quarta-feira, 12 de março de 2008

" Solidão É Independência ! "


" Solidão é independência, eu tinha-a desejado e adquirido no decorrer de longos anos. Era fria, oh! se era, mas também era calma, maravilhosamente calma, e imensa como o espaço frio e calmo em que giram os astros. "


" O Homem do Poder destrói-se pelo poder, o Homem do dinheiro, pelo dinheiro, o subserviente pelo servir, o sequioso de prazer pela luxúria. E o Lobo das Estepes, esse, destruiu-se pela independência. Atingira o seu objectivo, ganhara uma independência cada vez maior, não tinha ninguém a comandá-lo, ninguém a quem se submeter, dispunha por si só, livremente, do que fazia e do que não fazia. "


Hermann Hesse in " O Lobo das Estepes "

segunda-feira, 10 de março de 2008

" IL SORRISO "


Creio que foi o sorriso,

o sorriso foi quem abriu a porta.

Era um sorriso com muita luz

lá dentro, apetecia

entrar nele, tirar a roupa, ficar

nu dentro daquele sorriso.

Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


Eugénio de Andrade in " Corpo de Amor "

domingo, 9 de março de 2008

" O Vendedor de Passados "



Através de uma ideia perigosamente arriscada, cativante e extravagante, somos genialmente conduzidos ao longo desta narrativa pelas palavras de uma osga.


Surge-nos um enredo que mais não é uma crítica política e social à emergente sociedade urbana de Angola. Félix Ventura é um genealogista cuja função é a de inventar genealogias de luxo aos novos ricos angolanos, que o que têm em dinheiro e poder não o têm em passados felizes e consistentes.


Este Romance é também uma reflexão sobre os truques da memória e suas verdades ou não-verdades ; a construção do passado e a importância de mantermos a autonomia da nossa própria identidade.




" Podem argumentar que todos estamos em constante mutação. Sim, também eu não sou o mesmo de ontem. A única coisa que em mim não muda é o meu passado: a memória do meu passado humano. O Passado costuma ser estável, está sempre lá, belo ou terrível, e lá ficará para sempre. "

José Eduardo Agualusa in " O Vendedor de Passados "

sábado, 8 de março de 2008

8 De Março ... Dia Da Mulher !


E Porque hoje é o Dia da Mulher ...


" As Mulheres da Casa do Tigre "

Marion Zimmer Bradley


Grandiosidade mítica, rituais mágicos, esoterismo e três grandes Mulheres detentoras de poderes, constituem os principais ingredientes desta receita de sucesso que dá pelo nome de " As Mulheres da Casa do Tigre ".

A acção decorre em Merina, cidade-naval ameaçada não só pela sede de poder do Imperador Balthasar, mas principalmente pela sombra negra do seu Mago Cinzento e terrível necromante, Apolon.

Sob uma perspectiva feminina, assiste-se a um constante duelo entre os poderes das Trevas e as relíquias da Luz, até ao grande momento da Batalha final, travada não entre Homens mas entre forças.

Uma vez mais, um grande Romance de Marion Zimmer Bradley.

" Ideias Viciantes ... Sensações Extenuantes "


" Sim, por vezes a ideia mais louca, a ideia aparentemente mais impossível, crava-se-nos de tal modo na cabeça que acabamos por vê-la como algo de muito possível ... Mais ainda: quando à ideia se junta um desejo forte e apaixonado, então é possível tomá-la por algo de fatal, necessário, predestinado, por algo que não pode deixar de acontecer ! "


" ... , depois de experimentar tantas sensações, a alma não se sacia mas apenas se irrita com elas e exige mais e mais sensações, cada vez mais, até à extenuação definitiva . "



Fiódor Dostoiévski in " O Jogador "

sexta-feira, 7 de março de 2008

" 21 Maravilhas de Portugal, 21 Maravilhas do Mundo "

E já que se fala na Arte de Viajar, não é nada má ideia dar uma espreitadela num livro que "descobri" há dias na Biblioteca Municipal de Oeiras !
Bastante original, o " 21 Maravilhas de Portugal, 21 Maravilhas do Mundo " é uma publicação independente do Editor Centro Atlântico.
" Um livro de bolso invulgar que ao convidar o leitor a documentar-se na Internet sobre as Maravilhas do Mundo, acaba por fazer muito mais: motiva e desafia-o a partir à descoberta, real, do melhor que a raça humana soube construir ao longo dos últimos séculos. "


Aqui vão as minhas preferidas:



Castelo de Neuschwanstein
Fussen, Alemanha


http://neuschwanstein.com/
http://castles.org/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neuschwanstein





Machu Picchu
Perú


http://machupicchu.perucultural.org.pe/
http://agutie.homestead.com/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu





Castelo de Óbidos
Óbidos, Portugal



http://cm-obidos.pt/
http://ippar.pt/



Palácio Nacional da Pena
Sintra, Portugal



quinta-feira, 6 de março de 2008

" A Arte de Viajar "



A Arte de viajar é uma arte de admirar, uma arte de amar. É ir em peregrinação, participando intensamente de coisas, de factos, de vidas com as quais nos correspondemos desde sempre e para sempre. É estar constantemente emocionado ...

...


Cecília Meireles in " Uma hora em San Gimignano, de Crónicas de Viagem I "

quarta-feira, 5 de março de 2008

" Sputnik, Meu Amor "


Impulsionados pelo seu enfeitiçador registo literário, somos poeticamente conduzidos por Haruki Murakami pelo percurso sinuoso do amor impossível, da incerteza da paixão humana, da demanda de algo inatingível.

Conciliando uma escrita madura e linear com personagens densas que compõem o triângulo amoroso deste romance, sentimo-nos desde logo envolvidos por um enredo marcado pelo mistério, por espíritos que demarcam-se do corpo vagueando noutras dimensões, por uma magnetizante miscelânea entre a realidade e a fantasia, a veracidade e o fantástico, o real e o imaginário.

O seu enigmático final em aberto proporciona a cada um de nós, leitores, uma rara oportunidade de " dar asas à imaginação " criando nas nossas mentes " aquele desenlace " que melhor se coadunará com a leitura que cada um fez da obra !

" Lua Adversa "


Tenho fases, como a Lua.

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua ...

Perdição da minha vida !

Perdição da vida minha !

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.


E roda a melancolia

seu interminável fuso.


Não me encontro com ninguém

( tenho fases, como a Lua ... ),

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua ...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu ...


Cecília Meireles in " O Instante Existe "

" O Velho Que Lia Romances de Amor "


Luis Sepúlveda, através das suas férteis descrições, povoa a nossa imaginação com imagens coloridas e surreais da Amazónia e seu povo autóctone. Através das suas palavras sentimo-nos parte integrante de um inebriante poema visual onde a beleza do mundo natural ocupa um lugar destacado.

Entre a figura de José Bolívar, fio condutor desta narrativa, e uma onça selvagem, surgem um paralelismo e um entendimento mútuo, apenas explicáveis como reacção a uma bárbara intromissão dos " gringos " nos seus respectivos habitats.

Assim, Bolívar refugia-se nos Romances de Amor, cujas belas histórias que o levam a imaginar e viajar pelo mundo inteiro, fazem-no também esquecer, ainda que de forma fugaz, toda a selvajaria da civilização humana.

terça-feira, 4 de março de 2008

" Amo-te. Insistiu Ele. "


- amo-te. insistiu ele.

- eu não. respondeu ela.

- e se nos voltarmos a encontrar ? perguntou ele.

- eclipses, nada mais. respondeu a lua ao sol.


Jorge Serafim in " A Sul de Ti "

" É De Noite "


É de noite. Não tenho nada. Nada para escrever. A página branca. Branca imóvel aguarda por algo. Algo ... Já morro por uma tontura caligráfica. Estou como a página. Branco. De branco um para o outro. É assim que estamos. De branco por conta própria. Nada. Não sai nada. Aborrecidos um com o outro. Não me apetece outra vez sonhar com esse mundo. O meu mundo é este. Este é o meu fundo. Só a esferográfica, fina, me segura a página. Tão fina esta preta tinta que me sai da alma. Tomo nota da tua ausência. Sinto-me descendente da brancura desta página. Pétalas. Queria preencher de pétalas as linhas sinuosas que pautam esta página. Branca. Nota-se a tua ausência.

...


Jorge Serafim in " A Sul de Ti "

domingo, 2 de março de 2008

" O Eterno Marido " Fiódor Dostoiévski



Tendo como ponto de partida o reencontro do " eterno marido ", Pável Pávlovitch, com o ex-amante da falecida mulher, assistimos ao desenrolar perturbante e inquietante de um relacionamento sadomasoquista, marcado por grandes tensões, emoções e ódios !



Esta relação dúbia, com um sem saber se o outro saberia ou não a verdade sobre o facto, mantem-nos incondicionalmente presos ao livro, incapazes de o deixar até ao virar da última página.



Sempre numa atmosfera de suspense embriagador, e através de uma escrita profunda e de personagens psicologicamente densas, protagonistas de diálogos fortes e inteligentes, vemo-nos confrontados com aquilo que realmente possa existir na essência mais profunda de cada um de nós !









" Devia, pois, haver algo de invulgar nessa mulher: um dom de sedução, escravização e domínio!

É uma daquelas mulheres que parecem ter nascido para ser infiéis. Tais mulheres nunca perdem a inocência em solteiras: a sua lei da natureza exige que se casem para tal. O marido é o seu primeiro amante, mas só depois do casamento. Ninguém sabe casar-se com mais facilidade e esperteza do que elas. Quando a seguir surge um amante, a culpa é sempre do marido. E tudo acontece com toda a sinceridade: estas mulheres sentem-se sempre com razão e, claro, absolutamente inocentes.

Veltchanínov estava convencido de que existia, de facto, este tipo de mulheres e, também, de que existia o tipo correspondente de maridos, cujo único destino seria precisamente o de corresponder a este tipo feminino.

Na sua opinião, a essência de tais maridos consiste em serem, por assim dizer, « eternos maridos » ou, melhor, serem na vida apenas maridos e mais nada.

Um homem assim nasce e desenvolve-se unicamente para se casar e para, depois do casamento, se tornar imediatamente num apêndice da sua mulher, mesmo no caso de ter um carácter individual incontestável.

A principal característica deste marido é um enfeite bem conhecido. Não pode deixar de ser cornudo, do mesmo modo que o Sol não pode deixar de brilhar, mas não só nunca sabe disso, como também, de acordo com as leis da própria natureza, é incapaz de sabê-lo. "


Fiódor Dostoiévski in " O Eterno Marido "

sábado, 1 de março de 2008

" O Amor nos Tempos de Cólera "



51 anos, nove meses e quatro dias ... durante todo este meio século Florentino Ariza amou Fermina Daza à distância.


De forma a sentir-se próximo da essência feminina da sua amada, comia pétalas de rosa e bebia frascos de perfume.


Escrevia de tal modo apaixonante que " transformava " documentos oficiais em cartas de amor.


Vivia num estado de permanente dualidade, iludindo o grande amor da sua alma com fugazes episódios de paixão carnal.


Este belíssimo romance desafiador dos limites humanos e das convenções sociais, revela-se-nos um verdadeiro " hino " ao amor incondicional, total, eterno, persistente, que não tem idade nem espaço físico.






" Na plenitude das suas relações, Florentino Ariza tinha-se perguntado qual dos dois estados seria o amor, o da cama turbulenta ou o das tardes tranquilas dos Domingos e Sara Noriega sossegou-o com o argumento simples de que tudo o que fizessem nus era amor. Disse : « Amor da Alma da cintura para cima e amor do corpo da cintura para baixo. » Sara Noriega achou que esta definição era boa para um poema sobre o amor dividido ... "




" ... pode-se estar apaixonado por várias pessoas ao mesmo tempo, e por todas com a mesma dor, sem atraiçoar nenhuma ... O Coração tem mais quartos do que uma pensão de putas. "


Gabriel García Márquez in " O Amor nos Tempos de Cólera "

" Corpo de Amor "


Tenho o nome duma flor

quando me chamas.

Quando me tocas,

nem eu sei

se sou água, rapariga,

ou algum pomar que atravessei.


Eugénio de Andrade