela galáxia e eu lá no meio, imóvel como o bebé cósmico de 2001, assistindo a tudo na plateia do universo, as várias dimensões da realidade sobrepondo-se - quarks, electrões, átomos, moléculas, células, gases a temperaturas inauditas, matéria incandescente, estrelas a nascer e a morrer, explosões de supernovas - e depois a fusão de tudo, um colapso da frente para trás, o big bang ao contrário, o silêncio do nada, o vazio anterior ao verbo divino e ao instante zero, uma escuridão que é só uma luz demasiado forte."
 
José Mário Silva  em "Quatro Sonhos"

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