domingo, 28 de setembro de 2008

A minha mais recente aquisição ...

« Hoje em dia, todos nos queixamos de que os jovens lêem pouco. Cristina Norton - coordenadora ao longo de vários anos de um atelier de escrita criativa para crianças e adolescentes e responsável por sessões de formação nesta área para professores e bibliotecários em todo o País - defende, porém, que a descoberta da escrita e do prazer de escrever têm como consequência a descoberta da leitura e do prazer de ler. Partindo, pois, da sua experiência, a autora elaborou este pequeno e acessível manual para todos quantos queiram inserir nas suas aulas ou no espaço dedicado à ocupação de tempos livres a escrita criativa e que, até agora, não dispunham de um livro que compreendesse de forma sucinta, além da descrição dos métodos a aplicar, propostas de exercícios para o pôr em prática. »

"Os Mecanismos da Escrita Criativa" de Cristina Norton

sábado, 20 de setembro de 2008


« Poucos são os lugares na Terra que tanto agitam a alma como Sintra. A terra comunica com o viajante através de uma espécie de poesia, uma eloquente forma de expressão que é directamente sentida no coração do peregrino da Beleza. »

sábado, 13 de setembro de 2008

Já estou inscrita ... ;)

Formação – Os Mecanismos da Escrita
25 e 26.Setembro - 18h00/20h00 - 27.Setembro - 10h00/17h30
Biblioteca Municipal de Algés

Formação de coordenadores de oficinas de escrita criativa para crianças com Cristina Norton, no âmbito do Programa de Itinerâncias Culturais da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.

Público-alvo: Professores, bibliotecários, animadores e adultos em geral.

Informações:21.411.89.70 - B.M.Algés
Oficina de Escrita Criativa – nível introdutório (on-line)
Outubro.2008/Janeiro.2009

Biblioteca Municipal de Algés

Esta oficina pretende aprofundar as potencialidades da língua portuguesa, optimizar a expressão individual, incorporar instrumentos teórico-práticos na área da narração e estimular a expressão estética. Ao longo de 13 semanas Luís Carmelo irá orientar os formandos em formato de e-learning.

Público-alvo: Professores, bibliotecários, animadores e adultos em geral.Valor da Inscrição: €135

Informações e Inscrições:21.411.89.70 - B.M.Algés

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Os Teus Olhos

" O céu azul, não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
ou como estrela cadente.

Um dia, fez Deus uns olhos
Tão azuis como esses teus,
Que olharam admirados
A taça branca dos céus.

Quando sentiu esse olhar:
« Que doçura, que primor ! »
Disse o céu, e ciumento,
Tornou-se da mesma cor !

Florbela Espanca in "Obras Completas de Florbela Espanca - Volume I "

sábado, 6 de setembro de 2008

Li "Venenos de Deus, Remédios do Diabo" e ...

" Venenos de Deus, Remédios do Diabo " é o mais recente romance de Mia Couto que lê-se num sopro.
Livro sobre o passar do tempo, a morte e o amor, o encenar para poder existir.
Sonho e Pesadelo, Verdade e Mentira. Um antídoto para os solitários, narrado por uma sensibilidade sozinha.
Vila Cacimba é o novo lugarejo mágico deste escritor moçambicano, terra imaginária que "só existe por via da mentira", constituindo uma brilhante metáfora de outra cacimba que ora revela ora adensa mistérios, mentiras e enigmas em redor de uma família.
Quanto à sua escrita, posso afirmar que senti-me envolvida e rendida pela magia colocada nas palavras que usa e reinventa, adaptando-as às situações narradas.
Reinventar e pensar a língua portuguesa ... eis uma coisa que Mia Couto faz como poucos.
" ... pela centésima vez reabre a gaveta para reler num bloco de notas algo que escrevera sobre tempos e pensamentos: « Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos. "

Mia Couto in "Venenos de Deus, Remédios do Diabo"

" Quem aprendeu a aguardar pela chuva, sabe esperar pelo céu. "

Mia Couto in "Venenos de Deus, Remédios do Diabo"

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Serra de Sintra


« Serra de Sintra, em ti se iam pousando
Os olhos dos mareantes que abalavam,
E só por fim ao longe adivinhavam
A pátria entre neblinas ondeando.

Pedras sagradas, foi-vos desgastando
O olhar de tantos olhos que choravam;
Foste o adeus de todos que ficavam,
E a saudade de outros, navegando.

Em ti, Serra Marítima e da Lua
Paira a Saudade como a maresia,
Mágoa de amor tão alta e tão serena.

E quem depois voltava à pátria sua,
Ao mesmo tempo lá das ondas via
Terra de Portugal e sua pena ... »

Afonso Lopes Vieira
Ilhas de Bruma, 1917

" O tempo é o lenço de toda a lágrima. "


Mia Couto in "Venenos de Deus, Remédios do Diabo"

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

" Os nossos corpos. No cemitério de pianos, a noite era negra, era absoluta. Dentro desse tempo opaco, os nossos corpos existiam. Os meus braços salvavam-se ao envolvê-la. As minhas mãos procuravam paz na superfície certa das suas costas. Os nossos lábios sabiam como encontrar-se. As nossas bocas construíam formas: tantos detalhes: formas que ninguém em toda a história do mundo conseguiu imaginar, formas impossíveis de serem imaginadas, formas impossíveis de serem imaginadas por pessoas vivas com pensamentos comuns de pessoas, formas irrepetivelmente concretas. Os nossos lábios. As nossas línguas sentiam o sabor das nossas bocas: a saliva morna, o sangue morno. E os meus lábios alastravam. Os meus lábios estendiam-se na pele do seu rosto. Segurava-lhe a cabeça: os dedos entre os cabelos: e os meus lábios misturavam-se na pele do seu rosto ... "

José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"

sábado, 30 de agosto de 2008

Desenho de Escritores

" Esta exposição reúne três centenas de obras de importantes escritores dos séculos XIX e XX, como Charles Baudelaire, Victor Hugo, Henri Michaux, Roland Barthes, William Burroughs, Allan Ginsberg, Ana Hatherly, Almada Negreiros, entre outros ... Esta mostra é co-produzida com o Institut Mémoire de l' Édition Contemporaine, França ( IMEC, Caen ), e o Musée D' Ixelles ( Bélgica ).

Nunca, até agora, se havia reunido um conjunto tão amplo e de tamanha qualidade como esta que o Museu Colecção Berardo apresenta a partir de 1 de Setembro e até 2 de Novembro, em Desenho de Escritores - exposição que vai desde o Romantismo à poesia sonora, passando pelo Surrealismo e a Beat Generation. São mais de duzentos desenhos inéditos e até hoje nunca reproduzidos, que ilustram a obra gráfica de alguns dos nomes mais importantes da literatura mundial. "

Mais informações em http://www.museuberardo.pt


Certamente, uma exposição que não vou perder ! ;)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Comecei hoje a ler ...


" Conta-nos a história de uma pitoresca vila alentejana chamada Mamarrosa, através daqueles que lá vivem, viveram ou que por lá passaram.
Para uns, Mamarrosa é um lugar de onde se quer fugir, para outros, um local de refúgio.
No café do Vasco confluem habitantes e forasteiros, com as suas histórias de vida recheadas dos mais banais - e ao mesmo tempo marcantes - aspectos humanos.
Um romance que mantém uma universalidade sustentada na profundidade narrativa das suas personagens.
Uma história extraordinariamente humana que nos mostra o estilo bem característico da escrita de Monica Ali. "

"Alentejo Blue" de Monica Ali

sábado, 23 de agosto de 2008

Elsa Morante ( 1918 - 1985 )

" Os seus quatro romances abarcam todo um século: Menzogna e Sortilegio ( 1948 ) fala da busca obsessiva de encantamento e lança luz sobre a viragem do século XIX para o século XX. A Ilha de Arturo ( 1957 ) passa-se nos anos 20 e 30 e relata o adeus doloroso a uma infância e juventude paradisíacas; La Storia ( 1974 ) - um ajuste de contas com a Segunda Guerra Mundial - descreve o dia-a-dia de mulheres, crianças e animais inocentes expostos à violência da história; por fim, Aracoeli ( 1982 ), cuja acção se desenrola no período do pós-guerra, relata os esforços de um filho para descobrir o segredo em torno da vida da mãe, uma anadaluza exuberante, plena de alegria de viver, que as boas maneiras impostas pela sociedade só conseguiram revestir de uma camada de verniz fina e quebradiça.

No cerne de todas as histórias está a crise de um ser jovem, em formação, cuja experiência da adolescência é sentida como rejeição e desencantamento, como a expulsão do paraíso, e que se apropria da vida por intermédio da morte. A própria Elsa Morante chamou a atenção para os antecedentes originais da sua escrita: «A transição da fantasia para a tomada de consciência, da juventude para a maturidade, é, para todos nós, uma experiência fundamental e trágica. No meu caso, essa experiência apresentou-se-me acompanhada da guerra; daí que o meu encontro com a maturidade tivesse sido prematuro e se fizesse com violência sanguinária.» Os seus romances assemelham-se a sonhos, como observou no diário, surgido em 1938 - com a força da imaginação, transpor a nossa vida para uma outra realidade, enriquecendo-a.

Já nesse diário, à imagem do escritor Alberto Moravia, que Elsa Morante conheceu em 1936 e com quem viveu até 1962, impõe-se, como sempre, a da mãe: é a generosidade feminina em oposição ao egoísmo masculino. A autora reagia à sua identidade ferida de mulher com um arquétipo de feminilidade. A sua obra literária é, toda ela, ambivalente - com tanto de confortante, na solidariedade que envolve crianças e animais, quanto de ameaçador, na ferocidade indomável. "

Stefan Bollmann in "Mulheres que escrevem vivem perigosamente"

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Li "Seda" e ...

" Seda " narra a história de Hervé Joncour, um comerciante de seda que vive tranquilamente em Lavilledieu, uma pequena cidade francesa. Devido a uma praga que dizima a produção dos bichos de seda, base da prosperidade económica da região, Hervé vê-se obrigado a cruzar o mundo em pleno Séc. XXI para tentar obter no Japão a matéria-prima tão desejada.

Nestas viagens que empreende, descortina-se para ele um mundo simplesmente arcaico e novo, no qual a estranheza funde-se com o fascínio e a sedução perante duas realidades aparentemente incomunicáveis.

Nasce daqui uma fábula surreal feita de amor, choque cultural e tecidos nobres.

Delicada e macia, minimalista e agradável ao toque como o material em que se inspira, a trama de "Seda" deslizou sensualmente à frente dos meus olhos como um tecido liso e frio, surpreendendo pela elegância e simplicidade.

Próxima leitura de Alessandro Baricco: " Castelos de Raiva "