segunda-feira, 14 de abril de 2008


" Era uma noite divina, uma noite que só pode haver, querido leitor, quando somos jovens ! O céu estava tão estrelado, tão límpido que, olhando para ele, nos podia escapar a pergunta: será possível viver sob este céu gente zangada e injusta ? "


" ... temos pena que tão depressa, tão irremediavelmente tenha murchado a beleza de um instante, a beleza que, tão enganadora e inútil, cintilou à nossa frente - temos pena porque nem sequer tivemos tempo de nos enamorarmos dela ... "


" O Sonhador não é uma pessoa, mas uma criatura intermédia: instala-se, na maioria dos casos, nalgum recanto inacessível, como se até da luz do dia se escondesse, e, logo que se mete no seu recanto, fica colado a ele como um caracol, ou, pelo menos, fica muito parecido a esse bicho engraçado que é animal e casa ao mesmo tempo e que se chama tartaruga. "


Fiódor Dostoiévski in " Noites Brancas "

domingo, 13 de abril de 2008

Às compras ... na Bulhosa !



Hoje de manhã na Bulhosa, movida pela curiosidade e vontade de ler "algo diferente", comprei estes dois livros ! Livros de cujos autores tenho ouvido falar bem, mas dos quais ainda não li nada ! ;) São eles " As velas ardem até ao fim " de Sándor Márai e " Vinte e quatro horas na vida de uma mulher " de Stefan Zweig .

" Narciso e Goldmundo " de Hermann Hesse



Em plena Idade Média, Narciso e Goldmundo são noviços num convento católico, até que Goldmundo apaixona-se por uma mulher e decide abandonar a vida conventual para "voltar ao mundo".
Num momento pleno de simbolismo, a despedida dos dois amigos assume-se como uma tomada de consciência dramática da diferença radical que os separa.
Apenas voltarão a reencontrar-se no fim da vida quando Goldmundo, velho e cansado, regressa ao convento para aí morrer.
Estas 2 personagens representam no romance de Hermann Hesse dois tipos psicológicos, duas naturezas anímicas distintas: Narciso, o espírito racional e ascético; Goldmundo, a natureza instintiva e emocional. Razão e Emoção, o espírito apolínio e o espírito dionisíaco em contraponto.
Com Narciso, o pensador, o analítico, o intelectual reflexivo, apaixonado pelo rigor da razão, aprende-se a pensar !
Com Goldmundo, o sonhador, o amante da liberdade, dos amores volúveis e inconstantes, dos prazeres e agruras da vida errante, aprende-se a amar.
Todavia, o amor insinua-se na diferença irreconciliável entre os dois seres, existindo entre ambos uma mágica ligação simbiótica.
Com uma narrativa fluida, mas profunda, posso desde já assegurar, que sem dúvida alguma, este é um dos mais belos romances que já li de Hermann Hesse !

" Narciso já tinha notado a bela ave rara que ali viera arribar. Ele, o solitário e altivo, logo pressentiu em Goldmundo o congénere, apesar de em tudo parecer o seu contrário. Narciso era magro e moreno, Goldmundo radioso e florescente. Narciso era um pensador e um analítico, Goldmundo parecia um sonhador e uma alma ingénua. Mas acima da oposição ligava-os um traço comum: eram ambos seres de escol, distintos dos outros por visíveis sinais e dons, tinham recebido do destino especial premonição. "


Voltara o gelo a derivar rios abaixo, voltaram a rescender as violetas sob a folhagem apodrecida, voltara Goldmundo à vida errante, acompanhando as estações do ano, sorvendo com olhos insaciáveis a paisagem das florestas, dos montes e das nuvens, seguindo de herdade, de terra em terra, de mulher para mulher; ( ... ) "


Hermann Hesse in " Narciso e Goldmundo "

sábado, 12 de abril de 2008

SITE DE POETAS


Almeida Garrett, Fernando Pessoa, Bocage e Florbela Espanca são alguns dos poetas portugueses da Rua da Poesia. Este site da Internet tem as biografias dos escritores e alguns poemas. Foi criado há dois anos com "o objectivo de homenagear grandes poetas de língua portuguesa".

sexta-feira, 11 de abril de 2008

DE CORPO E ALMA


" O ciúme é uma das áreas mais predominantes da ignorância psicológica - ignorância acerca de si mesmo, acerca dos outros e, mais especificamente, acerca de relações. As pessoas pensam que sabem o que é o amor ... mas não sabem. E a ideia errada que têm acerca do amor cria o ciúme.

Por «amor», as pessoas entendem um certo tipo de monopólio, posse, sem compreenderem um facto da vida muito simples: no momento em que possui um ser vivo, você mata-o.

A vida não pode ser possuída.

Não pode fechá-la na sua mão.

Se quiser tê-la, tem de manter as mãos abertas."


Osho in "Perguntas às suas respostas"

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A CASA


" Para início de conversa, apenas dizer, que na minha casa havia Nova York em hora de ponta e que na soleira da porta Marrocos espreitava os halls nas Tailândias e que pelo corredor Marraquexes, Bagdads, Beirutes, Cairos, Damascos, Babilónias penduravam-se em bengaleiro talhado a madeira Senegalesca. Convido os amigos, com certeza, muita certeza, para na sala tomarmos uma Escócia com 2 ou 3 pedras de gelo nórdicas. Fantasmagóricas Islândias, metódicas Suécias, caóticas Rússias, módicas Finlândias, caleidoscópicas miscelândias, etc's puxando Irlandas cheirando a fadas. Outras formas de enterrar os nadas. À boa velha maneira europeia, na cozinha waterlooiana, Franças e Inglaterras degladiam-se presunçosamente pelo dever das panelas fingindo não compreender que os tachos refugam-se Italianamente: por Romas, cebolas, Milões, alhos, Florenças, tomates, Venezas, sais, Sicílias, azeites, Sardenhas e Toscânias com louros alentejanos. Cantando a caminho dos quartos, seria a tranquilidade Tibetana não fosse os pesadelos de Angola lembrar que a sanita está entupida de American ways lifes, faltam autoclismos, mecanismos que lhes dêem vazão. Quanto ao sótão, é um segredo alemão. Não falemos mais nisso. Para finalizar, apenas dizer, que à varanda está um aceno de mão transmontano que vos convida a entrar. Entrai, por favor, entrai, fazei de conta que é vossa, a casa.


Jorge Serafim in " A Sul de Ti "

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ALMAS GÉMEAS


" Laura descobriu em Duarte um ser meigo, apaixonado, carente, culto, viciado em objectos belos, detentor de um gosto requintado, cidadão do mundo, amante de arte, literatura e música erudita. Sentiu-o diferente de todos os outros homens que até então conhecera. Aproximaram-se um do outro de uma forma natural e inevitável. Souberam-se almas gémeas em muitos momentos, aperceberam-se das suas similitudes nos comentários sobre peças de arte, na troca de apontamentos, nos jantares de turma e em todos os outros momentos que partilharam. "

Joana Miranda in " Não se escolhe quem se ama "

terça-feira, 8 de abril de 2008

Correr Riscos


" A Sociedade ensina-lhe «Escolhe o que é conveniente, o que é confortável; escolhe o caminho bem marcado por onde caminharam os teus antepassados e os antepassados deles e os antepassados deles, desde Adão e Eva. Isso é uma prova - tantos milhões de pessoas passaram por esse caminho, não te podes enganar.»
Mas lembre-se de uma coisa: a multidão nunca teve a experiência da verdade. A verdade só aconteceu a indivíduos.
Sempre que haja alternativas, tenha atenção: não escolha o conveniente, o confortável, o respeitável, o socialmente aceite, o honroso. Escolha uma coisa que desperte algo no seu coração. Escolha alguma coisa que gostasse de fazer apesar das consequências. "


Osho in " Perguntas às suas respostas "

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Paisagem Humana


" De todas as paisagens que recorremos nas nossas vidas, a repetição da paisagem humana é a que menos podemos tolerar. Suportamos respirar todos os dias o ar puro de um sítio, levantar a nossa vista para determinada montanha ou comprovar o orvalho nas folhas da mesma árvore; mas não podemos tolerar ver todos os dias a mesma cara. Daí que tão frequentemente os casamentos fracassem. "

domingo, 6 de abril de 2008

MULTIBANCO PARA LIVROS


Imagine uma máquina que lhe imprime na hora, com capa a cores e tudo, um livro à sua escolha entre milhares de títulos ? E imagine que pode fazer a sua escolha através da Internet e depois levantar o livro por qualquer coisa como dois ou três euros. Nos EUA, a Espresso Book Machine já é uma realidade. Agora, resta esperar que chegue à Europa.

sábado, 5 de abril de 2008

Amor ... Liberdade ... Solidão !


" Na nossa vida quotidiana, tendemos a ver a solidão como um fardo, um incómodo. Enchemos as nossas vidas de actividades, de passatempos, de ocupações; esquecemo-nos de como é bom estar só e em silêncio.

Procuramos no amor um refúgio para a solidão; mas se não soubermos viver connosco mesmos, transformaremos o amor numa solidão a dois.

Estar apaixonado é muito bonito e é bom amar alguém. Mas estar só também tem a sua beleza.

Amar e estar só não são opostos: são estados que se complementam. Só quando aprendemos o gozo da solidão somos capazes de dar valor à companhia dos outros; e é estando com os outros que aprendemos a dar valor à riqueza da solidão. "


Osho

sexta-feira, 4 de abril de 2008

MINHA TRAGÉDIA


Tenho ódio à luz e raiva à claridade

Do Sol, alegre, quente, na subida

Parece que a minh´alma é perseguida

Por um carrasco cheio de maldade !


Ó minha vã, inútil mocidade

Trazes-me embriagada, entontecida ! ...

Duns beijos que me deste noutra vida,

Trago em meus lábios roxos, a saudade ! ...


Eu não gosto do sol, eu tenho medo

Que me leiam nos olhos o segredo

De não amar ninguém, de ser assim !


Gosto da noite imensa, triste, preta,

Como esta estranha e doida borboleta

Que eu sinto sempre a voltejar em mim ! ...


Florbela Espanca

quinta-feira, 3 de abril de 2008

AMOR E ÓDIO



O Amor pergunta ao Ódio:
- Porque me odeias tanto ?
O Ódio responde-lhe:
- Porque um dia amei-te demais !

terça-feira, 1 de abril de 2008

MULHERES QUE ESCREVEM ...


" ... as mulheres governam o quotidiano dos homens, proporcionando-lhes as condições que lhes permitem escrever ( ou fazer qualquer outra coisa, seja lá o que for ). E quem governa o dia-a-dia delas? Ninguém tem pejo em as qualificar de musas inpiradoras dos homens, mas quem são, onde estão, as musas inpiradoras das mulheres? A mulher tem de ser musa de si própria. "


Elke Heidenreich in " Mulheres que escrevem vivem perigosamente "