terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Borges

"Procuravas nos versos a entrada
de um labirinto sempre sem saída.
Nisso foste gastando a tua vida
como se nela não houvesse nada
 
mais precioso do que a melodia
ditada pelos sons do alfabeto.
Era o teu reino mágico e secreto,
o império de um cego que sabia
 
ver melhor que ninguém a luz da lua,
a sua claridade cor de prata
onde se projectava a imediata
transparência do mundo. Essa era a tua
 
maneira de atingires o mais divino
reflexo de um espelho imaginário,
o rosto do maior adversário
dentro e fora de ti, ó argentino
 
poeta que sofreste algures o lento
remorso de não teres sido feliz.
Uma vida é assim, Jorge Luis:
versos, poeira, sonho e esquecimento."
 
Fernando Pinto do Amaral  em "Saídas de Emergência"
 

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